Autores: 1Samila Lopes, 2Ricardo Alexandre Corrêa da Silva, 3Virgínia Helena de Azevedo, 4Patrícia Helena de Azevedo, 5Lindgleice Mendes da Cruz, 6Karine Fernandes de Campos, 7Vinícius Gasparetto Penariol.

Introdução 

A cultura do milho (Zea mays) possui grande importância econômica e social. Econômica, devido seu valor nutricional e por sua ampla utilização, na alimentação humana e animal e como matéria-prima para a indústria. Social, por ser um alimento de baixo custo, e por sua ampla viabilidade de cultivo, em grande ou em pequena escala, além de ser a base de várias cadeias agroindustriais (Conab, 2014).

A base da alta produção por área de qualquer cultura está relacionada ao estabelecimento das plantas no campo, que por sua vez, depende do manejo racional e da qualidade das sementes utilizadas (Machado et al., 2001). As sementes de boa qualidade agregam atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários, sendo que essas características afetam sua capacidade de originar plantas e lavouras de alta produtividade (Popinigis, 1985).

Devido ao ganho genético na qualidade fisiológica de sementes de milho durante o processo de melhoramento (Gomes et al., 2000), é possível buscar características que possibilitem maior qualidade fisiológica, maior vigor e melhor desempenho das sementes e, por conseguinte, uniformidade na emergência para a produção das plantas em condições de campo (Pereira et al., 2008).

Os testes de vigor e de germinação auxiliam nas decisões internas das empresas produtoras de sementes quanto ao destino dos lotes, bem como quanto às prioridades de comercialização, de regiões de distribuição e de armazenamento (Vieira & Carvalho, 1994).

Tanto a germinação quanto o vigor caracterizam a qualidade fisiológica de sementes (Freitas & Nascimento, 2006; Souza et al., 2005).

Considerando os aspectos acima, objetivou-se com este trabalho avaliar a qualidade fisiológica de sementes relacionadas à germinação e vigor de sementes de milho cultivadas em Mato Grosso.

Metodologia 

O trabalho foi realizado no Laboratório de Recursos Genéticos da Faculdade de Agronomia e Zootecnia (FAAZ) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Foram utilizados seis cultivares de milho produzidos em Mato Grosso e doados por produtores e empresas, referentes a safra 2019/2020.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com seis tratamentos e quatro repetições. Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. As análises foram realizadas no programa SISVAR (Ferreira, 2008).

Os testes desenvolvidos relacionados à qualidade fisiológica das sementes dos genótipos de milho foram: 1. Teste de Germinação: utilizando-se quatro repetições de 50 sementes para cada tratamento. As sementes foram colocadas em papel germitest umedecido com água na proporção de 2,5 vezes a massa do papel seco. Os rolos de papel foram acondicionados em sacos plásticos e mantidos em germinador do tipo B.O.D. à temperatura constante 30°C, sendo a contagem total de sementes germinadas obtida após sete dias. Os dados foram expressos em porcentagem de plântulas normais. 2. Primeira contagem de germinação: foi realizada concomitante ao teste de germinação, sendo feita a contagem do número de sementes germinadas aos quatro dias. Os dados foram expressos em porcentagem. 3. Comprimento de plântulas: realizou-se conjuntamente ao teste de germinação, onde ao final de sete dias mediu-se o comprimento da raiz e parte aérea de 10 plântulas de cada repetição. Os dados foram expressos em cm. 4. Emergência em Leito de Areia: utilizou-se quatro repetições de 25 sementes para cada tratamento. As sementes foram dispostas em bandejas de polietileno, com areia esterilizada. Realizou-se a irrigação quando necessário, para manutenção de umidade favorável à germinação. Os dados foram expressos em porcentagem de plântulas normais, sete dias após a semeadura. Os testes foram realizados seguindo a regra para análise de sementes (Brasil, 2009).

Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão 

Os resultados da avaliação da qualidade fisiológica das sementes encontram-se na Tabela 2.

A primeira contagem de germinação das sementes coincidiu com a germinação final. Assim, sementes que germinam mais rápido e uniformes são consideradas como mais vigorosas.

A influência do vigor das sementes é importante sobre todos os aspectos do processo germinativo, desde a possibilidade de ocorrência da germinação, bem como na velocidade, e uniformidade, no total de germinação, no tamanho e na massa das plântulas (Carvalho & Nakagawa, 2000).

Houve pouca variação na germinação dos cultivares de milho com valores elevados para todos os materiais. As cultivares BRS 4103 e B2688 PWU apresentaram maiores médias apenas quando comparadas a B2612PWU. Os demais cultivares não apresentaram diferenças entre eles.

A porcentagem mínima de germinação para comercialização de sementes de milho é 85% (Mapa, 2013). Todos os genótipos avaliados apresentaram germinação acima dos padrões estabelecidos para a comercialização das sementes com valores elevados, assim como bom vigor.

