Trapoerabas são plantas daninhas do gênero Commelina, sendo as principais Commelina benghalensis, Commelina diffusa, Commelina erecta e Commelina villosa. São espécies anuais, que podem perenizar como C. benghalensis e C. difusa; ou perenes como C. erecta e C. villosa, com reprodução por sementes e por pedaços de ramos (Kissmann, 1997; Penckowski e Rocha, 2006).

Plantas de C. benghalensis toleram o herbicida glifosato devido à absorção diferencial (mais lenta que em outras espécies) e a capacidade de metabolizar parte do herbicida (Monquero et al., 2004).

O controle químico de trapoeraba pode ser ineficaz quando se utiliza apenas uma aplicação de herbicidas, havendo diferenças na sensibilidade ao glifosato e a associação de glifosato com carfentrazone entre C. benghalensis e C. diffusa, sendo a C. diffusa mais tolerante (Ronchi et al., 2002). O objetivo deste estudo foi indicar herbicidas para o controle eficaz de trapoeraba.


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Material e métodos

O trabalho foi conduzido em lavoura comercial localizada em Arroio do Só, no município de Santa Maria, RS. A área apresentava cobertura homogênea de trapoeraba da espécie Commelina diffusa.

Os tratamentos foram aplicados um mês após a colheita da soja, sendo os tratamentos 2 a 6 aplicados uma única vez e os tratamentos 7 a 11 aplicados em duas etapas, sendo a segunda aplicação aos 14 dias após a primeira (Tabela 1).

As aplicações foram realizadas nos dias 07/05/18 e 21/05/18, com umidade relativa do ar entre 62 e 83% e temperatura do ar em torno de 20º C, utilizando pulverizador costal (CO), com barra de 3 metros de 2 largura, contendo seis bicos. A taxa de aplicação utilizada foi de 150 L/ha.

Resultados

A primeira aplicação de herbicidas, que incluiu o glifosato + 2,4-D e glifosato + 2,4-D + carfentrazona ou safluenacil (tratamentos 2, 4, 7, 8, 9,10 e 11), não resultou em controle satisfatório das plantas de trapoeraba (Figura 1a).

Nesta avaliação destacaram-se somente os tratamentos que além do glifosato + 2,4-D continham flumioxazina ou flumioxazina + imazetapir, com nível de controle de 70% (Figura 1a). Tratamentos que receberam a segunda aplicação de herbicidas proporcionaram controle eficiente das plantas de trapoeraba, independente do herbicida utilizado (Figura 1b).

Assim como alternativas para complementar a primeira aplicação pode-se indicar paraquat + diuron, paraquat, diquat, glufosinato ou ainda paraquat + flumioxazina + imazetapir (Figuras 1 e 2).

Conclusões

O controle de trapoeraba (Commelina difusa) é obtido com a aplicação sequencial, composta pela primeira de glifosato+2,4-D (1458 g/e.a. + 1340 g/e.a./ha) e pela segunda com paraquate+diuron (300+150 g/ha) ou paraquate (400 g/ha) ou glufosinato (500 g/ha) ou diquate (400 g/ha) ou paraquate+ flumioxazina+imazetapir (400+50+100 g/ha).

Fonte: CCGL – Pesquisa e tecnologia

Autores:

  • Mario Antonio Bianchi, Doutor em Fitotecnia | Manejo de Plantas Daninhas Pesquisador CCGL | Pesquisa e Tecnologia e-mail: mario.bianchi@ccgl.com.br
  • Glauber Sturmer, Doutor em Agronomia | Pesquisador NUFARM
  • Junior Cesar Somavilla, Mestrando em Agronomia | UFSM

LITERATURA CONSULTADA

  • MONQUERO, P.A.; CHRISTOFFOLETI, P.J.; OSUNA, M.D.; DE PRADO, R.A. Absorção, translocação e metabolismo do glyphosate por plantas tolerantes e suscetíveis a este herbicida. Planta Daninha, V.22, p.445451, 2004.
  • KISSMANN, K. G. Plantas infestantes e nocivas. 2.ed. São Paulo: BASF,1997. Tomo I. 824p.
  • PENCKOWSKI, L.H.; ROCHA, D.C. Guia ilustrado de identificação e controle de espécies de trapoerabas. Castro: Fundação ABC, 2006. 50p.
  • RONCHI, C. P.; SILVA, A. A.; FERREIRA, L. R.; MIRANDA, G. V.; TERRA, A. A. Carfentrazone-ethyl, isolado e associado a duas formulações de glyphosate no controle de duas espécies de trapoeraba. Planta Daninha, v. 20, p. 103-113, 2002.
Texto originalmente publicado em:
CCGL TECNOLOGIA
Autor: Mario Antonio Bianchi - Pesquisador CCGL

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