Sendo o objetivo deste trabalho analisar o controle químico com fungicidas de sitio específicos, multissítios e a suas associações e também a sua resposta ao acréscimo de aplicações.

Autores: MUTTA, F.T.T.1; BELLETTINI, R.2; MEGDA, F.F.1, PEREIRA, R.A.1; FIGUEIRA, M.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Com a crescente expansão da utilização de cultivares de soja com tecnologia Inox, tecnologia essa que as plantas apresentam uma hipersensibilidade ao ataque da Ferrugem Asiática, com isso a planta necrosa a parte da folha infectada evitando sua esporulação (TMG, 2018). Essa reação de hipersensibilidade reduz a multiplicação da ferrugem retardando seu avanço.

Com essa atenuação dos danos ocasionados pela ferrugem, temos o predomínio de ocorrência de Doenças de Final de Ciclo (Septoria glycines e Cercospora kikuchii). Esses patógenos podem estar presentes desde o início da instalação da cultura, por sobreviverem em restos culturais contaminados. Porem irão se manifestar com maior intensidade e maiores danos a partir de R5. Segundo estudos realizados quando somente tínhamos a ocorrência desse patógenos, foi observada uma redução de produtividade de até 30%, conforme Almeida em 1980.

Nessa modalidade de agricultura que vem sendo realizada pelo agricultor de não adoção de rotação de cultura e somente realizando a sucessão de cultivos de soja, somado a dificuldade de se ter uma cultivar resistente a todos os patógenos que ocorrem, temos a justificativa de adoção do uso de controle químico para manutenção do teto produtivo da cultura da soja.

A aplicação de fungicidas para o controle dos patógenos na cultura da soja é largamente utilizada e ultimamente para se evitar os riscos de resistência está sendo recomendada a utilização de fungicidas de sítios específicos (triazóis, estrobilurinas e carboxamidas) associados aos de multissítios.

Sendo o objetivo deste trabalho analisar o controle químico com fungicidas de sitio específicos, multissítios e a suas associações e também a sua resposta ao acréscimo de aplicações.

O experimento foi conduzido na área experimental da Spray Drop, em Cambé, PR, durante a safra 2017/2018. O solo da área experimental foi classificado como Latossolo Vermelho distroférrico. A cultivar semeada foi TMG 7063 IPRO, com semeadura realizada dia 16/10/17, com adubação de base foi realizada seguindo recomendação agronômica após análise de solo. O controle de ervas daninhas e pragas foram também foram seguindo recomendações agronômicas para que não se houvesse interferência nos dados a serem estudados.

O delineamento experimental utilizado foi blocos inteiramente casualizados, com quatro repetições e as parcelas foram constituídas de 5,0 m de comprimento e 3,0 m de largura, totalizando 15 m2, sendo a área útil das parcelas eram de 5,4 m2 (4 m de comprimento por 1,35 m de largura).

Os tratamentos testados no presente trabalho foram 1) Testemunha; 2) Triziman em R1; 3) Triziman em R1 e R1 + 15; 4) Fox em R1; 5) Fox em R1 e R1 + 15; 6) Fox associado a Unizeb Gold em R1; 7) Fox associado a Unizeb Gold em R1 e R1 + 15, 8) Unizeb Gold em R1 e 9) Unizeb Gold em R1 e R1 + 15. As doses dos produtos trabalhos foram Triziman 2,0 kg/ha, Fox 0,4 l/ha e Unizeb Gold 2,0 kg/ha.

As aplicações foram realizadas com pulverizador costal pressurizado por CO2, com barra de 3,0 m de largura, vazão de 150 l/ha, pontas Teejet XR 11015, pressão constante de 2,0 kgf/cm2 e espaçamento entre pontas de 50 cm. Aplicações sendo realizadas quando as plantas atingiram o estádio R1 em 01/01/18 e R1 + 15 em 16/01/18 quando as plantas estavam no estádio R4/R5.1.

