A safra de soja para 2018/2019 terá redução na sua produção, isso por que a falta de chuva, aliada a temperaturas elevadas estão impactando diretamente o desenvolvimento da cultura em praticamente todas as regiões produtoras do grão. Segundo levantamentos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) o Brasil produziu na última safra aproximadamente 119 milhões de toneladas de soja, um acréscimo relativamente significativo de 4,6%, quando comparado ao ano anterior onde a produção nacional foi de 114 milhões de toneladas.

Os sojicultores que esperavam bons resultados na produção da cultura, estão se deparando com situações, onde a falta de chuva ou a sua irregularidade em determinadas regiões ameaçam a produtividade das lavouras semeadas mais cedo, ou seja, o tempo seco e quente mostram sinais de interferência na cultura que neste período se aproximam da fase de enchimento de grãos.



A produção de soja brasileira nesta safra poderia bater novos recordes nas lavouras, onde seriam produzidas mais de 120 milhões de toneladas, porém, atualmente o que se observa para a safra 2018/2019 é uma redução na produção nacional de soja que podem variar de 3 a 8 milhões de toneladas.

Segundo a Conab, em seu último levantamento para a safra 2018/2019, realizado em dezembro de 2018, os principais estados produtores de soja teriam acréscimos na sua produção, quando comparados com o último ano. Entretanto, a Companhia também estimou perdas de produção devido à estiagem de chuvas em importantes estádios de desenvolvimento da cultura:

Gráfico 1 – Estimativa de produção para os cinco principais estados brasileiros, com e sem a redução, comparando a última safra com os as perspectivas de produção para esta safra.

O estado de Mato Grosso terá queda de 5 a 10% na produção, ou seja, uma queda de 2 milhões de toneladas considerando uma redução média 7%. Paraná é o estado brasileiro que apresentará o maior decréscimo na produção, cerca de 30% do total, deixando de produzir quase 6 milhões de toneladas neste ano. Já o Rio Grande do Sul, é o estado que irá apresentar o menor porcentual de perdas, com 3%, apresentando redução de 550 mil toneladas. Mato Grosso do Sul e Goiás, apresentam perspectivas de perdas na produção com redução esperada de 20 e 15%, respectivamente.

Temperatura do ar, fotoperíodo e disponibilidade hídrica, completam um conjunto de três elementos climáticos que mais interferem no desenvolvimento da soja, sendo este último o que mais afeta o enchimento de grãos da cultura. A soja possui dois períodos críticos bem definidos em relação a falta de água, o primeiro entre a germinação à emergência e, o segundo, durante o enchimento de grãos, sendo este último o momento em que a necessidade de água da planta atinge o seu máximo (7 a 8mm/dia).

O ideal durante o ciclo de desenvolvimento da soja é que se tenha entre 500 a 800 milímetros de chuva, preferencialmente bem distribuídos ao longo do ciclo da cultura para que se tenha o máximo aproveitamento dessa pluviosidade. Em casos de déficit hídrico, o ideal seria utilizar algum sistema de irrigação, porém, devido ao seu alto custo de implantação e manutenção, estes não são acessíveis a todos agricultores e as vezes economicamente não se paga. Nesses casos, o que recomendasse fazer é o uso de práticas de manejo adequadas para que o solo tenha a capacidade de armazenar o máximo de água possível.

Como principais práticas culturais a serem utilizadas podemos citar a utilização do sistema de plantio direto, rotação de culturas com espécies de vasto sistema radicular e, ao mesmo tempo que produzam uma biomassa significativa na parte aérea com intuito de proteger a superfície do solo contra os agentes erosivos e reduzindo também de forma significativa as perdas de água do solo por evaporação.

A rotação de culturas, tanto das espécies comerciais, bem como as de cobertura de solo, é importante como ferramenta para reduzir o escoamento superficial, aumentando a infiltração de água. Além disso, descompactar o solo, incorporar matéria orgânica de forma mais rápida quando utilizado um material com baixa relação C/N e, incrementar cobertura vegetal por maior tempo quando utilizado material com alta relação C/N são outros principais objetivos que se visa com a utilização dessas práticas de manejo.

O conjunto dessas práticas resulta em um solo com menor compactação, ou seja, apresenta maior porosidade, maior infiltração de água e, consequentemente, maior armazenamento da mesma, sendo esta água utilizada pelas plantas em ocasiões em que as condições climáticas são desfavoráveis, como por exemplo, em períodos de veranicos com déficit hídrico.

A relação solo, planta e ambiente, possui elementos que se relacionam e resultam em diversas situações que interferem na produtividade da lavoura. Neste sentido, o adequado manejo, é um fator determinante que pode interferir positivamente no rendimento da safra.

Autores: Álvaro André Alba da Silva e Gabriel Augusto Rambo Soares
Acadêmicos do Curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria – Campus FW (Bolsistas do Grupo Pet Ciências Agrárias).


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