O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da rotação com soja na produtividade de arroz irrigado em lavouras de arroz no Rio Grande do Sul.

Autores: Isabela Bulegon Pilecco¹; Francisco Tonetto²; Lucas Adílio Sari³; Gilmara Peripolli Tonel4; Luiza Brum Rodrigues5; André Müllich6; Alex Maquiel Klein7.

Introdução

Atualmente, é fundamental identificar alternativas de intensificação agrícola que possam elevar a produtividade das culturas, reduzindo o impacto ambiental e garantindo a lucratividade. A intensificação da produção de arroz, por exemplo, pode se dar por meio da introdução da soja na rotação de culturas, uma vez que, não há dúvida, de que a alternância de arroz irrigado com soja, impacta positivamente na sustentabilidade dos agroecossistemas em terras baixas (Hokazono & Hayashi, 2015).

No entanto, o cultivo de soja em áreas de terras baixas é um desafio para os agricultores, devido, principalmente, a problema de solo, pH e drenagem, uma vez que, nessas áreas, o pH normalmente é baixo, sendo inferior a 5,5, e o solo é pobre em nutrientes, como nitrogênio, potássio, fósforo, cálcio e magnésio (Pollet et al., 2019). Com o advento da soja em terras baixas, os agricultores passaram a ter um retorno econômico positivo, bem como, uma relação custo-benefício satisfatória, após o sistema soja-arroz já estar consolidado.

Estudos anteriores sobre a rotação de culturas, utilizando soja e arroz, mostraram o efeito positivo de resíduos de culturas no solo (Pollet et al., 2019), redução na emissão de gás metano e efeito da rotação de culturas sobre a densidade de plantas daninhas (Cox & Gerard 2010). Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da rotação com soja na produtividade de arroz irrigado em lavouras de arroz no Rio Grande do Sul.

 

Material e Métodos

Foram coletados dados de produtividade e manejo de produtores de arroz do estado do Rio Grande do Sul ao longo de três anos (2016, 2017 e 2018), através de questionários aplicados por extensionistas do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) e por alunos do curso de agronomia da Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal do Pampa – campus Itaqui e Universidade Federal de Pelotas.

Os produtores foram solicitados a relatar a produtividade média das lavouras semeadas com arroz, em cada ano. Os dados solicitados incluíram, também, a localização da lavoura, produtividade média (13% de umidade da semente de arroz), manejo de culturas (data de semeadura, safra anterior de verão, controle de plantas daninhas pré semeadura), insumos aplicados (fertilizante, fungicidas, herbicidas, inseticidas), e incidência de adversidades bióticas e abióticas (insetos, doenças, plantas daninhas, geada).

Todas as lavouras onde foram coletas informações estavam localizadas em terras baixas, onde o arroz é cultivado no sistema de irrigação por inundação no RS. Os dados da pesquisa foram inseridos em um banco de dados digital e selecionados para remover entradas de dados errados ou incompletos.

Buscou-se a variação da produtividade em relação aos fatores de manejo, portanto, algumas lavouras, com produtividade extremamente baixa, devido à incidência de adversidades incontroláveis no local de produção, foram excluídas das análises. Após o controle de qualidade, o banco de dados abrangia um total de 324 lavouras (98% do total de lavouras pesquisadas). Verificou-se que a rotação soja-arroz ocorre em 33% do total das lavouras estudadas.


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Resultados e Discussão

O principal problema do sistema de rotação de culturas nas áreas de várzea é a falta de culturas que se adaptam a períodos de inundação. Assim, verificou-se que a rotação soja-arroz foi o sistema de rotação de verão mais promissor para essas áreas. O benefício mais importante da adesão deste sistema foi o aumento de 20% na produtividade de grãos de arroz, quando comparado a lavouras em monocultivo de arroz (Figura 1).

Figura 1. Comparação da produtividade média de arroz irrigado em lavouras com rotação soja-arroz versus arroz-arroz. Foram analisadas 324 lavouras na região produtora de arroz no Rio Grande do Sul.

Um dos principais objetivos da rotação soja-arroz é o controle de plantas daninhas, como o arroz vermelho (Oryza sativa) e capim-arroz (Echinochloa crusgalli). A rotação com soja permitiu um melhor controle de plantas daninhas nas lavouras de arroz proporcionando um ganho em produtividade de arroz de 7%. Além disso, verificou-se que os produtores de arroz que estão fazendo a rotação com a soja, estão conseguindo reduzir a quantidade de nitrogênio aplicado nas lavouras em 4%.

Isso, devido aos benefícios de adotar uma leguminosa no sistema, que desempenha um papel fundamental para a melhoria da matéria orgânica do solo (Schwenke et al., 2002) e pode ser a fonte de 30-75% do N total mineral acumulado (Evans et al., 2003). Neste estudo, os resultados mostram a importância da rotação de culturas em áreas de arroz irrigado, podendo aumentar os nutrientes do solo, controlar planta daninha, aumentar a produtividade do arroz e diminuir o custo de produção dos orizicultores do RS.

Conclusão

A rotação soja-arroz pode aumentar em 20% a produtividade média de arroz no RS e gerar mais lucro ao produtor.

Referências

COX, M. S. & GERARD, P. D. Changes in yield classification in a soybean-rice rotation. Precision agriculture, 11(5): 507-519, 2010.

EVANS, J., SCOTT, G., LEMERLE, D., KAISER, A., ORCHARD, B., MURRAY, G.M. & ARMSTRONG, E.L. Impact of legume ‘break’ crops on the residual amount and distribution of soil mineral nitrogen. Australian Journal of Agricultural Research, 54: 763-776, 2003.

HOKAZONO, S. & HAYASHI, K. Life cycle assessment of organic paddy rotation systems using land- and product-based indicators: a case study in Japan. The International Journal of Life Cycle Assessment, 20(8): 1061-1075, 2015.

POLLET, C. S.; SILVA, L. S. D.; CHAVES, B.; ROSA NETO, L.; DOSSIN, M. F.; GIACOMINI, S.
J. & CARGNELUTTI FILHO, A. Influence of summer crop residues on 15N present in organic matter fractions under two lowland soils. Ciência Rural, 49(4), 2019.

SCHWENKE, G.D.; FELTON, W.L.; HERRIDGE, D.F.; KHAN, D.F. & PEOPLES, M.B. Relating particulate organic matter-nitrogen (POM-N) and non-POM-N with pulse crop residues, residue management and cereal N uptake. Agronomy, 22: 777-788, 2002.

Informações dos autores

Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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