A produção nacional da cultura da soja (Glycine max L. Merril) vem expandido anualmente, devido ao alto teor de proteínas e lipídios, que permite grande utilização na alimentação humana e animal, além de ser a commodity com maior impacto no PIB do setor. Neste contexto, os grãos produzidos precisam ser armazenados em condições adequadas para atender aos mercados consumidores, sendo que vários fatores interferem na qualidade de armazenamento. Dentre os fatores que interferem a temperatura e umidade são os principais (FARONI et al., 1998), podendo a técnica de resfriamento artificial ser uma alternativa para o armazenamento, e também uma alternativa para os processos pré-secagem, onde em muitos casos as unidade não são corretamente dimensionadas, e falta capacidade para secagem, permanecendo os grãos em alguns casos com umidade elevada antes desse processo. Assim, considerando a importância da secagem para a qualidade dos grãos durante o armazenamento, e que fatores como temperatura e tempo de espera para secagem podem causar efeitos latentes nos grãos, o objetivo no trabalho foi avaliar os efeitos do tempo e temperatura de espera de secagem na qualidade de grãos de soja durante o armazenamento.

Para realização do trabalho, foram utilizados grãos de soja, produzidos no município de Alegrete, Rio Grande do Sul, Brasil, latitude: 29º46’59″S, longitude W 55º47’31” e altitude 102 metros. Os grãos foram colhidos com umidade de 15% e foram secados imediatamente após a colheita (Tratamento 1), e os demais permaneceram durante 1 dia para a secagem nas temperaturas de 15ºC (Tratamento 2), 25ºC (Tratamento 3) e 35º (Tratamento 4), durante 2 dias para a secagem nas temperaturas de 15ºC (Tratamento 5), 25ºC (Tratamento 6) e 35º (Tratamento 7) e durante 5 dias para a secagem nas na temperatura de 15ºC (Tratamento 8), 25ºC (Tratamento 9) e 35º (Tratamento 10). Após a secagem, os grãos foram acondicionados em sacos de polietileno de 0,2 mm de espessura de filme plástico, com dimensões de 30x30x30 cm, com capacidade de 1 Kg, vedados com máquina Webomatic. 

Os grãos foram armazenados em sistema semi-hermético com umidade de 12% e temperatura de 25ºC, e as avaliações foram avaliadas ao final de 360 dias de armazenamento. Foram avaliados o teor de água dos grãos (ASAE, 2000), peso volumétrico (BRASIL, 2009), peso de 1000 grãos (BRASIL, 2009), condutividade elétrica (ISTA, 2008), pH (Rehmann, 2002) e tipificação (BRASIL, 2007). Os resultados foram submetidos à análise de variância ANOVA, e foram avaliados pelo teste de Tukey (p≤0,05) com o programa SAS (SAS, INSTITUTE, 2002).

Os resultados de teor de água (Tabela 1) indicam que a umidade ao final de 360 dias de armazenamento variou de 10,05 a 10,54%, indicando que os níveis permaneceram abaixo do recomendado para armazenamento. O peso volumétrico variou de 688,55 a 697,32 Kg.ha-1, estando de próximos aos valores obtidos para grãos de soja. O peso de 1000 grãos variou de 176,72 a 188,22 gramas, estando de acordo com os padrões obtidos para grãos de soja.

Conforme alguns trabalhos, a imediata realização da secagem reduz intensidades de perdas, mas exige muitos investimentos nas estruturas de transporte, recepção, limpeza e secagem, ou seja, onera o pré-armazenamento, e o fato se agrava sob o ponto de vista econômico, pois a estrutura de pré-armazenamento só utilizada no período de colheita dos grãos, ou seja, uma vez por ano, na maioria das vezes, e durante algumas semanas, configurando um dos mais perversos custos do sistema produtivo que ociosidade, entretanto no trabalho realizado, devido a umidade de 15%, os resultados não foram significativos.

Os resultados de condutividade elétrica, pH dos grãos e tipificação final são apresentados na Tabela 2. A condutividade elétrica e o pH dos grãos não apresentaram diferença estatística ao final de tempo de armazenamento nos tratamentos, entretanto a tipificação final dos grãos que permaneceram durante 5 dias na temperatura de 35ºC foram tipificados como fora do padrão básico, indicando uma redução na qualidade dos grãos.

Conclusões

Portanto, o tempo e a temperatura de espera para secagem de grãos de soja colhidos com umidade de 15% interferiu na tipificação final dos grãos que permaneceram na temperatura de 35ºC durante 5 dias para secagem, entretanto os parâmetros de umidade, peso volumétrico, peso de 1000 grãos, condutividade elétrica e pH dos grãos não foram afetados, reforçando a importância da adoção de boas práticas na pós-colheita de grãos de soja apresentadas abaixo. 

BOAS PRÁTICAS NA PÓS-COLHEITA DE GRÃOS DE SOJA
  • Manejo pré-colheita
  • Identificação da qualidade dos grãos;
  • Cuidados na pré-limpeza e limpeza dos grãos;
  • Cuidados na secagem;
  • Cuidados no carregamento de silos e armazéns;
  • Manejo de Termometria e Aeração;
  • Manejo Integrado de Pragas;
  • Controle das condições atmosféricas do ambiente;
  • Redução do metabolismo dos grãos;
  • Manutenção dos equipamentos da unidade.

Autores:  Andressa Serafim de Quadros; Anderson Ely; Camila Fontoura Nunes; Elton Pilar Medeiros; Ricardo Tadeu Paraginski.

Mais informações, podem ser obtidas pelo E-mail – ricardo.paraginski@iffarroupilha.edu.br


Veja também o episódio do “Ciência em prática: é possível produzir Mais Soja?” – Pirataria no uso de sementes de soja.

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