A maioria dos solos brasileiros são naturalmente ácidos, bem como apresentam baixa fertilidade natural. E, em alguns casos a resposta das culturas ao gesso se dá devido ao fornecimento de Ca e S via gesso, em outros ocorre porque o gesso acaba por diminui a saturação por Al em profundidade, isso devido ao incremento no teor de Ca, aliviando o efeito tóxico desse elemento.

Muitas dúvidas pairam sobre o papel do gesso frente ao solo, e para isso o Professor Tales, da UFRGS nos esclarece algumas dúvidas à cerca do assunto:

Gesso e calcário, em que situação eu uso um ou o outro?

Ambos são fontes importantes de Ca e podem ser utilizados para fornecer esse nutriente para as plantas. Além disso, o calcário tem efeito corretivo, aumentando o pH do solo. Com o aumento do pH há maior disponibilidade de nutrientes como P, Ca, Mg, K, Mo, S entre outros, além disso, o Al3+ é neutralizado em pH acima de 5,5. Já gesso não altera o pH do solo, mas devido ao incremento de Ca que ocorre com a aplicação desse condicionar, há uma redução na saturação e toxidez por Al. Quando usar um e outro vai depender do objetivo que se busca.

Como saber se um gesso é de qualidade? 

A qualidade do gesso pode ser avaliada pela concentração de Ca e S, e pela sua solubilidade, informações disponibilizadas pelos fornecedores. Sendo a aplicação uniforme e na dose recomendada.

Alguns estudos sobre gesso e soja indicam resposta positiva e outros neutra. Em quais casos haverá incrementos na produtividade de soja?

Uma meta-análise sobre o uso de gesso em solos sob PD na América do Sul (Pias et al. 2019) com resultados de mais 35 artigos científicos, 4 dissertações de mestrado e 4 teses de doutorado referentes ao período de 1996 a 2018, perfazendo 129 cultivos, demonstra que a soja apresenta resposta ao gesso agrícola em 2 situações:

i) quando há déficit hídrico e saturação por Al>10% na camada de 20-40 cm, e

ii) quando não há déficit hídrico e saturação por Al>40% na camada de 20-40 cm.



Quais são as principais vantagens obtidas com o uso de gesso agrícola?

1. Aumento dos teores de Ca e S
2. Diminuição da saturação por Al e aumento da saturação por bases em profundidade o que pode aprofundar o sistema radicular.

Também buscamos algumas pesquisas a cerca da utilização de gesso:

A resposta quanto ao incremento gerado na produtividade de soja em função da aplicação de gesso tem sido motivo de vários estudos. Um caso a ser aplicado nesta afirmação, é o trabalho que foi publicado na Revista Agrogeoambiental, onde o objetivo deste estudo foi verificar a influência de doses de gesso agrícola no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da cultura da soja.

Com base na análise de variância (Tabela 3), observou-se que as variáveis altura de planta, altura da primeira vagem, número de nós, número de vagens por planta, massa de 100 grãos e produtividade foram influenciadas de forma significativa pelas doses de gesso agrícola aplicadas na cultura da soja, entretanto, o diâmetro do caule não sofreu influência.

A produtividade foi fortemente influenciada pelas doses de gesso agrícola aplicadas em superfície no solo, partindo de 985,00 kg/ha na dose zero para 3.422,25 kg/ha na melhor dose, de 2 t/ha (Figura 6), incrementos de cerca de 250 % a mais na produtividade.

A conclusão deste trabalha traz como dado a resposta positiva de soja à aplicação de gesso agrícola em superfície do solo, onde a dose de 2 t/ha promoveu o melhor desenvolvimento das características agronômicas e produtivas. A produtividade máxima de soja observada foi de 3.422 kg/ha de grãos.


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Outro trabalho sobre gesso e soja, foi realizado por pesquisadores da UDESC, estes que  buscaram avaliar o efeito da aplicação de gesso e níveis iniciais de P sobre a produtividade da soja (NIDERA 5909). Resultados desta pesquisa mostram que:

  • O rendimento de soja aumentou de maneira quadrática em relação aos níveis iniciais de P aplicados, com o maior rendimento sendo obtido com a dose de 123,3 kg P2O5/ha (Fig. 1). Os rendimentos obtidos ficaram abaixo da média brasileira, que gira em torno de 3,3 Mg/ha. Pode-se atribuir esse baixo rendimento à data de semeadura, realizada fora da época preferencial, favorecendo o ataque de doenças e pragas, mesmo sendo uma cultivar classificada como superprecoce.

  • No que se refere ao rendimento da cultivar de soja em função do manejo do gesso implantado (Fig. 2), pode-se observar que a aplicação de gesso apresentou incremento de 267 kg/ha na produtividade, representando 11,4 % a mais em relação à condição sem adição do produto. Esse incremento pode ser atribuído ao possível maior desenvolvimento radicular promovido pela adição de gesso, acarretando assim em um maior aproveitamento dos nutrientes disponíveis e maiores nodulação e fixação de N.


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Resultados advindos da pesquisa realizada por vinculados a Universidade Luterana do Brasil, mostraram a influencia da aplicação de calcário e gesso tanto no desenvolvimento de plantas quanto na produtividade de grãos na cultura da soja.

É valido a observação dos parâmetros químicos em que o solo se encontrava antes do experimento, e também que o plantio ocorreu cerca de 50 dias após a aplicação dos referidos produtos.

Resultados obtidos:

  • Verifica-se que não houve efeito significativo entre os tratamentos para as variáveis, altura de plantas, número de vagens por planta, número de grãos por vagem, número de grãos por planta, diâmetro do caule e massa de 1000 grãos. Provavelmente, em função do período mínimo requerido para efetiva reação dos produtos corretivos e/ou condicionadores dos atributos fisicoquímicos do solo (período mínimo de 90 dias para plantio).
  • A aplicação de gesso influenciou positivamente na produtividade da cultivar de soja BRS 284 uma vez observado a ocorrência de longos períodos de estiagem durante o desenvolvimento da cultura, visto abaixo na Tabela 5.

  • A aplicação de calcário na soja não influenciou o desenvolvimento de plantas, no que se refere à altura de plantas, quantidade de vagens por planta, número de grãos por vagem, número de grãos por planta, diâmetro do caule e massa de 1000 grãos em períodos de até 130 dias após a aplicação.

Como mencionado, os resultados são variados, portanto trouxemos alguns resultados que mostram incremento para estimular produtores e técnicos a buscar mais informações e dados sobre o tema, mas para isto é muito importante que o produtor invista em uma analise de solo, e tenha um profissional consigo para melhores decisões. Como visto, há situações com excelentes resposta, basta ver se é o caso de sua lavoura.


 

Contribuição Bibliográfica: Tales Tiecher – Eng. Agrônomo, Doutor em Ciência do Solo, Professor de Química do Solo, Departamento de Solos, Faculdade de Agronomia, IRGEB, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Você pode conferir também vídeo: Calagem X Gessagem

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

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