O objetivo deste trabalho é avaliar a eficiência agronômica de diferentes doses de PTZ + TFS 433 SC no controle de ferrugem asiática e seu efeito em relação à produtividade na cultura da soja.

Autores: SENGER, M.1; MORESCO, E.1; RAMOS, Y. G2; BORTOLAN, R2; SILVA, P. D. S.1; BRIEGA, A. H.1; MORESCO, F. M.1; LUZ, B. C.1; GALDINO, J. V.1; BRIGOLA, L. A. B.1; OLIVEIRA, D. B.1; OLIVEIRA, E. B.1; CARDOSO, K.1; LIMA, D. P.1; SANTOS, D.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores

A soja (Glycine max L.) é considerada uma das mais importantes oleaginosas, sendo o Brasil o segundo maior produtor e exportador mundial, com grandes áreas, nível tecnológico e alta produtividade. A produtividade média do Brasil em 2016/2017 foi de 3.364 kg ha-1(CONAB, 2018), e dentre os maiores desafios para que se mantenha alta produção, destaca-se o manejo fitossanitário de doenças (Juhász et al., 2013).

Grande número de doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus já foram constatadas no Brasil (Yorinori, 1996) e, a ferrugem asiática da soja causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Sydow & P. Sydow é uma das doenças com maior importância.

A ferrugem asiática da soja possui alto potencial de dano à cultura, sendo que plantas severamente infectadas apresentam desfolha precoce, comprometendo a formação e enchimento de vagens e o peso final dos grãos (Soares et al., 2004).

As estratégias de controle da ferrugem asiática exigem uma combinação de medidas, a fim de evitar ou minimizar as perdas. Quando a doença já está ocorrendo, o controle químico com fungicidas é, até o momento, o principal método de controle (Soares et al., 2004), sendo de grande importância a utilização de fungicidas eficientes.

O objetivo deste trabalho é avaliar a eficiência agronômica de diferentes doses de PTZ + TFS 433 SC no controle de ferrugem asiática e seu efeito em relação à produtividade na cultura da soja.

O experimento foi conduzido na área experimental da 3M Experimentação Agrícola, em Ponta Grossa, PR, durante o período de 06 de dezembro de 2016 a 08 de março de 2017. O solo da área experimental foi classificado como de textura arenosa.

O delineamento estatístico utilizado foi em blocos ao acaso, com seis tratamentos e quatro repetições, utilizando-se a cultivar M5947 IPRO. Realizou-se quatro aplicações foliares na cultura da soja, espaçadas em 14 dias, dos tratamentos PTZ + TFS 433 SC (trifloxistrobina 20,0% + prothioconazole 23,3%) + Aureo (0,25 % v/v), nas doses de 0,200; 0,300; 0,375 e 0,400 L ha-1; FLUZ + PIR (fluzapiroxade 16,7% + piraclostrobina 33,3%) + Assist (0,500 L ha-1), na dose de 0,300 L ha-1; e testemunha. A primeira aplicação foi realizada de forma preventiva no final da fase vegetativa.

As parcelas foram constituídas de 5,0 m de comprimento e 3,0 m de largura, totalizando 15 m2. A área útil das parcelas foi de 5,0 m2. A semeadura foi realizada no dia 17/10/2016, com adubação de base de 400 kg ha-1 da formula 0-20-20. As sementes de soja foram tratadas com Derosal Plus (200 mL 100 kg-1 de sementes) e Cruiser (100 mL 100 kg-1 de sementes). O controle de pragas e plantas daninhas foi efetuado conforme as indicações técnicas para a cultura. Os dados de precipitação pluvial e temperatura do ar durante o período de execução do experimento estão apresentados na Figura 1.

Figura 1. Precipitação pluvial e temperatura média do ar por decêndio, durante o ciclo de desenvolvimento da cultura da soja.

Os resultados foram avaliados previamente à aplicação dos tratamentos, e aos 14 dias após a primeira (14DA1A), segunda (14DA2A), terceira (14DA3A) aplicação, e aos 7, 14 e 21 dias após a quarta aplicação (7, 14 e 21DA4A), através da avaliação visual do percentual de severidade da doença por parcela. A partir dos valores de severidade foi calculada a Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD).

