O enxofre (S) é um dos macronutrientes mais negligenciados na agricultura, isso em parte porque sua exportação pelas plantas é bem inferior aos demais macronutrientes como o Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K). Contudo, assim como para os demais nutrientes, a baixa disponibilidade de enxofre pode limitar a produtividade de culturas como a soja, fato explicado pela conhecida “Lei o mínimo ou Lei de Liebig”.


Veja também: A Lei de Liebig (ou Lei do mínimo) e a produtividade das lavouras

Dessa forma, conhecer a exportação do nutriente pela cultura da soja, bem como as formas de suprir a necessidade da cultura e os fatores que afetam a disponibilidade do nutriente, são de fundamental importância para evitar perdas produtivas decorrentes de deficiências nutricionais. Um dos principais fatores que afetam a disponibilidade do enxofre é o pH do solo, sendo que solos ácidos tendem a apresentar baixa disponibilidade do nutriente para as plantas.

Figura 1. Relação entre o pH e a disponibilidade de nutrientes no solo.

Embrapa (2013).

Assim como o pH, a forma de enxofre afeta sua disponibilidade para uso. Fertilizantes contendo sulfato solúvel fornecem enxofre imediatamente disponível para as plantas, enquanto fertilizantes que contêm enxofre elementar insolúvel necessitam conversão para sulfato antes que as plantas possam absorvê-los (IPNI).



Para cada tonelada de grãos de soja produzida, são necessários cerca de 3 kg.ha-1 de enxofre, ou seja, para uma produtividade média de 3 t.ha-1 são exportados cerca de 9 kg.ha-1 de enxofre (IPNI). Mesmo que em quantidades bem inferiores aos demais macronutrientes, o enxofre desempenha papel fundamental na planta e sua deficiência pode resultar em redução da produtividade da cultura. Segundo Taiz et al. (2017), o enxofre é componente de cisteina, cistina, metionina. Constituinte de ácido lipoico, coenzima A, tiamina pirofosfato, glutationa, biotina, 5´-adenilil-sulfato e 3´-fosfoadenosina.

Tabela 1. Quantidade de enxofre (S) exportada por diferentes culturas em comparação com as exportações de N, P2O5 e K2O.

Fonte: IPNI

Felizmente, segundo Prado (2004), o enxofre é considerado um nutriente móvel na planta, fato que possibilita a utilização de estratégias distintas para o fornecimento do nutriente, sendo uma delas, a adubação foliar.

Avaliando a aplicação via foliar de enxofre na cultura da soja, Rezende et al. (2009) observaram que a adubação foliar com enxofre no estádio R1, proporcionou considerável aumento da produtividade da soja. Para compor os tratamentos, os autores utilizaram dois produtos contendo enxofre, sendo eles: Quimifol S-300 com 26% de S nas doses de 1,0; 2,0; e 3,0 L.ha-1 e S-800 com 56% de S nas doses de 0,5; 1,0 e 1,5 L.ha-1 e um tratamento controle sem aplicação de S. Os resultados de produtividade obtidos por Rezende et al. (2009) podem ser observados na tabela 2.

Tabela 2. Produtividade de soja, cultivar Vencedora, em função de diferentes tratamentos e doses de enxofre, aplicados via foliar.

* Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott, a 5%.
Adaptado: Rezende et al. (2009)

Com base nos resultados apresentados por Rezende et al. (2009), independente do tratamento, a adubação foliar com enxofre proporcionou aumento da produtividade de soja em comparação ao controle o qual não recebeu adubação. Contudo, os autores destacam que os maiores aumentos de produtividade foram observados com o uso de Quimifol S-300 nas doses de 2,0 e 3,0 L.ha-1 e Quimifol S-800 nas doses de 1,0 e 1,5 L.ha-1, correspondendo a um aumento de produtividade de aproximadamente 32; 31; 31 e 27% respectivamente.

Tendo em vista os aspectos observados e a importante contribuição do Enxofre na produtividade da soja, o adequado fornecimento do nutriente seja via solo ou foliar é de extrema importância para a boa produtividade da soja e rentabilidade da cultura, sendo a adubação foliar, uma alternativa interessante para uso na cultura da soja.

Referências:

IPNI. NUTRI-FATOS: ENXOFRE. IPNI. Disponível em: < http://www.ipni.net/publication/nutrifacts-brasil.nsf/0/493B703CAD4816D38325818600436380/$FILE/NutriFacts-BRASIL-4.pdf >, acesso em: 06/01/2021.

PRADO, R. M. ABSORÇÃO E MOVIMENTAÇÃO DE NUTRIENTES NAS PLANTAS. Nutrição de Plantas: A chave para alta produção com qualidade, 2004. Disponível em: < http://www.nutricaodeplantas.agr.br/site/culturas/maracuja/abs_mov_nutr_plantas.php >, acesso em: 06/01/2021.

REZENDE, P. M. et al. ENXOFRE APLICADO VIA FOLIAR NA CULTURA DA SOJA [Glycine max (L.) Merrill]. Ciênc. agrotec., Lavras, v. 33, n. 5, p. 1255-1259, set./out., 2009. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/cagro/v33n5/v33n5a08.pdf >, acesso em: 06/01/2021.

TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Ed. 6, Porto Alegre, 2017.

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