Indicadores da qualidade física estrutural de um Planossolo sob diferentes sistemas de uso e manejo

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O objetivo do estudo foi avaliar a agregação e a resistência tênsil de um Planossolo sob diferentes usos e manejos

Autores:  Ivana Kruger Tuchtenhagen(1); Cláudia Liane Rodrigues de Lima(2); Adilson Luís Bamberg(3); Maria Cândida Moitinho Nunes(4); Luciana da Silva Corrêa Lima(5)

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Trabalho Disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

RESUMO: A qualidade da estrutura do solo é um indicador de sustentabilidade de sistemas agrícolas. O uso intensivo, aliado a condições inadequadas de manejo, modifica a estrutura do solo. O objetivo do estudo foi avaliar a agregação e a resistência tênsil de um Planossolo sob diferentes usos e manejos: i) campo nativo, ii) integração lavoura pecuária, iii) plantio direto e iv) plantio convencional. As avaliações foram realizadas na Estação Experimental de Terras Baixas, pertencente à Embrapa Clima Temperado, localizada no município do Capão do Leão (RS). Foram coletadas amostras com estrutura alterada na camada de 0,00 a 0,10 m. Concluiu-se que o plantio convencional apresentou o menor valor de diâmetro médio ponderado de agregados. O sistema de plantio direto e campo nativo apresentaram diminuição da resistência tênsil de agregados. Diferenças no conteúdo de carbono orgânico foram indicadas pelo campo nativo e pelo plantio convencional. Relações positivas e negativas, respectivamente foram evidenciadas entre o carbono orgânico e o diâmetro médio ponderado de agregados e entre este mesmo parâmetro e a resistência tênsil de agregados.

Palavras-chave: Física do solo, qualidade do solo, resistência tênsil de agregados, diâmetro médio ponderado de agregados.

INTRODUÇÃO

Os diferentes sistemas de uso e de manejo do solo objetivam criar condições favoráveis ao desenvolvimento e ao rendimento das culturas. No entanto, práticas de manejo que não visam à conservação podem resultar em alterações na estrutura do solo (Tavares Filho & Tessier, 2010) e degradação de sistemas agrícolas, com consequências negativas à capacidade produtiva (Askari et al., 2013).

Estas alterações são mais pronunciadas nos sistemas convencionais de preparo, devido ao rompimento dos agregados e pela maior exposição e uso intensivo de máquinas agrícolas, acelerando a decomposição da matéria orgânica, e refletindo negativamente na resistência dos agregados do solo. Deste modo, diversos autores relatam a importância de sistemas de manejo que priorizem um menor tráfego de máquinas e revolvimento do solo (Van Raij, 2008).

A estrutura do solo é frequentemente avaliada a partir da estabilidade de agregados em água (Moncada et al., 2014) e da resistência tênsil de agregados (RT) (Imhoff et al., 2002; Reis et al., 2014). Essas variáveis têm sido utilizadas, pois possibilitam a adoção de adequadas práticas de manejo que sejam economicamente viáveis e sustentáveis.

Com base no pressuposto, o presente estudo teve por objetivo avaliar a agregação e a RT de um Planossolo sob diferentes sistemas de uso e manejo.

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi realizado na Estação Experimental de Terras Baixas, pertencente à Embrapa Clima Temperado, localizada no município do Capão do Leão (RS). Os sistemas de manejo estudados foram Planossolo sob: i) campo nativo (CN), sem interferência humana por mais de 30 anos, ii) integração lavoura pecuária (ILP) com implantação de milho (2011/2012), azevém (2012/2012), sorgo (2012/2013), azevém (2013/2013), soja (2013/2014), iii) plantio direto (PD), sendo cultivado milho (2011/2012), azevém (2012/2012), soja (2012/2013), trigo (2013/2013), soja (2013/2014) e iv) plantio convencional (PC) com pousio (2010/2011); trigo/forrageiras (2011/2012); arroz (2012/2013); pousio (2013/2014). Nestas áreas, foram coletadas amostras deformadas, na camada de 0,00 a 0,10 m, as quais foram processadas no laboratório de física do solo da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel.

Determinou-se o diâmetro médio ponderado de agregados estáveis em água (DMP) (Kemper & Rosenau 1986), modificado por Palmeira et al. (1999), utilizando um aparelho de oscilação vertical (Yoder, 1936), e a resistência tênsil de agregados (RT) conforme Dexter & Kroesbergen (1985).

