Autores: Hugo Garcia Bozada1; Edson Lazarini2; Fabiana Lopes dos Santos3; Marcel de Faria Menegasso4; Natan Elifas Alves de Arruda5; Gabriel de Souza Lopes6; Luís Eduardo Mazzola Sampaio7

Introdução 

O Sistema Plantio direto (SPD) fundamenta-se em 3 requisitos mínimos, ou seja, revolvimento do solo feito somente na linha de semeadura, rotação de culturas e cobertura permanente do solo (Bernardi et al., 2003). Seus benefícios incluem a melhoria das características físicas e químicas do solo, propiciando maior desenvolvimento do sistema radicular e favorecendo a manutenção da umidade do solo (Alves et al., 2013). Dentro de um sistema de rotação de culturas o uso de fertilizantes nitrogenados é indispensável para as culturas de entressafra, porém o residual de nitrogênio pode interferir diretamente na manutenção do SPD, além de poder causar efeitos na cultura da soja em sucessão (Garcia et al., 2014).

A utilização da inoculação e da coinoculação na cultura da soja tem sido uma alternativa viável e de baixo custo para intensificar a fixação biológica de nitrogênio (FBN), proporcionada pela relação simbiótica das plantas da família Fabaceae com as bactérias do gênero Bradyrhizobium ssp.e Azospirillum ssp., sendo que a primeira é responsável pela nodulação e a segunda promove o crescimento vegetal, principalmente o desenvolvimento do sistema radicular (Nogueira et al., 2018). No entanto, a utilização de fertilizantes na primeira safra pode diminuir os efeitos positivos dessa associação, como a diminuição no número de nódulos, podendo influenciar a nutrição e consequentemente a produtividade da cultura. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar em uma área com SPD, o comportamento da cultura da soja em função da inoculação e da coinoculação e do residual de doses de nitrogênio aplicados nas culturas antecessoras (sorgo + Urochloa ruziziensis).

Material e Métodos 

O experimento foi conduzido a campo em área experimental da Faculdade de Engenharia/UNESP – Fazenda de Ensino Pesquisa e Extensão (FEPE), localizado no município de Selvíria (MS), durante a ano agrícola 2019/20. O cultivar de soja utilizada foi a BMX DESAFIO RR, semeada sobre a palhada de sorgo + Urocloa ruziziensis, com espaçamento de 0,45m entrelinhas. O delineamento utilizado foi o de blocos casualizados no esquema fatorial 2 x 5 com 4 repetições e o solo da área experimental, de acordo com a nomenclatura atual é um LATOSSOLO VERMELHO distrófico típico argiloso (LVd) (Embrapa, 2013).

Os tratamentos foram constituídos pelo cultivo da soja associado à inoculação com Bradyrhizobium japonicum (2,0 mL p.c. kg-1 de semente) com concentração de 7×109 células mL-1 na presença ou ausência do coinoculante Azospirillum brasilense cepas Abv5 e Abv6 (100 mL 100 kg-1 de sementes) com concentração de (2×108 UFC mL-1), e residual de 5 diferentes doses de nitrogênio (0; 30; 60; 90 e 120 kg ha-1) aplicadas em cobertura nas culturas sorgo + Urochloa ruziziensis que antecederam a soja. A soja foi semeada em dezembro/2019 e utilizou-se 300 kg ha-1 da formulação 00-20-20 no sulco de semeadura.

Foram avaliados para a cultura da soja, o teor foliar de nitrogênio, massa seca por nódulo, produtividade e massa de 100 grãos, com os respectivos pesos corrigidos para 13% de umidade base úmida.

Os dados foram submetidos à análise de variância individual ANOVA pelo teste F (p≤0,05) e quando houve diferença significativa, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p≤ 0,05) para o fator qualitativo e regressão polinomial para o fator quantitativo (p≤ 0,05).

Resultados e Discussão 

A partir dos resultados obtidos, observa-se que não houve efeito significativo dos tratamentos para as variáveis teor de nitrogênio (TN), produtividade (Prod.) e massa de 100 grãos (Tabela 1). Entretanto, nota-se que mesmo não sendo significativo, a coinoculação proporcionou acréscimo de 2,38 sacas (143 kg) na produtividade de grãos. Isso pode ser justificado por conta da capacidade das bactérias do gênero Azospirillum ssp. produzirem quantidades de hormônios vegetais expressivas, estimulando o crescimento das plantas e o acúmulo de nitrogênio, consequentemente influenciam diretamente no incremento da produtividade (Zuffo et al., 2015).

