ENXOFRE: nutriente necessário para maiores rendimentos da soja

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A maioria dos solos do Brasil onde se cultiva soja, ou aqueles que ainda serão incorporados aos processos produtivos com cultivo de culturas anuais, tem alguma deficiência de nutrientes ou desequilíbrio entre eles, que impedem as culturas como a soja, o milho e o trigo, de não render o máximo que seu potencial genético garantiria em condições de alta e equilibrada oferta de nutrientes no solo.

A produtividade da soja no Brasil teve nos últimos 10 anos um aumento médio de mais de 1200 kg.ha. Em algumas regiões, os rendimentos médios atingiram 3000 kg.ha, um grande conjunto de agricultores registrou médias acima de 4400 kg.ha e em ensaios de pesquisa são freqüentemente observados rendimentos acima de 5000 kg.ha atingindo até 6500 kg ha. Nessas maiores produtividades, a soja estaria requerendo melhores condições de fertilidade, das atuais existentes, para assegurar o máximo rendimento determinado pelas novas variedades existentes no mercado.

Do conjunto de itens que compõem o custo de produção da soja, o mais caro é o dos fertilizantes e corretivos. Em situações de baixa disponibilidade de nutrientes nos solos, este custo representa 30% do total de insumos necessários, porém, o uso correto de adubos e calcário é o item que mais contribui para o aumento do rendimento da soja. Um dos nutrientes importantes para a soja é o enxofre.

A principal função do enxofre nas plantas é estrutural, na composição de alguns aminoácidos (cisteina, cistina, metionina, taurina) e, devido a isso está presente em todas as proteínas vegetais, inclusive enzimáticas e também, de forma indireta, esta envolvido na formação da clorofila. Os altos rendimentos de soja observados recentemente, foram alcançados com suprimento de enxofre via adubo.

Experimentos conduzidos pela Embrapa Soja, revelam aumentos da ordem de 100 a 500 kg/ha em resposta à aplicação nos solos de quantidades entre 25 a 75 kg/ha de enxofre. O presente trabalho destaca a importância da adubação com o enxofre para o cultivo da soja nas principais regiões produtoras do Brasil, abordando a necessidade da cultura, as respostas da soja às adubações com enxofre e a diagnose para as recomendações de enxofre considerando os resultados de análises de folhas.

O enxofre no solo

O enxofre inorgânico, a forma disponível para as plantas, ocorre na forma de ânion sulfato. Em decorrência de sua carga negativa, o enxofre não é atraído para as superfícies da argila do solo e da matéria orgânica, exceto sob certas condições de acidez. Ele permanece na solução do solo e se movimenta com a água do solo e, assim, é prontamente lixiviado.

Certos solos acumulam enxofre no subsolo, onde há maior quantidade de cargas positivas, disponibilizando o nutriente para culturas com sistema radicular mais profundo. Em regiões áridas, os sulfatos de cálcio, de magnésio, de potássio e de sódio, são as formas predominantes de enxofre inorgânico.

A maior parte do enxofre do solo nas regiões úmidas está associada com a matéria orgânica. Através de transformações biológicas, semelhantes àquelas do nitrogênio, os sulfatos e os compostos de sulfato são produzidos e disponibilizados para as plantas, através da mineralização da matéria orgânica. O manejo adequado dos solos assegura o uso eficiente do enxofre, reduzindo as perdas por erosão e Iixiviação. A freqüência em ocorrer deficiências de enxofre nos solos cultivados é crescente.

Existem vários fatores que contribuem para isso, incluindo:

1 – Aumento na produção das culturas que removem grandes quantidades de enxofre;

2 – Aumento no uso de fertilizantes de alta concentração que contém pouco ou nenhum enxofre acidental;
3 – Menor uso de pesticidas contendo enxofre;
4 – Imobilização de enxofre na matéria orgânica que é 11:1 acumulada em decorrência das práticas conservacionistas (plantio direto, cultivo mínimo, etc.);
5 – Maior preocupação quanto às necessidades de enxofre para produções lucrativas e qualidade dos produtos.

