Este trabalho teve como objetivo analisar a estatura de plantas em cultivares com GMR de 4.8 a 7.8, semeadas em áreas de terras baixas e altas.

Autores: Isadora Hübner Brondani1, Nereu Augusto Streck1, Kelin Pribs Bexaira1, Eduardo Daniel Friedrich1, Alexandre Ferigolo Alves1, Bruna San Martín Rolim Ribeiro1, Ary José Duarte Junior1, Felipe Andrade Tardetti1, Josias Moreira Borges1, Francisco Tonetto1, Darlan Scapini Balest1 e Jossana Ceolin Cera2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A introdução e a consolidação da cultura da soja (Glycine max (L.) Merril) é considerado um marco significativo para a economia mundial, sendo cultivada em muitas partes do mundo. Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor do mundo, com uma área de 36 milhões de hectares e sendo responsável por uma produção de aproximadamente 117 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul ocupa a terceira posição de maior produção no país, responsável por 17 milhões de toneladas, cultivadas em 5,7 milhões de hectares (CONAB, 2018). Por sua vez, a área cultivada de soja em rotação com arroz irrigado aumentou de aproximadamente 11 mil hectares em 2009/2010 para 280 mil hectares no ano agrícola de 2016/2017 (IRGA, 2017). Devido à alta demanda por alimentos e o interesse pela cultura da soja, as pesquisas se intensificaram, gerando incentivo para o aumento da área cultivada e posterior aumento da produção.

Devido a soja ter alta capacidade de adaptar-se às condições do ambiente, o crescimento vegetativo em diferentes condições permite entender as variações na arquitetura de plantas, inclusive estatura, visando aumentar a produtividade da cultura através do melhoramento genético e manejo (SETIYONO et al., 2011).

A estatura da planta é característica fundamental na determinação da cultivar a ser introduzida em uma região, uma vez que está relacionada com a produtividade de grãos, controle de plantas daninhas e com as perdas durante a colheita mecanizada (ZANON et al., 2018).

Sendo assim, verifica-se a necessidade de estudar a relação das cultivares com o ambiente, motivando a realização deste trabalho, que teve como objetivo analisar a estatura de plantas em cultivares com GMR de 4.8 a 7.8, semeadas em áreas de terras baixas e altas.

Para isso, realizou-se dois experimentos no ano agrícola de 2017/2018, sendo um em terras baixas e outro em terras altas. O experimento de terras altas foi no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, no município de Santa Maria (29°43‟S, 53°43‟W), onde o solo é caracterizado como Argissolo Vermelho distrófico arênico, unidade de mapeamento São Pedro (EMBRAPA, 1999). O experimento em terras baixas foi realizado na área experimental da Agrotecnologias Integradas Ltda. (AGRUM), Distrito de Palma (29°43”S, 53°34”W), onde o solo é caracterizado por ser hidromórfico e o experimento foi realizado em rotação com o arroz irrigado.

A descrição das cultivares está presente na tabela 1. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições e cinco tratamentos (cultivares). No experimento em terras altas cada parcela recebia um tratamento com área de 12,6 m², espaçamento entre linhas de 0,45 m. Por sua vez, em terras baixas, a parcela era de 10 m², espaçamento entre linhas de 0,5 m. O manejo de adubação foi realizado de acordo com o ROLAS (2016), visando atingir produtividades de 6 ton ha-1. O controle fitossanitário foi realizado de acordo com as especificações para a cultura. As plantas não sofreram déficit hídrico no experimento em terras altas, pois foi realizada irrigação suplementar sempre que necessário. Em terras baixas não houve irrigação suplementar.

Tabela 1. Descrição quanto ao grupo de maturidade relativa e tipos de crescimento das cultivares utilizadas nos experimentos.

No experimento em terras altas, a semeadura foi realizada no dia 17/10/2017 e foram realizadas avaliações de número de nós (NN) semanalmente em 5 plantas marcadas em cada parcela, até o número final de nó (NFN). No experimento em terras baixas, a semeadura foi realizada no dia 05/10/2017, onde foi avaliado o NN em 8 plantas por parcela, semanalmente, até o NFN. A avaliação de estatura foi realizada antes da colheita, em 6 plantas, em terras baixas e altas. A estatura foi medida com uma trena métrica desde o solo até o ápice da planta.

Na figura 1, pode ser visualizada a estatura das plantas onde a mesma foi crescente conforme o aumento do GMR, em ambas as áreas (terras baixas e terras altas), semeadas em outubro. As menores estaturas em terras baixas podem ser explicadas devido aos frequentes excessos hídricos que prejudicam a cultura (ROCHA, 2016).

