Epidemia de ferrugem-asiática da soja

Autores: José de Alencar Lemos Vieira Junior1, Erlei Melo Reis2, Andrea Camargo Reis3, Mateus Zanatta3.

A soja (Glycine max) é cultivada em 77% dos 7,7 mi ha com grãos no Rio Grande do Sul e representa 90% das lavouras onde o arroz irrigado não é cultivado (Emater, 2018).  O estado é o terceiro maior produtor de grãos de soja do país, superado apenas pelo Mato Grosso e Paraná (Conab, 2019).

Nesta safra, fatores de origem biótica tem prejudicado a sanidade das lavouras. Deterioração de sementes, morte de plântulas, desuniformidade no estande de plantas e ressemeadura de lavouras foram causadas por fungos de solo, com destaque a Phytophthora sojae e Pythium sp. Já na fase reprodutiva da soja, ocorreu epidemia de podridão da haste por Sclerotinia sclerotiorum na região nordeste e campos de cima da serra. Atualmente, a atenção está direcionada a possível epidemia de ferrugem-asiática da soja (FAS).

No município de Marechal Candido Rondon – PR foi registrado a primeira ocorrência da FAS em 31 de outubro de 2018. Desde a safra 2012/13 a doença não era detectada em outubro (Consórcio Antiferrugem, 2019). Segundo a Embrapa Soja (2018), houve antecipação em aproximadamente 15 dias na ocorrência da doença na região.

A perspectiva de epidemia de FAS vem sendo transmitida por produtores e profissionais desde a primeira confirmação da doença em lavoura comercial. Sendo assim, o objetivo do trabalho foi fazer a análise de regressão das ocorrências da doença na região nordeste e Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul e comparar as ocorrências desta safra com a passada.

Lavouras comerciais de soja nos municípios de Barracão, Capão Bonito do Sul, Caseiros, Lagoa Vermelha, Muitos Capões, Passo Fundo, Tapejara e Vacaria foram monitoradas semanalmente nas safras 2017/18 e 2018/19 a partir do primeiro dia útil de dezembro do respectivo ano. Para cada lavoura foram coletados 100 folíolos centrais do terço inferior das plantas, armazenados em sacos plásticos e depositados sob refrigeração para posterior detecção de FAS em laboratório. Os dados obtidos foram submetidos a análise de regressão.

Na safra 2017/18 a primeira ocorrência de FAS foi em 23 de janeiro no município de Lagoa Vermelha e, na safra 2018/19, em Caseiros no dia 17 de janeiro. Nestes dois casos, os folíolos com a doença foram coletados de plantas no período reprodutivo e de lavouras semeadas na segunda quinzena de outubro.

Na segunda quinzena de fevereiro de 2018 ocorreu aumento brusco nas ocorrências da FAS. Na atual safra, esta situação foi percebida na segunda quinzena de janeiro (Figura 1).

Figura 1. Ocorrência de ferrugem-asiática da soja na região nordeste e campos de cima da serra do Rio Grande do Sul, safra 2017/18 e 2018/19.

O aumento no número de casos de FAS no mês de janeiro deste ano, em comparação a safra passada, poderá resultar em antecipação da epidemia.


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Referências

CONAB, (Companhia Nacional de Abastecimento). Acompanhamento de safra brasileira: grãos. Brasília: Disponível em: <http://www.conab.gov.br>. Acesso em: 3 Fev. 2019.

CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. Coordenação e administração Embrapa Soja. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net). Acesso em: 3 de Fev. 2019.

EMBRAPA SOJA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/soja/busca-de-noticias/-/noticia/38989549/parana-tem-primeiro-foco-de-ferrugem-asiatica-em-area-comercial-nesta-safra. Acesso em: 3 Fev. 2019.

Informações dos autores:

1 Programa de pós-graduação da UNOESC -SC

2 Programa de pós-graduação da Universidade de Buenos Aires – AR

3 Instituto Agris – RS

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