Eficiência de controle do Capim Amargoso (Digitaria insularis) resistente ao glyphosate na soja sob diferentes manejos em área de pousio

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19789

Autores: Guilherme Fratine¹ & Dana Katia Meschede¹

1Universidade Estadual de Londrina – UEL, Londrina-PR

Glyphosate
Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com o consentimento dos autores.

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma planta daninha que vem crescendo em importância na agricultura brasileira a cada ano, podendo ser responsável por grande parte de um baixo rendimento da cultura, assim, causando sérios prejuízos na produtividade e aumento no custo de produção, consequentemente, uma menor lucratividade ao produtor, tornando essa prática fundamental para área.

A D. insularis é uma espécie perene, herbácea, entouceirada, ereta, rizomatosa, de colmos estriados, com 50 a 100 cm de altura (KISSMANN & GROTH, 1997), e altamente competitiva. O que a torna com uma dificuldade natural de controle desta espécie, e em decorrência da grande plasticidade fenotípica existem mecanismos que conferem a resistência de biótipos de D. insularis ao glyphosate, à causa das suas constantes aplicações durante um longo período sem utilizar outros métodos de controle, a pressão de seleção é muito maior, acarretando na seleção dos biótipos resistentes, sendo este, um dos principais mecanismos da resistência (POWLES, 2008). O primeiro caso relatado sobre um biótipo do capim-amargoso resistente ao herbicida glyphosate foi em 2006 no Paraguai (HEAP, 2011).

Esse fato está relacionado a mais lenta absorção do herbicida, a mais rápida metabolização em ácido aminometilfosfônico (AMPA), glioxilato e sarcosinae, também à menor translocação do herbicida em plantas do biótipo resistente em relação ao susceptível, mesmo em plantas novas com 3 a 4 folhas (Carvalho et al., 2011). O ponto chave no incremento da ocorrência de D. insularis é que, uma vez que a planta esteja estabelecida com o início da formação dos rizomas e posterior formação de grandes touceiras, o controle torna-se muito mais difícil. Acredita-se que os rizomas formados pelas plantas sejam ricos em amido, constituindo uma barreira para translocação do herbicida e fonte de reserva, permitindo rápida rebrota das plantas tratadas (MACHADO et al., 2008).

O controle é facilitado quando feito em estádios inicias, podendo ser superior a 85%, diferente de quando feito em estádios mais avançados, onde o controle é em torno de 50%. E por esses motivos, os herbicidas disponíveis são geralmente recomendados para aplicação em estádios precoces de desenvolvimento dessa planta daninha ou em pré-emergência, que por sua vez não apresentam problemas na literatura, por existirem vários mecanismos de ação que possuem eficácia sobre capim-amargoso nessa modalidade: inibidores de divisão celular, inibidores do fotossistema II, inibidores da síntese de carotenoides, inibidores da ALS, inibidores da protox.

O estudo de aplicações de herbicidas de diferentes mecanismos de ação com o mesmo espectro de controle (sobreposição de espectro de ação na planta daninha alvo), tornando-a uma estratégia que deve ser utilizada na agricultura (CHRISTOFFOLETI et al., 2012). Essa diversificação de manejo pode ser feita através de herbicidas em associação, sequência ou rotação, podendo ser associado a métodos culturais.

Desta maneira, o objetivo do trabalho foi avaliar a eficácia do uso de pré- emergentes no controle do capim-amargoso por meio de combinações de herbicidas de diferentes mecanismos de ação em área de pousio.

O experimento foi realizado na fazenda experimental da Universidade Estadual de Londrina (UEL), estado do Paraná, na safra de soja de 2015-16. Sendo a variedade de soja utilizada a Nidera 5909. O solo presente na área era um nitossolo vermelho com textura argilosa e a adubação foi realizada conforme análise de solo. Foi utilizado o delineamento experimental blocos ao acaso com quatro repetições e 13 tratamentos em pré-emergência da cultura, que foram aplicados com um pulverizador costal pressurizado a CO2, regulado para um volume de aplicação de 200 L ha-1. A aplicação foi realizada quando as plantas de capim-amargoso apresentavam perenizadas com 10 a 20 perfilhos e 80 cm de altura. Com o plantio realizado 20 dias após aplicação (DAA).

