Como já foi mencionado diversas vezes em momentos e artigos anteriores, o seguro rural é um instrumento de transferência de risco moderno e um dos mais confiáveis para o agronegócio. No entanto, este mercado ainda passa por uma série de dificuldades de desenvolvimento e penetração de produtos e não podemos apenas colocar isso na conta do governo.

Outros agentes deste mercado devem contribuir para o desenvolvimento sustentável do mercado de seguro rural privado com o auxílio do governo. A contribuição pode ser desde ponto de vista da estruturação do programa de subvenção ao prêmio do seguro rural (PSR) até a difusão de conceitos e práticas de gestão de riscos na agricultura para universitários.

Uma importante parceria entre esses três agentes (Governo, Mercado e Instituições de pesquisa) contribuiria, e muito para reduzir a falta de conhecimento sobre o funcionamento deste tipo de seguro, sobre suas vantagens e desvantagens.

Uma discussão igualitária com a participação de técnicos do ministério e das secretarias de agricultura, representantes dos produtores rurais, seguradoras e resseguradoras, além das principais instituições de ensino envolvidas com o tema, pode propor soluções inovadoras. Um trabalho em conjunto, com uma coordenação e interesse mútuo, gera discussões que agregam valor.

Um dos problemas, que vejo neste mercado em nosso país, é justamente o conflito de interesse de agentes que trilham caminhos diferentes para um mesmo objetivo: tornar o seguro rural a principal ferramenta de gestão de riscos para a agricultura com uma parceria público-privada consistente. Porém os percursos de cada agente se limitam ao invés de se completarem e avançarem.



O governo, através do MAPA que rege o PSR, visa atender um maior número de produtores rurais sem grandes investimentos. Por outro lado, observamos seguradoras criando produtos apenas para atender as necessidades dos produtores via “sistema” de venda calcado na subvenção, na qual nem sempre está 100% garantida para execução dentro do orçamento do governo. Por fim, os centros de pesquisa e universidades que nem se quer transmitem para os alunos que existe seguro rural e que pode ser uma grande ajuda ao agricultor.

Se tivéssemos um movimento ou órgão organizado, que reunisse todos, ou seja, governo, seguradoras, universidades e produtores para que definissem os objetivos em comum, desde o culturamento do seguro até a criação de novos produtos, aí sim, iniciaremos a ter um mercado com futuro promissor.

Caso contrário, ficaremos estagnados num mercado em que aproximadamente 70% se concentra em uma seguradora e o resto disputa as outras fatias do pedaço de bolo que sobraram, neste caso, o volume de subvenção.

Fonte: Henrique Tresca – Fundador do Portal Seguro Rural


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Texto originalmente publicado em:
Portal Seguro Rural
Autor: Henrique Tresca

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