Avaliações foliares, foram realizadas a cada 07 dias após a primeira aplicação, sendo utilizada escala diagramática proposta por Martins et al., 2004. Foram avaliados 10 folíolos do terço inferior e médio das plantas que estavam presentes dentro da área útil de cada parcela. Com esses valores é possível calcularmos a severidade média e a AACPD. A produtividade de cada parcela foi realizada através da colheita total das plantas que estavam dentro da área útil de cada parcela, com isso gerada os valores de produtividade. Nas avaliações realizadas, tivermos a ocorrência de Septoria glycines e Cercospora kikuchii, porem com predomínio e ocorrência primeiro de Septoria.


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Nas avaliações realizadas de sete em sete dias após a primeira aplicação elas mostraram porque são chamadas de Doenças de Final de Ciclo, pois somente foram notadas nas duas últimas avaliações de 15 e 21 dias após a última aplicação, nos estádios R5.5 e R6/R7. Nestas duas avaliações foi notada a mesma tendência entre os tratamentos, onde a testemunha atingiu as maiores severidades. Também foi observado que quando realizado ao menos uma aplicação para controle de DFC’s temos respostas positivas e com o incremento da segunda aplicação, houve um acréscimo no controle. Os tratamentos que se destacaram no controle foram os que receberam Triziman e Fox associado a Unizeb Gold, esse melhor controle foi observado nas duas condições de uma ou duas aplicações, conforme pode ser observado na Tabela 1.

Tabela 1. Médias das severidades de Doenças de Final de Ciclo, nas avaliações realizadas em R6 e R7, cultivar TMG 7063 IPRO, Cambé, PR, 2018.

Na produtividade também foi possível observar que com um melhor controle temos respostas positivas a produtividade, com isso todos os tratamentos diferiram estatisticamente da testemunha, os tratamentos com uma aplicação tiveram um incremento de no mínimo 13,22 sc/ha e 17,10 sc/ha com duas aplicações. As maiores produtividades foram para os tratamentos que receberam Fox associado a Unizeb Gold com uma produtividade média de 76,71 sc/ha, seguidos pela média de 70,95 sc/ha de Triziman, sendo que essas medias ocorreram em tratamentos com duas aplicações. O peso de mil sementes também se observa a mesma tendência da produtividade, onde todos diferiram do tratamento testemunha.

Tabela 2. Médias de produtividade (sc/ha), acréscimo na produtividade em relação a testemunha e o peso de mil sementes (PMS) (g), cultivar TMG 7063 IPRO, Cambé, PR, 2018.



Contudo podemos afirmar que a utilização de fungicidas como estratégia de controle para doenças de final de ciclo é viável e com rentabilidade ao produtor, se esse controle for realizado em duas aplicações suas respostas serão ainda mais significativas. A utilização de fungicidas multissítios associados a sítios específicos traz benefícios para a gestão de riscos de resistência dos patógenos aos fungicidas e incremento no controle dos patógenos e na produtividade. Sendo os tratamentos que se destacaram neste ensaio os que receberam Fox associado a Unizeb Gold e Triziman, seja em uma ou duas aplicações.

Referências

ALMEIDA, A.M.R. Ação de diferentes temperaturas e regimes de luz sobre a germinação dos esporos de Septoria glycines Hemmi. Fitopatologia brasileira 3:211-214.

MARTINS, M.C., et al. Escala diagramática para quantificação do complexo de doenças foliares de final de ciclo em soja. Fitopatologia brasileira. Brasilia, v. 29, n. 2, p. 179-184, Apr. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010041582004000200009&lng=en&nr m=iso Acesso em 14 de março de 2018.

TMG. Tecnologia Inox. Disponível em: http://www.tmg.agr.br/inox/ Acesso em: 14 de março 2018.

Informações dos autores:  

1UPL do Brasil S.A., Campinas, SP;

2Unicampo.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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