O cultivo da soja necessita de uma série de cuidados os quais são fundamentais para proporcionar condições adequadas para que a planta possa expressar seu potencial produtivo e reduzir as perdas de produtividade. Um dos manejos indispensáveis na produção da soja é o manejo de doenças, podendo essas doenças causar reduções significativas na qualidade e quantidade da produção.

Dentre a vasta gama de doenças que podem incidir sobre a cultura da soja, as doenças fungicas se destacam pela alta capacidade de infecção e severidade dos danos causados às plantas. Nos estádios iniciais do desenvolvimento da soja, a maior preocupação fica por conta das doenças de solo, entretanto, com o fechamento das entre linhas de cultivo, condições de elevada temperatura e umidade são criadas no interior do dossel da cultura, favorecendo o desenvolvimento de doenças fungicas, sendo uma das principais a mancha-alvo (Corynespora cassiicola).

Segundo Henning et al. (2005), o fungo causador da mancha-alvo pode ser encontrado em praticamente todas as regiões de cultivo, podendo sobreviver em resíduos culturas e/ou sementes infectadas. Condições de altas temperaturas e umidade favorecem a infecção de folhas. Dentre os principais sintomas da doença pode-se destacar o surgimento de lesões nas folhas da soja. Essas lesões começam como pontuações pardas com halo amarelado e evoluem para grandes manchas de coloração castanho.

Figura 1. Sintomas típicos de mancha-alvo em soja.

Foto: Maurício Stefanelo – Ceres Consultoria

Dentre as alternativas disponíveis para o controle da doença, a mais usual é a utilização de fungicidas. Segundo Ribeiro et al. (2019), tradicionalmente a preferência para a escolha do fungicidas é dada para fungicidas sistêmicos como os grupos químicos triazóis, metoxicarbamatos e metoxiacrilatos, sendo esses aplicados de forma isolada na maioria dos casos. Entretanto, os autores destacam que com o passar dos anos e a utilização sucessiva desses produtos, a eficiência desses vem sendo reduzida, sendo necessárias novas alternativas no combate a doenças da soja.



Uma das alternativas é a utilização de fungicidas protetores. Esses fungicidas atuam inibindo a germinação dos esporos dos fungos, impedindo que ocorra a infecção na planta, sendo assim, devem ser utilizados de forma preventiva e não curativa. Contudo a eficiência desses produtos depende de uma série de fatores, tais como a tecnologia de aplicação, a capacidade do produto de recobrimento da folha, e capacidade do produto em ficar aderido na folha, sua volatilidade entre outros.

Sendo assim, os fungicidas protetores desempenham papel fundamental no manejo de doenças da soja, conduto é necessário monitoramento da área de cultivo e aplicações que priorizem a prevenção das doenças em especial a mancha-alvo, para que os fungicidas possam expressar sua maior eficiência reduzindo a incidência e severidade das doenças na soja.

Uma alternativa interessante é a utilização de fungicidas protetores em conjunto com fungicidas sistêmicos, conforme avaliado por Souza & Vidal (2018) e Ribeiro (2019). Ambos os autores avaliaram a severidade da mancha-alvo e a área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) na cultura da soja utilizando fungicidas sistêmicos e protetores.

A severidade da doença foi avaliada em ambos os trabalhos com base Escala Diagramática sugerida por Soares et al. (2009).

Figura 2. Escala diagramática para avaliação de severidade da mancha-alvo da soja.

Fonte: Souza e Vidal (2018).

Conforme observado por Souza & Vidal (2018) e corroborado por Ribeiro et al. (2019), a aplicação de fungicidas sistêmicos e protetores em conjunto promove redução da severidade da mancha-alvo na soja, assim como a redução da área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD), suprimindo o desenvolvimento da doença, reduzindo a desfolha e em alguns casos apresentando relação significativa positiva para o incremento da massa de 1000 grãos.

Figura 3. Médias da Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) nos diferentes tratamentos. Jaboticabal, SP, 2015 (Souza & Vidal, 2018).

Occ – Oxicloreto de cobre; Trifloxis + Proti – Trifloxistrobina + Protioconazol; Azoxis + Cipro – Azoxistrobina + Ciproconazole; Fluxa + Pira – Fluxapiroxade + Piraclostrobina
Fonte: Souza & Vidal (2018).

Em ambos os trabalhos os autores observaram respostas significativa para o controle da mancha-alvo na associação de fungicidas protetores com sistêmicos, demonstrando que essa é uma ferramenta fundamental no controle da doença na cultura da soja e uma ótima opção, destacando a funcionalidade dos fungicidas protetores. Além disso, a associações favorecem a rotação de moléculas proporcionando um manejo mais adequado a resistência de doenças aos produtos.

Clique nos nomes dos autores a seguir e confira os trabalhos completos. Souza & Vidal (2018) e Ribeiro et al. (2019).

Veja também: Impacto dos fungicidas protetores na cultura da soja



Referências:

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2005.

RIBEIRO, F. C. et al. DESEMPENHO DE FUNGICIDAS PROTETOR E SISTÊMICOS NO CONTROLE DE MANCHA-ALVO (Corynespora cassiicola) EM SOJA.  Revista Agrotecnologia, Ipameri, v.10, n.2, p.100-114, 2019. Disponível em: <https://www.revista.ueg.br/index.php/agrotecnologia/article/view/8178/7198>, acesso em: 17/09/2020.

SOUZA, M. B.; VIDAL, R. L. FUNGICIDAS PROTETORES E SISTÊMICOS NO CONTROLE DE CORYNESPORA CASSIICOLAEM SOJA. Revista de Agricultura Neotropical, Cassilândia-MS, v. 5, n. 3, p.66-70, jul./set. 2018. Disponível em: <https://periodicosonline.uems.br/index.php/agrineo/article/view/2032>, acesso em: 17/09/2020.

 

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