Figura 1: Relação entre a estatura e as cultivares de soja semeadas em outubro, observada em terras baixas e terras altas. A linha vermelha, paralela ao eixo x, é a estatura ideal de 105 cm, encontrada por Weber (2017).

Segundo Weber (2017), a estatura ideal encontrada foi de 105 cm, para atingir um potencial produtivo de 6,0 Mg ha-1.Nesse ínterim, podemos observar que a cultivar com GMR 7.8 apresenta a maior média de estatura tanto em terras baixas quanto em terras altas. Elevadas estaturas podem levar ao acamamento, seja pela irrigação, ou ainda, pelo espaçamento entre linhas e/ou a densidade de semeadura inadequada que podem condicionar a planta para o maior desenvolvimento (REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL, 2016).

De acordo com a figura 1, as cultivares que estão próximas ao ideal proposto por Weber (2017) em relação à estatura, para terras altas, são as cultivares com GMR 4.8 e 5.5. As cultivares com GMR 6.2, 5.5 e 7.8 tiveram valores de estatura superiores ao ideal (105 cm) e acamaram, possivelmente pela condição do experimento com alta adubação, visando 6 Mg ha-1, e com irrigação suplementar. Enquanto que para terras baixas as cultivares com GMR 6.2 e 6.8, obtiveram valores próximo aos 105 cm. Essa variação da estatura entre terras baixas e altas, não é verificada no NFN. A variação do NFN entre terras altas e baixas, em todas as cultivares foi de aproximadamente de 1 nó, exceto para a cultivar com GMR 4.8. Ficando evidente que a diferença em estatura nos dois sistemas (terras altas e baixas) se deve ao tamanho do entrenó e não ao NFN.


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Observando as produtividades (Figura 2), todas as cultivares em ambos os sistemas (terras baixas e altas) obtiveram produtividade superior a 60 sc/ha. Portanto, a escolha da cultivar para cada sistema deve levar em consideração o acamamento, a fim de viabilizar a colheita mecanizada e diminuir as perdas.

Figura 2: Relação entre a produtividade (sc/ha) e as cultivares de soja semeadas em outubro, observado terras baixas e terras altas.

Por fim, para semeaduras em outubro, visando altas produtividades, em terras altas, as cultivares com GMR 4.8 e 5.5 foram as que tiveram a estatura mais próxima ao ideal, não acamaram e tiveram produtividades acima de 80 sc/ha. Já as demais cultivares tiveram altas produtividades, porém, acamaram. Em terras baixas e semeaduras em outubro, a cultivar com GMR 6.8 foi a que obteve maior produtividade (107 sc/ha) e não acamou. As demais cultivares tiveram boa produtividade (maior que 60 sc/ha), considerando o menor potencial produtivo dessas cultivares quando implantadas em terras baixas.

Referência

CONAB. Boletim da Safra de Grãos. 2018. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos>. Acesso em: 02 de junho de 2018.

EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa Produções de informações, 1999. 412p.

IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola. 2018. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/tabela/188>. Acesso em: 07 de junho de 2018.

IRGA – INSTITUTO RIO GRANDENSE DO ARROZ. Série Histórica de Produção e Produtividade RS x BR. Disponível em: <http://www3.irga.rs.gov.br/uploads/anexos/1329418135Area_Producao_e_Pro dutividade.pdf>. Acesso em: 15 julho 2018.

REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL. Indicações técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, safras 2016/2017 e 2017/2018. XLI Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul. JOSÉ ROBERTO SALVADORI. et al. Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, p. 127, 2016.

ROCHA, R.S. Desempenho da soja cultivada em solo hidromorfico e não hidromorfico com e sem irrigação suplementar. Santa Maria, 2016. 78p. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2016.

SETIYONO, T. D.; Setiyono, T. D., Weiss, A., Specht, J. E., Bastidas, A. M., Cassman, K. G., & Dobermann, A. Understanding and modeling the effect of temperature and daylenght on soybean phenology under high-yield conditions. Field Crops Research, v.100, p.257-271, 2007.

ZANON, A. J.; SILVA, M. R.; TAGLIAPIETRA, E. L.; CERA, JOSSANA CEOLIN; BEXAIRA, K. P.; RICHTER, G. L.; DUARTE JUNIOR, A. J.; ROCHA, T. S. M.; WEBER, P. S.; STRECK, N. A. Ecofisiologia da Soja Visando Altas Produtividades. 1. ed. Santa Maria: Santa Maria: Palloti, v. 1. p.136, 2018.

WEBER, P. S. Componentes de rendimento e grupo de maturidade relativa que influenciam o potencial de produtividade em soja. 2017. 34p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2017.

Informações dos autores:  

1Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Avenida Roraima, 1000, CEP 97105-900, Santa Maria – RS, Brasil.

2Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA).

Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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