São desconhecidos trabalhos que utilizem o gênero Hohenbuehelia como indutor de gliceolina em cotilédones de soja, visto que, a indução de resistência é uma prática viável e importante no manejo de doenças.

Autores: Lorraine Tomim Feroldi1; Cleonice Lubian2, Danielle Dutra Martinha3, Roberto Luis Portz4, Vivian Carré Missio4

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

  As doenças estão entre os principais fatores que afetam a obtenção de altos rendimentos na cultura da soja (Embrapa, 2013). Uma alternativa viável para o controle de doenças é o uso de indutores de resistência ou eliciadores referidos como método alternativo (CAETANO, 2011). Para a ativação dos mecanismos de defesa latente existentes nas plantas podem-se utilizar tratamentos com agentes bióticos e abióticos (HAMMERSCHIMDT e DANN, 1997).

As fitoalexinas são moléculas de origem química variada que, a partir dos eliciadores, são produzidos como resposta de defesa da planta. Mais de 300 fitoalexinas já foram identificadas e dentre elas a gliceolina, fitoalexina encontrada na soja e que pode causar inibição da ativação de enzimas fúngicas, granulação citoplasmática e desorganização dos conteúdos celulares (CAVALCANTI et al., 2005 ; GOUVEA et al., 2011).

O gênero Hohenbuehelia possui uma vasta distribuição, crescem geralmente em madeira, porém existem registros de espécies terrícolas e gramículas. Observa-se espécies de importância na decomposição de madeiras, parasitas de plantas, nematófagas produtoras de antibióticos e outros metabólitos (THORN e BARRON, 1986; PUTZKE e CAVALCANTI, 1995). Atualmente, o gênero Hohenbuehelia contém cerca de 120 espécies, dentre elas estão às espécies H. mastrucata e H. barbatula (MENTRIDA, 2016). Deste modo são desconhecidos trabalhos que utilizem o gênero Hohenbuehelia como indutor de gliceolina em cotilédones de soja, visto que, a indução de resistência é uma prática viável e importante no manejo de doenças.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Laboratório de Fitopatologia e na Casa de Vegetação da Universidade Federal do Paraná. Para montagem foi utilizado delineamento inteiramente casualizado (DIC) com 14 tratamentos e três repetições, sendo eles: água destilada (testemunha), melaço de cana (0,5%) como controle positivo, filtrado de H. mastrucata nas concentrações de 100%, 50%, 25%%,12,5%, 6,25% , 3,125% e filtrado de H. barbatula nas mesmas concentrações.

Discos de micélios das duas espécies de Hohenbuehelia foram colocados separados em erlenmeyers contendo 100 mL de melaço de cana a 0,5% autoclavado. Após isso foram acondicionados na BOD a 25°C durante 10 dias, posterior a isso o conteúdo dos erlenmeyers foram filtrados com o auxílio de um papel filtro. Para a obtenção dos cotilédones sementes da variedade BS 2606 IPRO foram semeadas em bandejas contendo substrato comercial autoclavado e acondicionadas em casa de vegetação por 12 dias.


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Os cotilédones foram destacados e dispostos em placas de petri (quatro cotilédones/placa) para posterior pesagem. Foi adicionado em cada placa um disco de papel filtro umedecido com 2 mL de água destilada/ autoclavada. Com o auxílio de um bisturi foi realizado um corte na superfície abaxial de cada cotilédone e adicionado 75 µL dos filtrados de cada tratamento. Após a adição dos filtrados as placas foram tampadas e incubadas na BOD por 24 horas.

Na sequência os cotilédones foram transferidos para erlenmeyers de contendo 15 mL de água destilada/ autoclavada, agitados em seguida com o auxílio de uma mesa agitadora á 150 rpm por 60 minutos para a extração de gliceolina. Após a retirada dos cotilédones, foi realizada a leitura do sobrenadante em espectrofotômetro com um comprimento de onda de 285 nm. Foi utilizada como branco a água destilada/ autoclavada. As absorbâncias obtidas das leituras em espectrofotômetro foram divididas pelo peso/ placa dos cotilédones

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados do experimento comparando os valores médios de absorbância (285 nm) mg-1 de cotilédones com os filtrados de H. mastrucata e H. barbatula, nas concentrações 100 %,50%, 25% 12,5% ,6,25% e 3,125% estão apresentados no gráfico 1. A análise de regressão foi ajustada numa equação quadrática e demonstrou que a indução de gliceolina não teve efeito dose dependente, ou seja, o aumento das concentrações dos filtrados não resultou em um maior acúmulo da gliceolina.