 

A análise foliar e a análise do solo, incluindo análise de subsolo, são recomendadas para aqueles solos com suspeita ou já deficientes em enxofre.

A análise química do solo para diagnose da disponibilidade de S para a soja tem-se baseado principalmente na determinação dos teores de sulfato. Para a interpretação correta quanto a disponibilidade de S, amostragens da camada superficial (O a 20 cm) e subsuperficial (20 a 40 cm) devem ser tomadas em pelo menos 20 sub-amostras, devido à mobilidade do nutriente no solo e o seu acúmulo na segunda camada.

Os solos do Brasil podem apresentar problemas de acidez subsuperficial, uma vez que nem sempre é viável a incorporação do calcário. Assim, camadas mais profundas do solo (abaixo de 20 cm) podem continuar com excesso de alumínio tóxico, mesmo quando tenha sido efetuada uma calagem considerada adequada. Essa condição limita o desenvolvimento do sistema radicular da soja em profundidade, que é uma característica determinante para diminuir a tolerância à seca e a promoção da ciclagem de nutrientes. A aplicação de gesso agrícola diminui a toxidez por alumínio e aumenta a disponibilidade de cálcio, magnésio e de enxofre, resultando num ambiente menos limitante para o desenvolvimento do sistema radicular das plantas (Pavan e Volkweiss, 1986).

O gesso, que é uma fonte de S, deve ser utilizado em áreas onde a análise de solo, na profundidade de 20 cm a 40 cm, indicar a saturação de alumínio maior que 10% ou quando o nível de cálcio for inferior a 0,5 cmolcdm’3 . Para evitar a lixiviação de K e de Mg por excesso de aplicação, a recomendação de gesso agrícola deve considerar a classificação textural do solo, aplicando-se a lanço, 700, 1200, 2200 e 3200 kg ha para solos de textura arenosa « 15% de argila), média (15 a 35% de argila), argilosa (35 a 65% de argila) e muito argilosa (> 65% de argila), respectivamente.

Funções do enxofre nas plantas

Diferentemente do cálcio e do magnésio, que são absorvidos pelas plantas como cátions, o enxofre é absorvido como ânion. Ele pode também, entrar nas folhas das plantas como gás dióxido de enxofre do ar. O enxofre é parte de cada célula viva e é constituinte de 3 dos 21 aminoácidos que formam as proteínas.

Outras funções de enxofre nas plantas são:

1- Ajuda a desenvolver enzimas e vitaminas.

2- Promove a nodulação para a fixação de nitrogênio pelas leguminosas.

3 – É necessário na formação da clorofila, apesar de não ser um constituinte dela.

4 – Está presente em vários compostos orgânicos que· dão os odores característicos do alho, à mostarda e à cebola.

5 – É essencial para a formação de proteínas.

6 – A maturação das sementes e dos frutos é atrasada quando ocorre sua deficiência.

7 – É necessário para a formação de nitrogenase.

8 – Aumenta o teor protéico total de forrageiras.

9 – Melhora a qualidade dos cereais para o beneficiamento e o processamento como alimento. ) Aumenta o teor de óleo das sementes de oleaginosas como a soja.

10 – Aumenta a resistência à deficiência hídrica e;

11 – Controla certas doenças transmitidas através do solo.

Necessidade de enxofre para soja:

Em relação às culturas de trigo e milho, onde se inserem em sistemas de sucessão e rotação, a soja é a mais exigente em relação ao S, requerendo do solo cerca de 8,2 kg de S para cada tonelada produzida,enquanto o milho e o trigo exigem respectivamente, 2,6 kg e 4,3 kg.

Na Circular Técnica  53, da Embrapa você pode conferir ainda as respostas da Soja a adubação com enxofre e as demais considerações dos pesquisadores Gedi Jorge Sfredo e Áureo F. Lantmann

Fonte: Embrapa,Circular Técnica  53, 2007, de autoria dos pesquisadores Gedi Jorge Sfredo e Áureo F. Lantmann

Texto originalmente publicado em:
Embrapa
Autor: Gedi Jorge Sfredo e Áureo F. Lantmann

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