Buscou-se identificar o efeito da época de semeadura no NFN de cultivares com GMR variando de 3.9 a 8.3.

Autores: Isabela Bulegon Pilecco1, Alencar Junior Zanon1, Eduardo Lago Tagliapietra1, Kelin Pribs Bexaira1, Gean Leonardo Richter1, Patric Scolari Weber1, Eduardo Daniel Friedrich1, Francisco Tonetto1, Camila Coelho Becker1, Lúcio Gabriel Scheffel1, Juliano Dalcin Martins2 e Enrico Fleck Tura2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A soja (Glycine max (L.) Merril) é a leguminosa mais cultivada a nível mundial, tendência que se expressa também no Brasil, onde este grão é considerado a principal commodity agrícola. Sendo produzida no país cerca de 120 Mt do grãos por ano (USDA, 2018), com produtividade média de 3,3 t/ha (IBGE, 2018). O aumento de produtividade da cultura se deu devido ao uso de novas tecnologias, entre elas, cultivares com grupo de maturidade relativa (GMR) inferior a 7.0 (ZANON et al., 2015).

Zanon et al. (2015) apontam que fatores ambientais representam 80% da variação da produtividade na cultura da soja, tendo influência na duração do período vegetativo e número final de nós (NFN) da cultura (SETIYONO et al., 2011). Nesse sentido, a época de semeadura é uma importante prática de manejo para se conciliar condições adequadas de precipitação, temperatura, radiação solar e fotoperíodo, com estágios críticos da cultura (R1-R5), sem alterar significativamente os custos de cultivo (ZANON et al., 2018; MEOTTI et al., 2012).

O NFN é um dos indicativos da duração do ciclo, já que quanto maior o NFN, maior a duração da fase vegetativa e consequentemente a duração do ciclo (ZANON, et al., 2018). Em geral, segundo Zanon et al. (2018), o NFN na cultura da soja, quando se visa altas produtividades, pode variar de 12 a 35. Para cultivares que respondem ao fotoperíodo, o NFN, além de ser influenciado pela temperatura, também é dependente deste fator, que pode variar de acordo com a época de semeadura (SETIYONO et al., 2007). Dessa forma, buscou-se identificar o efeito da época de semeadura no NFN de cultivares com GMR variando de 3.9 a 8.3.

Para isso, realizou-se um experimento no ano agrícola 2017/2018 na área experimental do Departamento de Fitotecnia, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus de Santa Maria, localizada na Depressão Central do Estado do Rio Grande do Sul (latitude 29º43’S, longitude de 53º43’W e altitude de 95m). Com clima subtropical úmido (Cfa), segundo a classificação climática de Köppen e solo denominado Argissolo Vermelho distrófico arênico, unidade de mapeamento São Pedro (EMBRAPA, 1999).

As sete cultivares utilizadas e as oito épocas de semeadura estão descritas na tabela 1. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições. Cada parcela recebia um tratamento (cultivar) com área de 12,6 m² (4 m x 3,15 m), espaçamento entre linhas de 0,45 m. O manejo de adubação foi realizado de acordo com o ROLAS (2016), visando atingir produtividades de 6 ton ha-1. O controle fitossanitário foi realizado de acordo com as especificações para a cultura. As plantas não sofreram déficit hídrico, pois foi realizada irrigação suplementar sempre que necessário.

Tabela 1 – Grupo de maturidade relativa (GMR) das cultivares utilizadas no experimento e as datas de semeadura no ano agrícola 2017/18, em Santa Maria, Campus UFSM.

A avaliação de número de nós (NN) foi realizada semanalmente, em cinco plantas por parcela, sendo que é considerado um nó quando a folha associada a este nó não mais apresentar os bordos dos folíolos se tocando (FEHR e CAVINESS, 1977). O NFN foi considerado quando a planta estabilizou a emissão de nós.

Assim, foi possível verificar que o NFN e consequentemente a duração da fase vegetativa (ZANON et al., 2018), varia de acordo com a cultivar (GMR) e a época de semeadura. Para alcançar altas produtividades (6 ton ha-1), o NFN médio ideal é de 19 nós/planta (linha horizontal preta na figura 1)(Weber, 2017). Portanto, podemos observar na figura 1, que as cultivares mais precoces (GMR menor ou igual 5.5) alcançam o NFN próximo ao ideal em semeaduras a partir de 15 de outubro até 20 de novembro. Já as cultivares médias e tardias (GMR > que 5.5) alcançam NFN ideal em semeaduras desde metade de setembro até metade de janeiro.

Figura 1 – NFN em função da época de semeadura em cultivares de GMR variando de 3.9 a 8.3.

Ou seja, as cultivares apresentam NFN próximo ao adequado para altas produtividades quando a semeadura é realizada em épocas que proporcionam que a fase vegetativa da cultura ocorra em meses que apresentam temperaturas ótimas para o seu desenvolvimento, ou seja, próxima a 31°C (ZANON et al., 2018), bem como uma adequada incidência de luz solar (fotoperíodo). Isso porque o tempo de emissão de um novo nó está diretamente relacionado com a temperatura do ar e o fotoperíodo, influenciando assim na obtenção do IAF crítico, duração do ciclo até atingir R1 e na produção de grãos (STRECK et al., 2008 ).


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Assim, fica evidente a necessidade de levar em consideração a escolha de cultivares com GMR adequado para o local e data de semeadura prevista, pois, se sabe que o NFN é um componente secundário da produtividade da cultura da soja. Logo, se busca que o NFN esteja próximo aos 19 nós (ideal para altas produtividades), para que o NFN não seja um limitante da planta expressar o seu potencial produtivo.

Referências

CONAB. Boletim da Safra de Grãos. 2018. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos>. Acesso em: 28 de meio de 2018.

EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa Produções de informações, 1999. 412p.

FEHR, W. R. et al. Stage of development descriptions for soybeans, Glycinemax (L.) Merrill. Crop Science, v.11, p.929-931. 1971.

IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola. 2018. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/tabela/188>. Acesso em: 28 de maio de 2018.

MEOTTI, G. V., BENIN, G., SILVA, R. R., BECHE, E.; MUNARO, L. B. Épocas de semeadura e desempenho agronômico de cultivares de soja. Pesquisa agropecuária brasileira, Brasília, v.47, n.1, p.14-21, jan. 2012.

SETIYONO, T. D.; WEISS, A.; SPECHT, J. E.; BASTIDAS, A. M.; CASSMAN, K. G.; DOBERMANN, A. Understanding and modeling the effect of temperature and daylenght on soybean phenology under high-yield conditions. Field Crops Resarch, v. 100, p.257-271. 2007.

Informações dos autores:  

1Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Avenida Roraima, 1000, CEP 97105-900, Santa Maria – RS, Brasil.;

2Institudo Federal do Rio Grande do Sul – Campus Ibirubá.

Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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