Eficiência dos fungicidas no controle de ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) na cultura da soja na região oeste do Paraná , safra 2015/2016

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O objetivo deste trabalho foi avaliar diferentes produtos para o controle da ferrugem da soja na região oeste do Paraná.

Autores:  TESTON, R.1; MADALOSSO, T.1; FAVERO, F.1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.
Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática da soja possui elevada capacidade de redução de produtividade na cultura (YORINORI et al., 2005). As estratégias para o manejo dessa doença incluem o uso de cultivares resistentes, a utilização de fungicidas, antecipação da semeadura para o início da época recomendada, o uso de cultivares precoces,  ausência de cultivo na entressafra e controle de plantas voluntárias de soja remanescentes nas áreas de cultivo.

Com a elevada área de cultivo de soja, mais de 32 milhões de ha na safra 14/15 (CONAB, 2016) e o uso de fungicida como uma das únicas estratégias de manejo, na safra 2013/2014 foi detectada pela primeira vez na ferrugem asiática da soja a mutação na posição F129L do gene do citocromo “b” (KLOSOWSKI et al., 2016). Essa mutação confere resistência parcial ao grupo químico das estrobilurinas. Outros fatores podem contribuir para o surgimento do genótipo resistente, como o uso de fungicidas de sitio especifico, aplicações repetidas do mesmo produto, uso dos fungicidas como erradicantes e a elevada produção de esporos pelo fungo.

Devido a mutação, vem sendo constatado nas últimas safras a diminuição da eficiência de controle dos produtos comumente utilizados no manejo da doença (triazol+estrubilurina). Existem inúmeros produtos registrados junto ao MAPA para o controle de P. pachyrhizi, muitos deles com baixa eficiência. Desta forma a avaliação da eficácia dos produtos já registrados, bem como de novas moléculas que possam vir a auxiliar no manejo da doença torna- -se fundamental.

O objetivo deste trabalho foi avaliar diferentes produtos para o controle da ferrugem da soja na região oeste do Paraná.

Material e Métodos 

O experimento foi realizado no Centro de Pesquisa Agrícola da Copacol (CPA), no município de Cafelândia-PR, no período de outubro 2015 a fevereiro de 2016. A cultivar utilizada foi a Monsoy 6410 IPRO, de habito de crescimento indeterminado, grupo de maturação 6.4 e ciclo de aproximadamente 125 a 130 dias na região, semeada no dia 15 de outubro de 2015. A adução da cultura foi realizada na base com 300 kg da formula 4-24-16 NP2O5K2O e as demais práticas de manejo seguiram as recomendações técnicas para cultura da soja (TECNOLOGIAS…, 2011).

As aplicações dos fungicidas foram realizadas com equipamento costal pressurizado com CO2, com volume de calda de 200 litros por hectare, utilizando a ponta de pulverização XR 110 015 na pressão de 2,0 kgf/cm2. Foram realizadas três aplicações de fungicidas no ciclo da cultura, sendo a primeira aplicação no dia 07/12/2015 (estádio R1), segunda aplicação dia 31/12/2105 (estádio R3) com intervalo de 24 dias em relação a primeira aplicação e a terceira aplicação no dia 18/01/2016 (estádio R5.2) com intervalo de 18 dias em relação a segunda aplicação.

O delineamento experimental foi de blocos inteiramente casualizadas com 18 tratamentos e quatro repetições os quais são descritos na tabela 1. As unidades experimentais mediam 2,5 de largura e 10 m de comprimento totalizando 25m², sendo a área útil 1,5 m de largura por 10 m de comprimento totalizando uma área de 15 m².

Tabela 1. Descrição dos produtos, doses e ingredientes ativos utilizados no experimento.1

Realizou-se a avaliação da severidade de ferrugem asiática aos 10 e 23 dias após a terceira aplicação de fungicida seguindo a escala diagramática proposta por Godoy et al. (2006). A severidade foi determinada a partir da média das duas avalições.

A avaliação de desfolha foi realizada quando a testemunha atingiu a cima de 80%. Foi determinado também o rendimento de grãos (kg/ha) corrigindo a umidade para 13% e estimado a massa de mil grãos.

As variáveis analisadas foram submetidas à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade de erro.