Gráfico 1: Indução de fitoalexinas em contilédones de soja por filtrados de H. mastrucata e H. barbatula em diferentes concentrações.

Na tabela 1 estão representadas as médias absobância mg-1 de gliceolina para os tratamentos com filtrados de H. mastrucata e H. barbatula. O tratamento que apresentou a maior média de absorbância de 0,312 ABS mg-1 foi o melaço de cana, que diferiu significativamente a nível de 5% dos tratamentos com filtrado de H. mastrucata nas concentrações de 100% , 25%, 12,5% e 3,125%, H. barbatula 100% e 3,125% e a água destilada. Ao contrário as médias da absorbância para os tratamentos H. mastrucata 50% e 6,25%, H. barbatula 50%, 25%, 12,5%, e 6,25% não diferiram significamente do tratamento com melaço de cana.

Tabela 1: Teste de média dos valores de absorbância (285 NM) mg-1 de cotilédones entre os tratamentos utilizados.

CONCLUSÃO

Os filtrados do gênero Hohenbuehelia utilizados nesse trabalho demonstram que os mesmos possuem capacidade de induzir a síntese de gliceolina. São necessários mais estudos com este gênero de fungo para descobrir mais sobre sua capacidade elicitora.

REFERÊNCIAS

ARRUDA, et. al. Efeito de extratos de cogumelos na indução de fitoalexinas e no controle de oídio da soja em casa de vegetação. Bioscience Journal, Uberlândia, v. 28, n. 2, p. 164172, Mar./Apr. 2012.

CAETANO, M. L. Vacinas, Agora para as plantas. Campo e Negócios HF. Uberlândia, MG. Agro Comunicação, v. 74. Ano VII. p. 46-52, 2011.

CAVALCANTI, L. S. et al. Aspectos bioquímicos e moleculares da resistência induzida. In: CAVALCANTI, L.S. et al. (Eds.). Indução de resistência em plantas a patógenos e insetos. Piracicaba: FEALQ, 2005. p.81-124.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Tecnologias de Produção de Soja – Região Central do Brasil 2013. Outubro 2013, p.202-232. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/95489/1/SP-16-online.pdf >. Acesso em: 22 agosto 2018.

GOUVEA, A.; ZANOTTI, J.; LUCKMANN, D.; PIZZATTO, M.; MAZARO, S. M.; POSSENTI, J. C. Efeito de extratos vegetais em soja sob condições de laboratório e campo. Revista Brasileira de Agroecologia, v.6, n.2, p. 70-78, 2011.

HAMMERSCHIMDT, D.; DANN, E. K. Induced resistance to disease. In: RECHCIGL, N.A: RECHCIGL, J.E. (Ed.) Environmentally Safe Approaches to Crop Disease Control. Boca Raton: CRC- Lewis Publishers, 1997.p. 177-199.

MENTRIDA, S.Species delimitation and phylogenetic analyses of the genus Hohenbuehelia in central Europe. Dissertação (Mestre em Ciência)- Universität Wien, Wien-Austria, 2016.

PUTZKE, J.; CAVALCANTI, M. A. O gênero Hohenbuehelia Schulzer (Basidiomycotina, Agaricales) no Rio Grande do Sul, Brasil. Caderno de pesquisa, Série Botânica, Santa Cruz do sul, v. 7, n. ½, p. 3-106. 1995.

THORN R. G., BARRON, G. L. Nematoctonus and the tribe Resupinateae in Ontario, Canadá. Mycotaxon. v. 25, n. 2 pp. 3321-453. 1986.

Informações dos autores:  

1Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Palotina/PR.

2Pós-graduação em Produção Vegetal – Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) – Marechal Cândido Rondon/PR.

3Doutoranda em Produção Vegetal – Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba/PR.

4Departamento de Ciências Agronômicas – UFPR Palotina – PR.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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