Introdução:

Nos últimos anos, foram detectados focos de capim amargoso (Digitaria insularis) em lavouras de soja no RS, na região do planalto (Ovejero et al., 2017) e na depressão central, nos municípios de Candelária (Figura 1), Cachoeira do Sul e Rio Pardo. Pela similaridade morfológica, o capim amargoso pode ser confundido com a Digitaria swalleniana, espécie encontrada no município de Fortaleza do Valos (Souza et al.,1995) ou com Digitaria sellowii.

O capim amargoso é uma poácea perene, com fotossíntese C4 e com propagação por sementes (de fácil transporte pelo vento) e por rizomas curtos (Kissmann, 1997). Plantas perenizadas formam touceiras, com muitos afilhos, folhas em diferentes idades e rizomas.

O objetivo deste estudo foi indicar estratégias de controle eficazes e rentáveis para o capim amargoso na cultura da soja.

Material e métodos

O experimento foi conduzido em Candelária, RS, em lavoura com capim amargoso (Digitaria insularis, classificação confirmada pelo departamento de botânica da -2 UFSM) numa densidade média de 9 touceiras m . A soja, BMX Valente, foi semeada em 03/11/2017.

A dessecação foi realizada em duas etapas:18 dias antes da semeadura (16/10/17) e 3 dias antes da semeadura (31/10/17). Em pós-emergência da soja, os herbicidas foram aplicados aos 33 dias depois da semeadura (06/12/17) (Tabela1). Foi determinada a eficiência de controle (escala percentual, onde zero representa ausência de controle e 100
o controle total das plantas) e a produtividade (bruta e lí-1 quida) de grãos de soja (sacos ha ).

No cálculo da produtividade líquida, transformou-se o custo do controle (preço -1 dos herbicidas) em sacos de soja ha , descontando-se este valor da produtividade bruta. Os herbicidas usados e seus valores médios foram os seguintes: Crucial (glifosato), R$ -1 -1 18,00 L ; Select 240EC (cletodim), R$ 84,00 L ; Gramocil -1 (paraquate+diuron), R$ 23,00 L ; Dual Gold (s-metolaclor), -1 -1 R$ 10,40 L ; Premerlin 600 (trifluralina), R$ 32,00 L ; Spider -1 (diclosulam), R$ 1.309,00 kg ; Zethamaxx (imazetapir + -1 flumioxazina), R$ 130,00 L ; Verdict R (haloxifope) R$ 19,20 -1 -1 L . Para a soja, considerou-se o valor de R$ 80,00 saco (60kg).

Resultados

Como resultado da dessecação, notou-se que todos os tratamentos com herbicidas pré-emergentes (Pré-E) propiciaram os melhores níveis de controle (88 a 98%) (Figura 2). A contribuição destes produtos em plantas entouceiradas, possivelmente, se deve à redução da capacidade de rebrote.

Na colheita, confirmou-se que a melhor estratégia de controle foi aquela que incluiu herbicidas Pré-E (Figura 2). Tanto na produtividade bruta como na líquida se destacaram
as estratégias com os maiores níveis de controle como glifosato + cletodim / paraquate + diuron + trifluralina ou diclosulam ou imazetapir + flumioxazina, seguidos de glifosato na pós-emergência da soja; e, glifosato +cletodim / paraquate + diuron + trifluralina seguido de glifosato + haloxifope na pós-emergência da soja (Figura 3).

O tratamento com glifosato + cletodim / paraquate + diuron, seguido de glifosato na pós-emergência da soja, embora tenha apresentado produtividade líquida comparável às melhores estratégias, não apresentou um controle eficaz, podendo contribuir para o aumento do banco de sementes de capim amargoso para a safra seguinte.

Os resultados evidenciaram a importância de estratégias que incluam herbicidas Pré-E, a fim de garantir alto nível de controle de touceiras e prevenir novos fluxos de emergência durante o ciclo de desenvolvimento da soja.

Notou-se, também, redução do número de rebrotes após a colheita da cultura (dados não apresentados). A quantidade de touceiras com rebrote aos 44 dias após a colheita da soja chegou a 3 vezes, menos quando comparou-se a testemunha com a média dos tratamentos que incluíram herbicidas Pré-E.

A redução foi mais consistente na redução quando, em pós-emergência, o glifosato teve o reforço do inibidor da ACCase.

Conclusão

A estratégia de controle eficaz, rentável e segura (diante de rebrotes na pós-colheita) para capim amargoso, é composta pela dessecação com glifosato e cletodim, seguida de paraquate com diuron, associado com trifluralina ou diclosulam ou imazetapir + flumioxazina, e na sequência, em pós emergência da soja, o uso do glifosato com o reforço do haloxifope.

Literatura consultada

KISSMANN, K. G. Plantas infestantes e nocivas. 2.ed. São Paulo: BASF,1997. Tomo I. 824p.

OVEJERO, R.F.L. et al. Frequency and dispersal of glyphosate-resistant sourgrass (Digitaria insularis) populations across brazilian agricultural production areas. Weed Sci., 65: 285-294, 2017.

SOUZA, R.O., SFREDO, M.C.; DORNELLES, S.H.B. Alerta sobre nova gramínea infestante no cultivo de verão. Jornal Plantio do Direto, n.28, p.4, julho/agosto 1995.

Autor: Mario Antonio Bianchi, Doutor em Fitotecnia, Manejo de Plantas Daninhas, Pesquisador CCGL | Pesquisa e Tecnologia, e-mail: mario.bianchi@ccgl.com.br


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Texto originalmente publicado em:
Boletim Técnico CCGL TEC
Autor: CCGL tec

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