Bicudo: velho problema, antigas soluções e eterna dependência de conscientização.

Na noite da sexta-feira, 07 de dezembro, com a presença de especialistas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, consultores, técnicos, gerentes de fazendas, mas poucos produtores rurais foi realizado pela Ampasul, o 7º Fórum do Bicudo.

O evento ocorreu no Campus Chapadão do Sul, da Universidade Federal e foi colocado à baila novamente a incidência do bicudo nas lavouras de algodão na região dos chapadões da tríplice fronteira agrícola entre os estados do MS, MT e GO, com preocupação nas demais grandes regiões produtoras do fio natural.

Segundo os especialistas que palestraram no fórum, o bicudo continua sendo a principal praga do algodoeiro, ataca da mesma forma, as técnicas de controle e mitigação continuam as mesmas. Poucas ou quase nenhuma novidade sobre o tema, mas destaca-se a constatação de que em anos com maiores índices pluviométricos na entressafra provocam aumento da incidência do bicudo na safra seguinte.

Diante desta constatação, a recomendação é que o armadilhamento em áreas em que serão implantadas as lavouras sejam devidamente armadilhadas para se conhecer o índice de infestação. Outra preocupação é em relação à plantas voluntárias, ou tigueras de algodoeiro em lavouras sucessoras como a soja, principalmente se na próxima safra for novamente implantado o algodão, nesse caso, a praga já estará instalada no talhão e as pulverizações de bordadura pouco efeito surtirão.

Recomendam os especialistas que ao ocorrer o amadurecimento da lavoura de soja, em áreas onde havia algodão, que seja aplicado inseticida específico para o bicudo. É fundamental que as ações de mitigação do bicudo, já conhecidas dos cotonicultores sejam devidamente aplicadas.

Antes mesmo de se iniciar a atual safra constatou-se o aumento da incidência do bicudo em níveis alarmantes, o que indica a possibilidade que tenha ocorrido descuido do setor na observância das medidas de prevenção e controle.

Controle em final de ciclo, destruição eficiente das soqueiras, obediência ao vazio sanitário, destruição de plantas voluntárias, frequência correta de monitoramento com número adequado de monitores treinados, uso de tecnologias de aplicações comprovadamente eficientes, são as principais ações que o cotonicultor deve observar.

O bicudo é uma praga que ataca exclusivamente o algodão, já é de amplo conhecimento e o seu controle depende muito da conscientização do produtor rural, consultorias e equipe técnicas das propriedades.

A continuidade da cultura, tão importante para a economia do País depende muito das pessoas envolvidas na atividade. Elas têm que acreditar na eficiência de produtos adequados, nas tecnologias de aplicações e seguir as demais recomendações de controle e mitigação.

Como resultado do 7º Fórum do Algodão, foi assinado o “Acordo de Cooperação Conjunta”, que estabelece regras que devem ser adotados na safra 2018/2019, pelos produtores e demais técnicos envolvidos e comprometidos no controle e combate da praga do algodoeiro.

O documento foi revisado em relação à safra anterior com a participação técnica das propriedades e instituições que se preocupam com a fitossanidade do algodoeiro nos estados de Mato Grosso do Sul (AMPASUL), Mato Grosso (AMPA e IMA/MT) e Goiás (AGOPA e FIALGO), contemplando novos critérios de acordo com os altos índices populacionais do bicudo nesta safra.

“O documento foi assinado, porém o resultado somente poderá ser positivo, se houver o comprometimento e a responsabilidade de todos os envolvidos em cumprir e fazer cumprir as regras que foram estabelecidas”, disse o Diretor Executivo da Ampasul, entidade promotora do Fórum.

Fonte: Ampasul (por Norbertino Angeli)

Texto originalmente publicado em:
Ampasul
Autor: Ampasul - por Norbertino Angeli

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