A ocorrência de estresses hídricos pode contribuir significativamente para a redução da produtividade da soja, especialmente quando esses estresses ocorrem durante os períodos mais sensíveis da cultura. Aliado a baixa disponibilidade hídrica, condições ambientais de baixa umidade relativa do ar e elevadas temperaturas reduzem a incidência de algumas doenças fungicas na cultura da soja, levantando questionamentos quando a necessidade de se realizar a aplicação de fungicidas em soja nessas condições.

Dentre as principais e mais utilizadas moléculas de fungicidas no manejo de doenças da soja, podemos destacar as Estrobilurinas e as Carboxamidas. Além de atuarem no controle de doenças fungicas, o professor e pesquisador Marcelo Madalosso destaca que esses fungicidas podem trazer alguns benefícios fisiológicos para a soja, especialmente quando a cultura se encontra em condições de estresse hídrico.



As moléculas de estrobilurinas atuam de forma positiva sobre a fisiologia das plantas, através de aumentos da atividade da enzima nitrato redutase, níveis de clorofila e da redução da produção de etileno. Tais efeitos contribuem diretamente para que as plantas sofram menor estresse no campo, assegurando maior qualidade e rendimento de grãos (Jadoski, 2012).

Assim como as estrobilurinas, as carboxamidas podem provocar aumento no ponto de compensação de CO2, elevando a taxa de assimilação de CO2. Além disso, tanto carboxamidas quando estrobilurinas podem causar a redução na produção de etileno, que retarda a senescência das folhas, aumentando o período que a planta permanece com a fotossíntese ativa (Jacobelis Junior, 2020).

 Ainda que haja pouco conhecimento sobre o efeito fisiológico benéfico causado pelas carboxamidas, de maneira geral é possível observar efeito fisiológico positivo tanto com o uso de carboxamidas quando de estrobilurinas em condições de estresse hídrico. Com relação ao manejo e controle de doenças, algumas recomendações prevalecem para o uso desses fungicidas, em específico para o controle ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), onde segundo recomendações do FRAC-BR, todo o programa de controle deve ser inicializado de forma preventiva a ocorrência da doença.


Veja mais: Onde estão os primeiros casos de ferrugem-asiática da soja na safra 2021/22?


Assista o vídeo abaixo e confira o que o professor e pesquisador Marcelo Madalosso tem a dizer sobre o tema.


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Referências:

FRAC-BR. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DA FERRGEM ASIÁTICA DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas. Disponível em: < https://www.frac-br.org/soja >, acesso em: 03/01/2022.

JACOBELIS JUNIOR, W. ESTROBILURINAS E CARBOXAMIDAS NA FISIOLOGIA E NO MANEJO DE PINTA PRETA EM TOMATEIRO. Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, Campus de Botucatu, Tese de Doutorado, 2020. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/193250/jacobelis%20junior_w_dr_botfca.pdf?sequence=4&isAllowed=y#:~:text=2.4%20Efeitos%20fisiol%C3%B3gicos%20das%20estrobilurinas%20e%20carboxamidas&text=S%C3%A3o%20produtos%20de%20efeitos%20fisiol%C3%B3gicos,ou%20qualidade%20na%20produ%C3%A7%C3%A3o%20final. >, acesso em: 03/01/2022.

JADOSKI, K. J. EFEITOS FISIOLÓGICOS DA PIRACLOSTROBINA EM PLANTAS DE FEIJÃO (Phaseolus vulgaris L.) CONDICIONADO SOB DIFERENTES TENSÕES DE ÁGUA NO SOLO. Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp – Campus de Botucatu, Dissertação de Mestrado, 2012. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/handle/11449/86393 >, acesso em: 03/01/2022.

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