Autores: Eveline Ferreira Soares1; Claudir José Basso2; Mateus Junior Rodrigues Sangiovo3; Álex Theodoro Noll Drews4; Fernanda Marcolan de Souza5; Eduarda Vargas de Souza Leandro6; Taylene Borges da Silva Marinho7

Introdução 

O milho pipoca (Zea mays L. everta) é caracterizado por apresentar algumas características que o diferencia do milho comum, como o menor tamanho dos grãos e a capacidade de expandir quando submetidos a uma temperatura equivalente a 180º C. No Brasil, a maior produção e área cultivada está no estado do Mato Grosso, chegando a 66.986 hectares durante a safra 2018/2019 (Kist et al., 2019). O Rio Grande do Sul tem contribuído na produção nacional de milho pipoca, com perspectiva de aumento sobre as áreas de cultivo no estado durante os próximos anos, principalmente pela valorização no preço pago pela unidade produzida quando comparado ao milho comum.

Assim se faz necessário estudos que busquem melhorar as práticas agronômicas de manejo para a cultura na região, sendo mais assertivo sobre o posicionamento de cada híbrido de milho pipoca. A densidade de plantas está dentre as práticas de manejo importantes com impacto sobre a produtividade de grãos, pois influência sobre a eficiência na interceptação e o uso de radiação solar disponível as plantas. Assim a recomendação sobre o estande de plantas ideal de uma lavoura e para determinado híbrido, maximiza os componentes primários de produtividade, como o número de espigas por área, número de grãos por espiga e o peso final de grãos (SANGOI, luís et al., 2019).

A hipótese que fundamenta o estudo é que existe uma melhor densidade de plantas para cada híbrido quando se busca alta produtividade. Assim o objetivo do trabalho foi verificar o efeito de diferentes densidades de planta sobre a produtividade de grãos de dois híbridos de milho pipoca na região noroeste do Rio Grande do Sul.

Material e Métodos 

O estudo foi conduzido durante a safra 2019/2020 na área experimental do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais da Universidade Federal de Santa Maria, Campus de Frederico Westphalen – RS (27º 23′ 51″ S e 53º 35′ 19″ W), clima subtropical úmido “Cfa” classificado segundo Köppen, com precipitação média anual de 1.881 mm, temperatura média de 19,1°C e altitude de 490 m. A área vinha sendo manejada sobre sistema de plantio direto, que antecedendo a semeadura do experimento houve o cultivo de aveia preta (Avena strigosa Schreb), como cobertura de solo. Para a adubação na base utilizou-se 120 kg ha-1 de super fosfato triplo distribuído com semeadora composta por 6 linhas no espaçamento de 0,45 cm.

O experimento foi de blocos casualizados em esquema fatorial (2 x 5), sendo dois híbridos de milho pipoca (H 4512 e H 8203) e cinco densidades (45, 60, 75, 90 e 105 mil plantas ha-1), com quatro repetições. Cada parcela teve as seguintes dimensões, 5 m de comprimento por 2,25 m de largura, totalizando uma área de 11,25 m2. A semeadura foi realizada em 11/09/2019 de forma manual deixando 2 sementes agrupadas por cova e que após a emergência e o estabelecimento realizou-se o releio mantendo a população desejada. Após a semeadura aplicou-se a lanço 150 kg ha-1 de cloreto de potássio e sobre a linha de semeadura 30 kg ha-1 de nitrogênio. Durante os estádios fenológicos V4 e V6 efetuou-se a aplicação de nitrogênio a lanço, na dose de 85 kg ha-1 em cada uma das aplicações. Para o manejo de plantas daninhas, pragas e doenças seguiu-se a recomendação para a cultura do milho do Rio Grande do Sul (Embrapa, 2017).

A área útil para avaliação correspondeu a 4,05 m2, mantendo as 2 linhas laterais e 1 m de cada extremidade como bordadura. Para avaliação da produtividade de grãos, efetuou-se a colheita de forma manual bem como a debulha de cada espigas da parcela com pesagem dos grãos e determinação da umidade corrigida para 13%. Os dados foram submetidos a análise variância (ScottKnott) a 5% de probabilidade de erro e o efeito da densidade de plantas foi analisado por meio de regressão com o programa estatístico SISVAR 5.6.

