A soja é uma das culturas de maior importância econômica mundial. No Brasil, a área cultivada apresentou acréscimo de 2,9% em relação à safra passada (Conab, 2018). No entanto, essa contínua expansão da cultura também vem acompanhada de problemas como fitopatógenos e pragas.

Dentre os patógenos, existem diversos tipos de nematoides com diferentes hábitos e hospedeiros. O Pratylenchus brachyurus possui grande destaque devido a sua polifagia, capacidade de produzir lesões nas raízes e sobrevivência em palhada dos hospedeiros. No Brasil, o P. brachyurus está presente praticamente em todas as fazendas produtoras de soja, provocando perdas de até 50%.

 Estudos mostram que a cada 82 indivíduos de P. brachyurus/g de raiz da soja ocorre a perda de 1 saca ha-1 na produtividade da cultura (Fachinni et al., 2012). Fungos do Gênero Trichoderma possuem característica de produzir uma enzima chamada quitinase, isto confere a estes a possibilidade de controle de alguns fitonematoides (Santin, 2008).



Em trabalho apresentado e publicado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 144, página 463 da sessão de Fitopatologia, realizado em Goiânia no ano passado, os autores ESSER, R; CAMPOS, M.S; TREVISAN, M; FERREIRA, M.G.C; IVANOFF, D; SILVA, M.S.G; CÁSSIA, R.S.J; CARVALHO, R.; ZALTRON, D.K; FERRO, H; FREIRE, E.S utilizaram o agente de biocontrole Trichoderma asperellum BV10 no manejo de populações de P. brachyurus, via tratamento de semente, na cultura da soja em campo e avaliaram a sua capacidade de aumento produtivo.

O trabalho pode ser acessado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 144, página 463 da sessão de Fitopatologia.

O experimento foi conduzido na Fazenda Fontes do Saber, na Universidade de Rio Verde (UniRV). A escolha da área levou em consideração talhões com baixas produtividades, em condições de plantio direto. Amostras de solos e raízes foram coletadas 30 dias após a semeadura da soja e levadas para o Laboratório de Fitopatologia da UniRV, para levantamento da população de P. brachyurus. Após a certificação de alta população na área, as plantas de soja já instaladas foram roçadas e a semeadura realizada na mesma linha da cultura anterior.

 A cultivar de soja utilizada foi a 71MF00 RRPRO. As sementes foram tratadas com o agente de biocontrole, T. asperellum BV10, na concentração de 1×1010 esporos viáveis/mL, nas doses de 0, 0,5, 1,0, 2,0 e 4,0 mL/Kg sementes. Como testemunha química utilizou-se o ingrediente ativo abamectina (Avicta 500 FS®) na dose 1,25 mL/Kg de sementes. As caldas totalizaram 6 mL por kg de sementes seguindo recomendações do MAPA.

Não houve diferença estatística entre os tratamentos na avaliação de espécimes de P. brachyurus no solo e de stand aos 7 e 14 DAE. Na avaliação de espécimes por grama de raiz, somente o tratamento de 1,0 mL de T. asperellum BV10/ Kg de semente diferiu estatisticamente da testemunha, com redução numérica superior a 70%. Quanto ao incremento produtivo, todos os tratamentos proporcionaram um aumento de sacos/ha, mas apenas as dosagens 1,0, 2,0 e 4,0mL de T. asperellum BV10/ Kg de semente de soja diferiram estatisticamente da testemunha.

Dessa forma, os autores concluíram que, em condições de campo, a utilização do agente de biocontrole Trichoderma asperellum BV10 no tratamento de sementes é uma ferramenta eficaz no manejo integrado de Pratylenchus brachyurus em plantas de soja e ainda oferece significativo aumento produtivo.

Nas figuras 1 e 2 abaixo pode-se observar os resultados obtidos peloas autores do trabalho.

O trabalho pode ser acessado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 144, página 463 da sessão de Fitopatologia.



Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

Foto de capa: Cristiano Bellé.

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