Resultados e Discussão 

Houve diferenças (p<0,05) paras as variáveis analisadas (Tabela 2). Os tratamentos DPX- 0G79, Elatus, MIL FF 0675-13, Fox e Fox Xpro foram os tratamentos que apresentaram menor severidade variando de 17,5 a 22,9% não diferindo entre si, já os tratamentos Alto 100, Priori e Folicur foram os que apresentaram maior severidade que variou de 38,7 a 40,7%, diferindo da testemunha que apresentou 47,1% de severidade. Quando calculado o controle, observou-se que o mesmo não atingiu patamares superiores a 70%, sendo que o melhor tratamento (DPX-R0G79) apresentou 68,5 % de controle para ferrugem asiática da soja. Alguns fatores podem ser citados para explicar a baixa performance dos produtos, entre eles a elevada pressão da doença nesta safra, condições climáticas favoráveis ao fungo e desfavoráveis as aplicações e a metodologia aplicada no trabalho, aonde foram realizadas somente 3 aplicações dos  fungicidas.

Tabela 2. Rendimento de grãos, incremento no rendimento em relação a testemunha, massa de mil grãos (MMG), desfolha, severidade e controle de ferrugem asiática da soja em função da aplicação de diferentes fungicidas.2

Para a desfolha, os tratamentos DPXR0G79, Elatus, MIL FF 0675-13 e Fox apresentaram os menores níveis, variando de 37,5 a 47,8%, não diferindo entre si, já os tratamentos Alto 100, Priori e Folicur foram os que apresentaram os maiores níveis de desfolha variando de 79,5 a 83,3%, não diferindo entre si, porém diferindo da testemunha que apresentou 94% de desfolha.

Os tratamentos DPX-R0G79 e Elatus foram os que apresentaram maior rendimento de grãos com 3647,4 a 3543 kg/ha, respectivamente. Já os tratamentos Priori Xtra, Priori, Alto 100 e Folicur apresentaram menor rendimento de grãos, 2953,7 2922,9, 2892,0 e 2860,8, respectivamente, diferindo da testemunha que apresentou o rendimento de 2671,7 kg/ha.

Observou-se grande resposta em produtividade em função da aplicação de fungicidas, com incrementos de produtividade que variaram de 7,1 a 36,5% entre o tratamento com pior e omelhor tratamento. Quando comparados os produtos Horos e MIL FF 0675-13, a respostafoi superior no segundo, que se diferencia somente pela presença de mancozeb na composição.

A massa de mil grãos apresentou diferença (p<0,05) entre os tratamentos, sendo que Fox, DPX-R0G79 e Elatus apresentaram maior massa de mil grãos variando de 147,5 a 153,8 gramas.

Conclusão 

A utilização de fungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja é de extrema importância para obtenção de altas produtividades da cultura da soja, sendo que o incremento de produtividade do melhor tratamento em relação a testemunha foi de 36,5%.

Os tratamentos DPX-R0G79 e Elatus foram os que obtiveram maior rendimento de grãos.

Referências 

CONAB. Safras: séries históricas. Disponível em: <http://www.conab.gov.br/conteudos. php?a=1252&t=>. Acesso em: 19 mai. 2016.

GODOY, C. V.; KOGA, L. J.; CANTERI, M. G. Diagrammatic scale for assessment of soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, Brasília,v. 31, n. 1, p. 63-68, 2006.

KLOSOWSKI, A. C.; MAY-DE-MIO, L. L.;MIESSNER, S.; RODRIGUES, R.; STAMMLER, Detection of the F129L mutation in the cytochromeb gene in Phakopsora pachyrhizi. Pest Management Science, v. 72, n. 6, p. 1211-1215, 2016. DOI: 10.1002/ps. 4099.

TECNOLOGIAS de produção de soja – Região Central do Brasil 2012 e 2013. Londrina: Embrapa Soja, 2011. 261 p. (Embrapa Soja. Sistemas de Produção, 15).

YORINORI, J. T.; PAIVA, W. M.; FREDERICK, R. D.; COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI,F.; HARTMAN, G. L.; GODOY, C. V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay. Plant Disease, v. 89, p. 675-677,2005.

Informações dos autores:

1Centro de Pesquisa Agrícola da Cooperativa Agroindustrial Consolata (CPA Copacol), Rod. PR 180 km 269.

Disponível em: Resumos Expandidos da XXXV Reunião de Pesquisa de Soja. Londrina, 05 e 06 de julho de 2016.

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