Para comprimento de raiz e parte aérea de plântulas verificou-se que a variedade de milho BRS 4103 e o híbrido B2688PWV se destacaram nessas variáveis com maiores médias. Comprimento de plântulas também é considerado como teste de vigor, admitindo-se que plântulas maiores são mais vigorosas. Nakagawa (1999) afirma que o parâmetro comprimento médio de plântulas ou das suas partes para avaliação do vigor é obtido avaliando-se as plântulas normais.

Com relação a emergência das plântulas verificou-se que não houve diferenças significativas entre os cultivares. Os valores foram bem próximos aqueles obtidos no teste de germinação.

Segundo Scheeren et al. (2010) para o sucesso na semeadura é necessário, em grande parte, o uso de sementes que tenham alta qualidade. Para a produção de sementes de elevada qualidade, é preciso a adoção de um bom programa de controle de qualidade. O controle de qualidade de sementes de milho se destaca cada vez mais pela sua eficiência, o que torna crescente os investimentos nessa área em virtude da competitividade do mercado.

No presente trabalho foi verificado que os cultivares de milho, tanto a variedade quanto o híbrido convencional e os transgênicos expressaram boa qualidade fisiológica das sementes garantindo bom desenvolvimento das plantas no campo.

Conclusões 

Todas os cultivares apresentaram porcentagem de germinação acima do padrão exigido para comercialização das sementes de milho.

Os cultivares apresentaram excelente qualidade fisiológica das sementes expressos pela germinação e vigor.

Referências Bibliográficas 

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para Análise de Sementes. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Brasília, DF: Mapa/ACS, 2009. 398p.

CARVALHO, N. M.; NAKAGAWA, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção. Jaboticabal: FUNEP, 2000. 588 p.

CONAB (2014) Companhia Nacional de Abastecimento. Safras/Séries Históricas. Disponível em: <http://www.conab.gov.br>. Acessado em: 06/07/2020.

FERREIRA, D.; F. SISVAR: um programa para análises e ensino de estatística. Revista Symposium (Lavras), v. 6, p. 36-41, 2008.

FREITAS, R. A.; NASCIMENTO, W. M. Teste de envelhecimento acelerado em sementes de lentilha. Revista Brasileira de Sementes, v. 28, n. 3, p. 59-63, 2006.

GOMES, M. S.; VON PINHO, E.V.R.; VON PINHO, R.G.; VIEIRA, M.G.G.C. Efeito da heterose na qualidade fisiológica de sementes de milho. Revista Brasileira de Sementes, Londrina, v. 22, n. 1, p. 7-17, 2000.

MACHADO, J. C.; OLIVEIRA, J. A.; VIEIRA, M. G. G. C.; ALVES, E. M. C. Uso da restrição hídrica na inoculação de fungos em sementes de milho. Revista Brasileira de Sementes, v. 23, n. 2, p. 88-94, 2001.

MAPA. Instrução Normativa Nº 45, De 17 de Setembro de 2013. Publicado na seção 1 do DOU Nº 243 de 20.12.05. Disponível em: http://www.agricultura.pr.gov.br/arquivos/File/PDF/padroes_milho.pdf. Acesso em 02/07/2020.

NAKAGAWA, J. Testes de vigor baseado no desempenho das plântulas. In: KRZYZANOWSKI F. C, Vieira, R.D, França Neto, J.B. Vigor de Semente: Conceitos e teses. Londrina: ABRATES, 1999, p. 1-24.

PEREIRA, A.F.; MELO, P.G.S.; OLIVEIRA, J.P.; ASSUNÇÃO, A.; BUENO, L.G. Qualidade fisiológica de sementes e desempenho agronômico de milho doce. Pesquisa Agropecuária Tropical, v.4, n.38, p.249-261, 2008.

POPINIGIS. F. Fisiologia da semente. Brasília: AGIPLAN, 1985. 289 p

SCHEEREN, B.R.; PESKE, S.T.; SCHUCH, L.O.B.; BARROS, A.C.A. Physiological quality of soybean seeds and productivity. Journal of Seed Science, Londrina, v.32, n.3, p.35-41, 2010.

SOUZA, L. C. D. de.; CARVALHO, M. A. C. de.; BRAGA, L. F.; SOUSA, M. P. Qualidade fisiológica de sementes de arroz da região de Matupá-MT. Revista de Ciências Agro-Ambientais, Alta Floresta, v.3, p.110-116, 2005.

VIEIRA, R.D.; CARVALHO, N.M. (Eds.) Testes de vigor em sementes. Jaboticabal: FUNEP, 1994. 164p.

Informações sobre os autores: 

  • 1 Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: samilalopes54@gmail.com
  • 2 Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: correaricardoalexandre@gmail.com
  • 3 Professora Doutora, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: azevedovh@yahoo.com.br
  • 4 Professora Doutora, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: patriciaazevedo@ufmt.br
  • 5 Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: lind_mendes@outlook.com
  • 6 Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: karine_fernandescampos@hotmail.com
  • 7 Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: viniciusgpenariol@gmail.com

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