Os tratamentos consistiram na mistura de Glyphosate com herbicidadas de diferentes mecanismos de ação (Clethodim e 2,4-D), em uma dosagem de 3 L ha-1, 1 L ha-1 e 1 L ha-1, respectivamente, sendo manejados de forma sequencial com Paraquat. há uma dose de 2 L ha-1, sozinho e adicionado há outros herbicidas a cada tratamento: S-Metolacloro (1,5 L ha-1), Trifuralin (3 L ha-1), Trifuralin Gold (3 L ha-1), Pendimetalina (2 L ha-1), Diclosulam (30 L ha-1), Clorimuron (80 L ha-1), Flumioxazin (120 g ha-1), Sulfentrazon (0,6 L ha-1), Imazetapir (1 L ha-1), Clomazine (1,5 L ha-1) e Metribuzim (1 L ha-1).

Após a aplicação dos tratamentos herbicidas foi realizada avaliação do percentual visual de controle aos 7, 14, 21, 28, 35 e 42 DAA, utilizando a Escala Conceitual da European Weed Research Community – EWRC (1964). Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Pela análise da Tabela 1 é possível verificar que todos os tratamentos que receberam aplicação sequencial atingiram um percentual de controle próximo a 80%, o que é considerado satisfatório, no entanto não se verificou diferenças estatísticas com aplicação dos pré-emergentes em relação a sequencial realizada somente com Paraquat.

Tabela 1. Porcentagem de controle e número de perfilhos na pré colheita da soja submetida a diferentes herbicidas aplicados em pré emergência para o controle do capim-amargoso (D. insularis). Londrina-PR, 2015-2016.

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Na avaliação de número de perfilhos/planta a aplicação com pré-emergente interferiu diretamente nessa característica, quando se compara a testemunha sem aplicação de herbicidas verifica-se que cada planta ficou em média com 41 perfilhos e a aplicação sequencial com Paraquat reduziu três vezes este valor, e na aplicação com Imazetapir, Clorimuron ou Fluomixazin o capim amargoso ficou com menos de 10 perfilhos/planta, o que reflete numa redução de quatro vezes em relação a testemunha.

Segundo os resultados o uso de pré-emergente é uma ferramenta importante no controle do capim amargoso e consequentemente no número de perfilhos que permite maior facilidade para a condução da lavoura segunda safra e menor interferência na cultura principal.

Referências bibliográficas

KISSMANN, K.G. 1997. Plantas infestantes e nocivas. São Paulo, BASF, tomo I, 825p.

POWLES, S.B. Evolved glyphosate–resistant weeds around the world: lessons to be learnt (Ervas daninhas resistentes ao glifosato evoluídas pelo mundo: lições a aprender). Pest Management Science, v.64, 360- 365, 2008.

HEAP, I.M. International Survey of Herbicide Resistant Weeds. Online http://www.weedscience.com. Acesso em 14 de Junho de 2012.

CARVALHO, L.B. et al. Detection of sourgrass (Digitaria insularis) biotypes resistant to glyphosate in Brazil. Weed Science, v.59, n.2, p.171-176, 2011.

MACHADO, A.F.L. et al. Caracterização anatômica de folha, colmo e rizoma de Digitaria insularis. Planta Daninha, Viçosa, v. 26, n. 1, Mar. 2008.

CHRISTOFFOLETI, P.J. Inovações na Prevenção e Manejo de Populações de Plantas Daninhas Resistentes a Herbicidas no Brasil. II Workshop HRAC-BR: Resistência de Plantas Daninhas a Herbicidas, SBCPD. Palestra oral, Setembro de 2012

Fonte: V Simpósio Internacional sobre Glyphosate

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