A produtividade de grãos foi avaliada por meio da colheita das plantas presentes na área útil das parcelas, sendo os dados corrigidos para 13% de umidade. Também foi avaliada a massa de mil grãos (MMG). Os dados foram submetidos à análise de variância e teste F (p<0,05). Quando constatado efeito de tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey.

A análise de variância dos dados apresentou efeito significativo para os fungicidas e as diferentes doses após o surgimento da doença na cultura, apenas aos 14 dias após a segunda aplicação (14DA2A), com sintomas observados nas parcelas de testemunha.

De forma geral, as aplicações de fungicida garantiram um maior período de proteção a planta, refletindo em menor severidade da doença. As variações nas doses do fungicida PTZ + TFS 433 SC + Aureo (0,25 % v/v) produziram efeito positivo, onde foi verificado um aumento na eficácia de controle devido ao aumento de dose.

Aos 21DA4A os melhores desempenhos para o controle de ferrugem asiática foram observados para as aplicações de PTZ + TFS 433 SC + Aureo (0,25 % v/v), nas doses de 0,300; 0,375 e 0,400 L ha-1; e FLUZ + PIR + Assist (0,500 L ha-1), na dose de 0,300 L ha-1 (Tabela 1).

Tabela 1. Média de Severidade (S%) e eficiência no controle (E%), em avaliações realizadas 14 dias após a terceira aplicação (14DA3A), 7, 14 e 21 dias após a quarta aplicação (7, 14 e 21DA4A) na cultura da soja cultivar M5947 IPRO. Ponta Grossa – PR. Safra 2016/2017.

Todos os tratamentos químicos contribuíram significativamente para a redução da AACPD, quando comparada com a testemunha, evidenciando a eficiência do controle químico empregado contra o avanço da doença. Analisando-se os dados de AACPD, confirma-se que o fungicida com os ingredientes ativos trifloxistrobina 20,0% + prothioconazole 23,3% + Aureo (0,25 % v/v), na dose de 0,400 L ha-1; foi superior ao tratamento que continha o fungicida com os ingredientes ativos fluzapiroxade 16,7% + piraclostrobina 33,3%. As doses 0,300 e 0,375 L ha-1 de trifloxistrobina 20,0% + prothioconazole 23,3% + Aureo (0,25 % v/v) apresentaram controle similar aos tratamentos citados acima (Tabela 2).


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Tabela 2. Área abaixo da curva de progresso da doença (∑AACPD), eficiência no controle (E%), massa de mil grãos (MMG), produtividade média e variação em relação a testemunha (V%), na cultura da soja cultivar M5947 IPRO. Ponta Grossa – PR. Safra 2016/2017.

Os dados obtidos para produtividade e MMG demonstraram que a ferrugem da soja afetou significativamente o rendimento de grãos da cultivar de soja, com redução variável entre 14% e 37%. Essa variação de rendimento foi influenciada pelas doses dos fungicidas, corroborando com os dados observados para a AACPD.

Referências

JUHÁSZ, A.C.P.; PÁDUA, G.P.; WRUCK, D.S.M.; FAVORETO, L.; RIBEIRO N.R. Desafios fitossanitários para a produção de soja. Informe Agropecuário, v.34, n.276, p.66-75, 2013.

YORINORI, J. T. Doenças da soja no Brasil. In: FUNDAÇÃO CARGILL. Soja no Brasil Central. Campinas: Fundação Cargill, p. 301-363. 1996.

SOARES, R. M.; RUBIN, S. A. L.; WIELEWICKI, A. P.; OZELAME, J. G. Fungicidas no controle da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) e produtividade da soja. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, n. 4, p. 1245-1247, 2004.

CONAB- Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira de grãos. Disponível em <http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/18_02_08_17_09_36_fevereiro_2018.pdf >.

Informações dos autores:  

13M Experimentação Agrícola, Ponta Grossa, PR;

2Bayer SA – Brasil.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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