As projeções da CONAB indicam que a produção brasileira de milho deve crescer, na comparação entre as safras 2017/2018 e 2018/2019, saindo de 82 milhões para 96 milhões de toneladas, respectivamente.

E, para que a produção seja assegurada, questões sobre como amenizar os problemas decorrentes de estresse hídrico devem ser levadas em conta, já que em muitos locais é comum que hajam veranicos tanto em cultivo de milho quanto soja. Portanto, com o propósito de mitigar efeitos de deficit hídrico, o gesso agrícola vem sendo estudado como potencial para evitar perdas na produtividade de grãos.



Estudos mostram que é favorável a utilização de gesso na cultura do milho. Pesquisas feitas pela Embrapa em solos do Cerrado também atestam boas respostas a aplicação de gesso, onde os efeitos podem ser observados na própria safra em que o gesso foi aplicado. E embora antigos, dados da safra 2014/2015 mostram que o uso do gesso agrícola na cultura do milho na região do Cerrado gerou uma economia estimada de R$ 42,9 milhões.

Segundo alguns autores o gesso tem maior resposta sob condições de deficiência hídrica devido ao crescimento radicular que ocorre em maior proporção. E, outros estudos ainda afirmam que em locais precipitação regular de chuvas não se tem resposta a gesso, diferente do encontrado pelo estudo da UFG.

Em seu trabalho, pesquisadores da UFG através de experimentos constataram que o gesso aumentou a produtividade de grãos de milho (Figura abaixo), mesmo na ausência de déficit hídrico.

Considerações feitas pelos autores sobre o trabalho:

  1. O gesso agrícola aumenta os teores de Ca2+, redistribui o Mg2+ para as camadas de 10-20 cm e 20-40 cm e diminui os teores de Al3+ na camada de 20-40 cm.
  2. A aplicação de gesso e calcário em superfície aumenta a capacidade de troca de cátions, na camada de 0-10 cm de profundidade.
  3. O gesso agrícola aumenta a produtividade de grãos de milho e de soja, com resposta até a dose de 2 t/ha, com incrementos de 9,3 %, para o milho, e de 11,4 % e 11,3 %, respectivamente com e sem calcário, para a soja.

Outro trabalho, apresentado no 14º Encontro do Plantio Direto na Palha, traz dados sobre  a safra 2013/2014 em experimento de longa duração com plantio direto, em Guarapuava-PR. O trabalho mostra que a dose de máxima eficiência técnica foi de 7,05 Mg /ha de gesso, equivalendo a 10.160 Mg/ha de milho, 5,3% a mais do que os 9.620 Mg ha-1 obtidos sem aplicação do gesso.


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Traz também como resultado, que após cinco anos da aplicação do gesso, não há mais efeito do parcelamento sobre a produtividade, mas as doses de gesso continuam afetando significativamente o desempenho produtivo, o que deve ser levado em consideração em termos de diluição dos custos e estabilidade produtiva no sistema produtivo. Confira o trabalho completo clicando aqui.

Objetivando avaliar a relação produtividade do milho X gesso X calcário, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, observaram que a  dose de gesso combinada ao calcário (5,0 Mg ha-1 gesso + 2,0 Mg ha-1 calcário) resultou na maior produtividade de milho (Figura 2), produtividade a qual foi 9,92% superior que o tratamento testemunha, resultados semelhantes foram encontrados por Caires et al., (1999; 2011), Toma et al. (1999) e Farina et al. (2000).

O aumento mais relevante na produtividade do milho, possivelmente esta associado ao uso do calcário, entretanto, a combinação do gesso potencializou o efeito dos tratamentos afetando de forma positiva o desenvolvimento da cultura e consequentemente a produtividade de grãos.

Assim, a utilização do gesso para suprir a demanda de cálcio e enxofre demostra ser uma alternativa viável, contudo, é valido relembrar que o gesso não é um corretor de acidez do solos, função esta é ocupada pelo calcário. O uso de gesso combinado com calcário contribui para melhorar os atributos químicos do solo em profundidade. Confira o trabalho completo clicando aqui.


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Caires et al, em trabalho publicado na Rev. Brasileira de Ciência do Solo, em 2004, pesquisando as alterações químicas do solo e resposta do milho à calagem e aplicação de gesso obtiveram a seguinte resposta com o suso do gesso, na presença e ausência do calcário:

Os autores concluíram que:

  • A aplicação de doses de gesso aumentou a produção de milho, sendo o aumento médio de 5 % com a maior dose de gesso aplicada (9 t ha-1). O maior incremento na produção de milho com a calagem em comparação com o uso de gesso esteve relacionado com o efeito do gesso na lixiviação de Mg trocável no solo.
    A aplicação de gesso agrícola em combinação com a calagem ocasionou acréscimos na produção de milho da ordem de 17 %, mostrando ser uma estratégia eficiente para maximizar a produção de grãos. O aumento na produção de milho com a aplicação de calcário e gesso não foi ocasionado por alterações no crescimento do sistema radicular e esteve relacionado com o aumento da saturação por Ca nas camadas superficiais do solo. Confira o trabalho completo clicando aqui.

Para uso, sempre lembramos que é fundamental a realização de uma análise de solo e a orientação de um profissional capacitado.

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Técnica Mais Soja 

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