Resultados e Discussão 

Na (Tabela 1) se observa que as diferentes densidades de planta e híbridos estudados diferem estatisticamente sobre a produtividade final de grãos. Para o híbrido (H 4512), analisando os dados se observa um aumento na produtividade final de grãos com o aumento da densidade de plantas, chegando ao ponto de máxima produtividade quando utilizado 90.000 plantas por ha-1 (145.66 sc ha-1). Já a menor produtividade de grãos (79.95 sc ha-1) é observada na densidade de 45.000 plantas por ha-1. Assim, o H 4512 demonstra que o aumento na densidade de plantas potencializa a produtividade final de grãos, mesmo havendo maior competição entre as plantas por água, luz e nutrientes. Se trabalharmos a média entre a menor densidade utilizada e a densidade ótima encontrada para o H 4512, a cada incremento de 1.000 planta por ha-1 se observa um incremento de 87 kg ha-1 em produtividade. (STIPP, Oelcio José, 2016), identificou em seu estudo uma tendência linear sobre o rendimento de grãos a medida em que se aumenta a densidade de plantas, demonstrando que esses novos híbridos de milho pipoca, possibilitam a utilização de elevada densidade de plantas com incremento na produtividade final de grãos.

Para o híbrido (H 8203), a densidade de 75.000 plantas por ha-1 foi a que proporcionou a maior produtividade de grãos (158.97 sc ha-1) sendo a menor produtividade (127.06 sc ha-1) observada para densidade de 60.000 plantas ha-1. Comparando as diferentes densidades estudadas para o híbrido 8203, observa-se que a variação existente sobre a produtividade de grãos não demonstra ser tão expressiva. Mas trabalhando a diferença entre a menor e a maior produtividade de grãos encontrada, a cada incremento de 1.000 plantas ha-1 há um aumento de 127 kg ha-1. Na (Tabela 1), se observa para a média das diferentes densidades de planta e híbridos estudados, que a maior produtividade de grãos foi alcançada com o H 8203 (143.38 sc ha-1), enquanto que para o H 4512 essa foi menor (111.55 sc ha-1), o que nos permite inferir que o hibrido 8203 é mais responsivo e de maior estabilidade quanto a densidade de plantas no comparativo ao hibrido 4512 na produtividade final de grãos.

Conclusão 

Para o H 4512, a maior produtividade final de grãos foi observada para a densidade de 90 mil plantas ha-1 enquanto que para o H 8203 essa foi obtida na população de 75 mil plantas ha-1.

Na média para as diferentes densidade de planta estudadas, o híbrido (H 8203) demonstrou superioridade na produtividade final de grãos de milho pipoca na região noroeste do Rio Grande do Sul.

Referências 

Embrapa, EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA E AGROPECUÁRIA. Indicações Técnicas para o Cultivo de Milho e de Sorgo no Rio Grande do Sul safras 2017/2018 e 2018/2019. 1 ed. Brasília: EMBRAPA-SPI, 2017. 209 p.

Kist, B. B et al., (2019). Anuário brasileiro do milho 2019. Santa Cruz do Sul: Editora Gazeta Santa Cruz.

SANGOI, LUÍS et al. ESTRATÉGIAS DE MANEJO DO ARRANJO DE PLANTAS VISANDO OTIMIZAR A PRODUTIVIDADE DE GRÃOS DO MILHO. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v. 18, n. 1, p. 47-60, 2019.

STIPP, Oelcio José. Desempenho agronômico do híbrido de milho pipoca IAC 125 submetido a diferentes densidades de plantas e lâminas de água. 2016.

Informações sobre os autores:

  • 1 Mestranda pelo Programa de Pós Graduação Agricultura e Ambiente, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen /RS. E-mail: soares.eveline@yahoo.com
  • 2 Professor Dr. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen/RS. E-mail: claudirbasso@gmail.com
  • 3 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen/RS. E-mail: mateus.sangiovo03@gmail.com
  • 4 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen/RS. E-mail: alex@srd-agil.com
  • 5 Mestranda pelo Programa de Pós Graduação Agricultura e Ambiente, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen /RS. E-mail: fernanda22ms@gmail.com
  • 6 Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen/RS. E-mail: dudavargas15@gmail.com
  • 7 Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Frederico Westphalen/RS. E-mail: tayleneborges@gmail.com

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