Análise estatística

Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas por meio do teste de “Tukey (p < 0,05)”, com auxílio do Software R (R Core Team, 2014).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O maior valor absoluto de DMP foi proporcionado pelo sistema PD devido ao não revolvimento do solo. De acordo com Salton et al. (2008), um maior DMP no CN também se deve, principalmente, à permanência de resíduos orgânicos na superfície, os quais se decompõem pela ação de microrganismos resultando na formação de compostos atuantes na cimentação e na estabilização dos agregados (Tabela 1).

Os menores valores significativos de DMP obtidos no sistema PC, são decorrentes segundo Loss et al. (2009) das práticas de aração e de gradagem, as quais rompem os agregados de maior tamanho, aumentando a proporção de agregados menores. Alem disso, a remoção da vegetação nativa para o estabelecimento de atividades agrícolas expõe o solo ao impacto direto da gota da chuva, rompendo os agregados (Wohlenberg et al., 2004).

Em relação à RT, os quatros diferentes sistemas oscilaram entre 50,01 e 176,36 kPa, sendo os menores valores proporcionados pelo CN e PD e os maiores no PC e ILP (Tabela 1). O maior valor de RT no PC se deve, provavelmente, ao efeito do tráfego de máquinas associado à mobilização do solo, quando comparado aos preparos conservacionistas. Segundo Imhoff et al. (2002), a maior RT dificulta a penetração das semeadoras no solo, restringe a emergência das plântulas e reduz o crescimento das raízes.

Observou-se de forma geral que quanto maior o DMP menor a RT, demonstrando possivelmente, que os sistemas convencionais podem promover a compactação do solo reduzindo o espaço poroso intra-agregado e, consequentemente, aumentando a resistência dos agregados.

Tabela 1. Diâmetro médio ponderado dos agregados estáveis em água (DMP, mm) e resistência tênsil de agregados (RT, kPa) de um Planossolo sob diferentes usos e manejos.

tab 1

Observa-se ainda que o sistema CN proporcionou o maior teor de carbono orgânico total (COT) em relação a principalmente ao PC (Figura 1). Estes resultados concordam com os valores de DMP entre os sistemas, corroborando com Six et al. (2000), que afirmam que o incremento de COT influencia no aumento do DMP.

 fig 1

Figura 1. Teores médios de carbono orgânico total de um Planossolo sob diferentes usos e manejos. CN = campo nativo, ILP = integração lavoura pecuária, PD = plantio direto e PC = plantio convencional;Médias seguidas de letras distintas diferem entre si pelo teste de Tukey a 5%.

Por meio do coeficiente de correlação de Pearson (r) e de acordo com Paladini e Mielniczuk (1991), os agregados de maior diâmetro ou o DMP tendem a apresentar correlação positiva com a matéria orgânica, conforme obtido neste estudo (Tabela 2). Por outro lado, foi verificada correlação negativa entre a RT e COT (r= – 0,84; p<0,05), corroborando com os resultados obtidos por Ferreira et al. (2011) e contrastando com Imhoff et al. (2002) e Tormena et al. (2008).

 

 

Tabela 2. Correlação de Pearson entre carbono orgânico total (COT), diâmetro médio ponderado de agregados (DMP) e resistência tênsil de agregados (RT) de um Planossolo sob diferentes usos e manejos.

tab 2

CONCLUSÕES

O sistema de plantio convencional apresentou o menor valor de diâmetro médio ponderado de agregados.

O sistema de plantio direto e campo nativo apresentaram diminuição da resistência tênsil de agregados.

Diferenças no conteúdo de carbono orgânico foram indicadas pelo campo nativo e pelo plantio convencional. Relações positivas e negativas, respectivamente foram evidenciadas entre o carbono orgânico total e o diâmetro médio ponderado de agregados e entre este mesmo parâmetro e a resistência tênsil de agregados.

REFERÊNCIAS

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Informações dos autores:

(1)Pós-Graduanda em Manejo e Conservação do Solo e da Água; Universidade Federal de Pelotas – UFPel;

(2,4)Professoras do Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel; UFPel;

(3)Pesquisador da Embrapa Clima Temperado; Pelotas, RS;

(5)Graduanda de Engenharia Agrícola; UFPel.

Disponível em: XI Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo.  Frederico Westphalen, RS.2016

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