Autores: Erlei Melo Reis, Andrea Camargo Reis, Mateus Zanatta – Instituto AGRIS

Introdução

O Instituo Agris, tem recebido consultas, fotos e amostras de folhas de plantas de trigo com um ‘falso carvão’, assim descrito pela assistência técnica. Os esporângios são delicados (Fig. 2) e quando tocados se rompem liberando a massa de esporos negros lembrando o pó do carvão.

O mesmo quadro sintomatológico tem sido visto em feijão e soja, sendo muito comum em gramados no Rio Grande do Sul. Nos cursos de micologia (estudo dos fungos), estuda-se o grupo dos mixomicetos, considerados os ancestrais dos fungos.

São saprófitas e, portanto, não causam doenças em plantas.

Habitat: Esses microrganismos terrestres são encontrados em lugares úmidos, sombrios e frescos em troncos, galhos, folhas mortas apodrecidos e esterco. Com o sistema plantio direto, pelo aumento do acúmulo da matéria orgânica (palha em decomposição) sua presença é comum principalmente no sul do Brasil.

Nutrição

Os mixomicotas são cosmopolitas e microbívoros. Alimentam-se de bactérias, leveduras, esporos de fungos e outros microrganismos encontrados em ambientes úmidos.

Os mixomicetos possuem como principais características as formas que assume nas fases de seu ciclo de vida. O ciclo de vida é dividido em duas fases: a assimilativa e a reprodutiva.

Na fase assimilativa (ou vegetativa), não há presença de parede celular; as células ameboides estão sempre presentes (formando o plasmódio) e alguns grupos podem possuir células flageladas, sendo esses flagelos apenas do tipo chicote, localizados predominantemente na porção anterior da célula. uma película amorfa (plasmódio) de protoplasma multinucleada, que se movimenta lentamente por meio de pseudópodes.

Quando chega à maturidade, varia de uma forma pequena, multinucleada, ameboide de pouca motilidade ou então em forma de um grande protoplasma altamente móvel com uma rede de veias  e uma margem protoplásmica que se desloca continuamente. Todo o plasmódio é coberto por uma camada de muco deixando microtúbulos colapsados para trás. Sua cor frequentemente é amarela, ou alaranjada ou raramente de outras cores.

Quando na maturidade o plasmódio, desenvolvem estruturas de frutificação denominadas esporocarpos, que podem ser classificados de acordo com o formato em esporângio, corpo de frutificação semelhante ao dos fungos.

Por isso os Mixomicetos são considerados os ancestrais dos fungos [Caraterística de protozoários (animal) (plasmódio) e de fungos (esporângios)]

Sistemática – Reino Protista e a classe Myxomycetes.

Morfologia

Plasmódio. Apresentam uma fase assimilativa, quando se nutrem, ou somática (animal, tem movimento).

Figura 1. Plasmódio de Physarum. Direita: plasmódio numa placa de petri de 9 cm de diâmetro.

Esporângios. Fase reprodutiva, semelhante a fungo, com esporângios e esporos de paredes definidas. Frutificação (fungo). O protoplasma flui para cima formando o esporangióforo e na extremidade o esporângio;

Figura 2. Esporângios de Physarum.
  • Pedicelo ou pedúnculo;
  • Columela em Stemonitis;
  • Perídio: membrana delicada, calcária;
  • Base fina translúcida = hipotalo;
  • Capilício: Rede interna de hifas; importante na classificação;
  • Esporos.
Figura 3. Morfologia de mixomicetos

Locomoção

Na fase plasmodial se locomovem por pseudópodes (ameba = animal). apresentando movimento lento pelo pulsar das “veias”.

Coloração dos esporângios

Os esporângios apresentam várias cores e tonalidades. Incolor, branco, cinza, preto, violeta, azul, verde, amarelo, alaranjado e vermelho;

Principais gêneros

Physarum, o maior gênero de Myxomycetes, representando 20 porcento das espécies do Filo Mycetozoa (Myxomycetes). Physarum cinereum, forma um revestimento cinza em gramados sob alta umidade. Saprófita inofensivo e logo desaparece.

Frutificação do tipo esporângio com altura total variando entre 0,5 a 1 mm, esparsos a gregários e eretos.

  • Physarum – esporângios: 0, 3 a 0,5 mm de diâmetro.

  • Physarum, plasmodium – ver o ciclo de vida

  • Physarum em restos culturais de soja (Vacaria, RS, 18 de junho de 2020).

  • Physarum em restos culturais e em plantas de trigo (Imagem Eng. Agr.Maicon Matana).

  • Physarum em gramados, semelhante ao que está ocorrendo em trigo

  • Physarum em feijoeiro (Agra et al., 2018).

Gênero Stemonitis

Gênero Ceratiomyxa

Gênero Didymium

Gênero Lycogala

Gênero Tubifera

Gênero Hemitrichia

Gênero Diachea

Gênero Arcyria

Gênero Comatricha

Ciclo de vida dos mixomicetos

Imagem capturada na internet
Imagem capturada na internet

Referências

Agra, L.A.N..; Seixas, C.D.S.; José C. Dianese, J.C..  False bean smut caused by slime mold. Plant Disease, v. 102, n. 3, 2018.

Alexopoulos, C. J; Mims, C. W; Blackwell, M. Introductory Mycology., 4a ed., 1996. New York, John Wiley.

Calaça, F. J. S.; Araújo, J.C. Primeira ocorrência de Physarum notabile (Physaraceae, Physarales) para a Região Centro-Oeste, Brasil First record of Physarum notabile (Physaraceae, Physarales) for the Central-West Region, Brazil Rodriguésia 66(3): 881-885. 2015 http://rodriguesia.jbrj.gov.br DOI: 10.1590/2175-7860201566315

Farr, M. L. 1976. Myxomycetes. Flora Neotropica. Monograph 16. New York, New York Botanical Garden. Farr, M. L. 1960.

Gray, W. D., Alexopoulos, C. J. Biology of the Myxomycetes. Ronald Press Company. New York, 1968.

Silva. J.M.; Leite, C.; Rietjens, A.R.; Neves, P.R.; Decloquent, J.; Fonseca, R. S. A. Surtos epidêmicos de Physarium sp. em soja e outros hospedeiros. XL Congresso Paulista  de Fitopatologia. Instituto Agronômico – Campinas, SP. 8 a 9 de fevereiro de 2017.

Foto de capa: Divulgação – Instituto AGRIS

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