Com relação a MSN, verifica-se que houve interação significativa entre os tratamentos avaliados. Desdobrando doses de nitrogênio (DN) dentro de cada inoculação (I), verifica-se que não ocorreu nenhum ajuste (Tabela 2). Ao desdobrar I dentro de cada DN, a ausência de dose promoveu uma maior MSN quando a inoculação foi realizada somente com B. japonicum, no entanto, para a dose de 60 kg ha-1 a coinoculação favoreceu a MSN, chegando a uma média de 10,18 mg nódulo1. Apesar dos resultados positivos observados em muitas literaturas abordando as bactérias promotoras de crescimento vegetal (BPCV), a chamada inoculação mista pode apresentar respostas contraditórias, podendo tanto inibir quanto estimular a formação de nódulos e o crescimento radicular. Esse efeito pode variar de acordo com a concentração e o tipo de inoculação (Ferlini, 2006).

Conclusão 

  • os resultados obtidos quanto a massa seca por nódulo, não permitiram concluir sobre efeito positivo ou negativo da coinoculação ou residual de doses de N utilizadas na cultura antecessora.
  • o residual das doses de N e a coinoculação não influenciaram o teor foliar de N e a produtividade de grãos de soja em sistema plantio direto.

Referências 

ALVES, V. B., PADILHA, N. D. S., GARCIA, R. A., & CECCON, G. Milho safrinha consorciado com Urochloa ruziziensis e produtividade da soja em sucessão. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, 3:, 280-292. 2013. BARROS, F. C. Azospirillum brasilense via fertilizante organomineral coinoculado com Bradyrhizobium japonicum na cultura da soja. 2019.

BERNARDI, A. D. C., MACHADO, P. D. A., DE FREITAS, P. L., COELHO, M. R., LEANDRO, W. M., DE OLIVEIRA JÚNIOR, J. P & CARVALHO, M. D. Correção do solo e adubação no sistema de plantio direto nos cerrados. Embrapa Solos. 2003.

EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3 ed. Brasília, DF, 2013. p.356. GARCIA, C. M. D. P., ANDREOTTI, M., TEIXEIRA FILHO, M. C. M., LOPES, K. S. M., & BUZETTI, S. Decomposição da palhada de forrageiras em função da adubação nitrogenada após o consórcio com milho e produtividade da soja em sucessão. Bragantia, 2:143-152. 2014.

NOGUEIRA, M. A., PRANDO, A. M., OLIVEIRA, A. B., LIMA, D. D., CONTE, O., HARGER, N. & HUNGRIA, M. Ações de transferência de tecnologia em inoculação/coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum na cultura da soja na safra 2017/18 no estado do Paraná. Embrapa Soja, 143: 15. 2018.

ZUFFO, A. M., REZENDE, P. M., BRUZI, A. T., OLIVEIRA, N. T., SOARES, I. O., NETO, G. F. & SILVA, L. O.Coinoculação de Bradyrhizobium japonicum e Azospirillum brasilense na cultura da soja. Revista de Ciências Agrárias, 38:87-93. 2015.

Informações dos autores:

  • 1 Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Ilha-Solteira/SP. E-mail: hugobozada08@gmail.com
  • 2 Professor do Departamento de Fitotecnia, Tecnologia de Alimentos e Sócio Economia, UNESP. E-mail: lazarini@agr.feis.unesp.br
  • 3 Acadêmica do curso de Agronomia, UNESP, Ilha-Solteira/SP. E-mail: fabianalopesagr@gmail.com
  • 4 Acadêmico do curso de Agronomia, UNESP, Ilha-Solteira/SP. E-mail: marcelmenegasso@gamil.com
  • 5 Acadêmico do curso de Agronomia, UNESP, Ilha-Solteira/SP. E-mail: natandearruda@gmail.com
  • 6 Acadêmico do curso de Agronomia, UNESP, Ilha- Solteira/SP. E-mail: gs.lopes@unesp.br
  • 7 Acadêmico do curso de Agronomia, UNESP, Ilha Solteira/SP. E-mail: eduardo.mazzola@unesp.br

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