Na cultura do milho, assim como demais culturas anuais, o período reprodutivo é extremamente importante para definir alguns componentes de produtividade que irão refletir em boas produtividades e rendimento da cultura. Entretanto, ao decorrer do seu ciclo de desenvolvimento, o milho está sujeito a influência de inúmeros fatores bióticos e abióticos que podem interferir negativamente na produtividade da cultura.

No período reprodutivo do milho ocorre a formação dos óvulos e posteriormente dos estilo estigmas que conduziram os grãos de polén que fecundarão os óvulos dando origem aos grãos de milho. Entretanto, quanto em condições adversas de nutrição, disponibilidade hídrica e distintas condições ambientais, o processo de formação dos grãos pode ser alterado, comprometendo a fecundação do total de óvulos produzidos pela planta e com isso interferindo no número de grãos.

Figura 1. Relação entre a produtividade por espiga e o número de grãos de milho.

Fonte: Passini (2016).

A interferência de fatores bióticos e abióticos no período reprodutivo da cultura do milho pode acarretar em má formação das espigas, comprometendo a produtividade da cultura. Dentre as má formações observadas, Passini (2016) destaca a ocorrência de espigas anãs (espigas presas) ou espigas “Latinhas de Cerveja” como são vulgarmente conhecidas. O autor atribui o fato a uma resposta fisiológica da planta a estresses ambientais por baixas temperaturas e/ou períodos de seca durante o estágio de formação dos grãos, mais especificamente na ovulação.

Figura 2. Espigas anãs ou espigas “Latinhas de Cerveja” como são popularmente conhecidas.

Fonte: Passini (2016).

No entanto, embora possa ser relaciona a esses fatores, não há definição especifica da causa dessa má formação. Em vídeo o pesquisador Marcelo Madalosso destaca outra possível causa da formação das espigas “

Segundo Marcelo, a formação das espigas presas ou espigas “latinhas de cerveja” não tem relação direta com doenças do milho, entretanto, pode estar relacionada ao uso de agrotóxicos, especialmente fungicidas. O pesquisador destaca que os principais sintomas da ocorrência do problema são:

  • Empalhamento da espiga com aspecto de murcho
  • Pouca presença de estilo estigmas (cabelos do milho)
  • Espigas minúsculas (tamanho não superior a uma latinha de cerveja)
  • Folhas da planta arroxeadas

Marcelo explica que as folhas com o aspecto arroxeado são consequência do acúmulo de antocianinas nas folhas do milho em respostas a não produção dos grãos.

Figura 3. Marcelo demonstra características de folhas onde há a má formação da espiga de milho.

Fonte: Marcelo Gripa Madalosso – Madalosso Pesquisas.

O pesquisador explica que o surgimento desses sintomas pode estar ligado à aplicação de fungicidas com adjuvantes não iônicos próximo ao pendão do milho. Marcelo comenta que em alguns casos é possível observar a má formação da espiga alguns dias após a aplicação do produto e destaca que em algumas situações, a aplicação de herbicidas e a ocorrência de “golpes de calor” podem causar a formação das espigas presas.

Cabe destacar, que vários fatores podem desencadear a formação de espigas presas, entretanto, conforme relatado por Madalosso, casos de aplicação de fungicidas com adjuvantes não iônico vem sendo relacionado a má formação da espiga quando aplicados no pendoamento.  Logo, vale a recomendação do pesquisador para a não aplicação desses produtos em pré pendão ou no pendão do milho para evitar os riscos.

Confira o vídeo completo com as dicas do Marcelo Madalosso logo abaixo.


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Referências:

PASSINI, F. O IMPACTO DO ESTRESSE AMBIENTAL NA FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS ESPIGAS DO MILHO. Comunicado Técnico, n. 17, DUPONT, PIONEER, nov. 2016, disponível em: <https://www.bibliotecaagptea.org.br/agricultura/culturas_anuais/livros/O%20IMPACTO%20DO%20ESTRESSE%20AMBIENTAL%20NA%20FORMACAO%20E%20DESENVOLVIMENTO%20DAS%20ESPIGAS%20DE%20MILHO.pdf>, acesso em: 03/08/2020.

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