Toda safra de soja apresenta desafios, alguns deles são frequentemente conhecidos, como a deficiência hídrica, custo dos insumos, temperaturas baixas no início do período de semeadura, problemas com a ferrugem, dentre outros. Na safra 2018/2019 a grande preocupação foram os problemas encontrados no estabelecimento de plântulas. Verificou-se um período atípico de temperaturas baixas, inclusive temperaturas do solo bastante baixas (15 a 23oC – Santa Maria) para o período (15 de setembro a 15 de novembro), juntamente com isso em geral, as áreas possuíam elevada umidade do solo, favorecendo alguns patógenos de solo (Pythium spp. e Phytophthora spp).

O grande fluxo de semeaduras nas lavouras do Rio Grande do Sul foi de 15 de outubro a 15 de novembro, logo após esse período houveram chuvas intensas que podem ter contribuído para que as plântulas tivessem dificuldades na emergência. Outro problema é a qualidade das sementes utilizadas, não somente o que diz respeito aos aspectos de germinação e vigor, mas também os aspectos fitossanitários. Um conjunto de fatores que desencadeou uma morte de plântulas afetando sensivelmente a população de plantas.

A população e a distribuição de plantas na fileira de semeadura foi alterada não atingindo o objetivo do produtor. Observa-se na Figura 1 que a população, número de falhas e duplas foi elevado e o número de espaçamentos aceitáveis foi reduzido.

Figura 1. Distribuição de plântulas da cultivar Garra, representando espaçamentos falhos, duplos e aceitáveis, em lavoura comercial no município de Restinga Sêca, semeada em 16.11.2018.

A população de plantas deveria ser de 11 sementes por metro (Lavoura da Figura 1), porém com os condicionantes apresentados estabeleceram-se somente 5,65 plantas por metro linear. Com isso, verificou-se um número médio de espaçamentos falhos de 45%, duplos 21% e espaçamentos aceitáveis de 34%. A tomada de decisão frente aos prognósticos climáticos é a manutenção da lavoura sem a ressemeadura, esperando-se que a cultura compense, mesmo com 48% de redução da população. Por ser uma cultivar com hábito de crescimento indeterminado e o prognóstico climático indica precipitações acima da média, optou-se por não se realizar a ressemeadura, evitando-se custos adicionais, semeadura fora do período recomendado, novo risco de falhas bem como perdas produtivas em função da época de semeadura.

Nesse sentido, o número de plantas de soja e sua distribuição de plantas fica alterado em relação a um rápido e homogêneo fechamento do dossel de plantas na entrefileira. Com o aparecimento de falhas na fileira de semeadura, apresentam-se oportunidades para plantas daninhas emergirem e desenvolverem-se nos espaços deixados na cultura da soja.

Em geral, uma lavoura sem competição de plantas daninhas possui um manejo integrado, considerando as plantas de cobertura, aplicação de herbicidas pré-emergentes e aplicação de herbicida pós-emergente da soja. Várias estratégias são utilizadas, porém busca-se minimizar os custos e ampliar o manejo cultural que em geral contribui para redução dos custos.

 

Nas últimas semanas verificou-se temperaturas elevadas que antecederam precipitações que chegaram a mais de 170 mm em algumas regiões. Elevadas precipitações, temperaturas elevadas, desencadearam a emergência de plantas daninhas como a corda de viola, milhã e papuã (dentre outras). Que haviam sido controladas em um primeiro momento (V3 da soja) e em muitas áreas, mas como o fechamento da entrefileira não está ocorrendo de forma adequada essas plantas daninhas estão encontrando espaço para o seu desenvolvimento. Ocasionando assim uma competição intra-específica que pode apresentar complicadores e maiores repercussões na produtividade de grãos de soja.

Figura 2. Corda-de-viola (Ipomea sp.) em diversos estádios de desenvolvimento, emergência (a), primeira folha (b), início do crescimento acelerado (c) e alongamento do caule herbáceo (d).

Considerando o fluxo de emergência de plântulas daninhas (Figura 2), uma grande quantidade de espaços entrefileiras e a competição das plantas daninhas que pode reduzir em até 60% a produtividade de soja uma segunda aplicação de herbicida pós-emergente é necessária. Em uma segunda aplicação, deve-se observar quais as plantas daninhas e seu estádio, assim como as questões relacionadas a compactação do solo em aplicações tratorizadas, produtos e doses a serem aplicadas, assim como condições de temperatura e umidade para a aplicação.

Observa-se na Figura 3 as falhas deixadas pela ausência de plantas são ambientes em que as plantas daninhas se desenvolvem.

Figura 3. Desenvolvimento de plantas daninhas a partir de falhas na semeadura na cultura da soja.

Dessa forma, existem estimativas de perdas na safra de soja 2018/2019 e cada produtor deve maximizar o manejo da soja, para que as plantas daninhas não sejam problemas que agravem as perdas. A utilização de conhecimentos de tecnologia de aplicação, condições de aplicação, produtos, horário de aplicação e controle das plantas daninhas em estádios em que elas estejam mais susceptíveis são princípios adequados e que devem ser observados para redução de prejuízos.

              Autor:  Prof. Dr. Thomas N. Martin  – martin.ufsm@gmail.com

                               (55) 9 8111 3833

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