Para que a resistência genética das plantas às doenças seja expressada de forma eficiente, a planta precisa estar em equilíbrio fisiológico. Os elementos minerais são importantes para manutenção deste equilíbrio e podem atuar de forma direta ou indireta sobre os mecanismos de defesa das plantas como ativadores, inibidores ou reguladores do metabolismo celular.

Alguns dos mecanismos de defesa das plantas são pré-existentes e podem atuar como barreiras físicas (espessura da parede das células, presença de cera na cutícula) ou químicas (produção de compostos fenólicos, alcaloides).



Outros mecanismos de defesa são induzidos e permanecem latentes até que sejam ativados pelo contato com um agente indutor. Os indutores de resistência são agentes (bióticos ou abióticos) capazes de ativar respostas de defesa localizadas ou sistêmicas. Nestes casos, a resistência é dita induzida.

Estes mecanismos também podem ser físicos (formação de papilas, lignificação) ou químicos (produção de fitoalexinas, proteínas relacionadas à patogênese e espécies reativas de oxigênio).

Na resistência induzida através da aplicação de um indutor de resistência, (que neste caso pode ser um componente microbiano, um nutriente mineral ou um precursor de ácido salicílico ou jasmônico) a planta desencadeia sinais bioquímicos para o interior de suas células, que ativam genes envolvidos na resistência. Como resultado, há um aumento na capacidade de defesa das plantas, o que impede ou reduz a colonização por patógenos.


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O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da nutrição mineral de plantas, por meio do uso de indutores de resistência e fertilizantes foliares, no controle da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) na cultura da soja (Glycine max).

A fim de avaliar a hipótese de que indutores de resistência e/ou fertilizantes foliares podem auxiliar no controle da ferrugem asiática da soja, foi realizado experimento na unidade de pesquisa e tecnologia da CCGL.

O ensaio contou com 18 tratamentos (sendo 1 deles somente fungicida, 16 fertilizantes foliares e/ou indutores de resistência, combinados com fungicida e 1 testemunha sem aplicação). No estádio V5 da cultura (quinto nó, quarta folha trifoliolada completamente desenvolvida) foram feitas aplicações dos fertilizantes foliares e/ou indutores de resistência.

Após, no estádio V8 (oitavo nó, sétima folha trifoliolada completamente desenvolvida), foram feitas aplicações dos produtos em associação ao fungicida Aproach Prima (Picoxistrobina 200 g/l + Ciproconazol 80 g/l), no total de 4 aplicações, com intervalos de 14 dias. Os produtos avaliados estão descritos na Tabela 1.

A cultivar utilizada no experimento foi a BMX Lança IPRO (hábito de crescimento indeterminado e grupo de maturação 5.8), semeada em 28 de novembro de 2017.

Os parâmetros avaliados foram: eficiência de controle (%) de ferrugem asiática e a produtividade final (13% de umidade). Os resultados foram analisados e, quando observada significância nos resultados (teste F), as médias foram comparadas entre si pelo teste de Skott Knott a 5% de probabilidade de erro. 

A produtividade na testemunha não tratada com fungicida foi de 57 sc ha , enquanto que no tratamento com Aproach Prima a mesma foi de 74 sc ha (Figura 1). Todos os produtos avaliados agregaram em controle de ferrugem e produtividade quando comparados ao uso isolado do fungicida.

Os melhores controles de ferrugem, calculados a partir da área sob a curva de progresso de ferrugem (ASCPF) na testemunha, foram observados com a utilização dos produtos Phyto Dunger (72%), Green Immunet (68%), YaraVita Coptrac (67%), YaraVita Mancozin (59%) e Curative (58%) em associação ao fungicida Aproach Prima (Figura 2).

Em relação à produtividade apresentada pelo tratamento com uso de Aproach Prima em isolado, foram observados acréscimos que variaram de 2 (Aproach Prima + Actilsa Intense) até 14 sc ha (Aproach Prima + Green Immunet).

As maiores produtividades foram observadas nos tratamentos com melhor controle de ferrugem: Aproach Prima + Green Immunet (88 sc ha), Aproach Prima + YaraVita Coptrac (86 sc ha), Aproach Prima + Curative (84 sc ha), Aproach Prima + Phyto Dunger (83 sc ha) e Aproach Prima + YaraVita Mancozin (82 sc ha) (Figuras 1 e 2).

A utilização de fertilizantes foliares pode influenciar de forma direta o controle de doenças em plantas, em virtude da presença de elementos minerais importantes nos processos de sinalização e ativação de respostas de defesa.

Dependendo da fonte e concentração dos minerais, estes podem apresentar, ainda, potencial fungicida ou bactericida. A ação indireta também ocorre, já que plantas bem nutridas respondem melhor aos estresses ambientais, sejam eles bióticos ou abióticos.

Fungicidas sítio-específicos ou multissítios possuem efeito direto sobre os patógenos. Indutores de resistência e fertilizantes foliares possuem efeito sobre as plantas, podendo torná-las mais resistentes em algumas situações.

Desta forma, a utilização de fertilizantes foliares e indutores de resistência não substitui a utilização de fungicidas, mas pode ser uma estratégia na busca de controles mais eficientes de doenças, de forma sustentável, resultando em efeitos aditivos e sinérgicos aos proporcionados pelos fungicidas.

Novos estudos devem ser conduzidos, a fim de validar os benefícios do uso de indutores de resistência para o controle de ferrugem e de outras doenças da soja, além do efeito em outras culturas.

Autora: Caroline Wesp Guterres; Doutora em fitotecnia com ênfase em fitopatologia
Pesquisadora CCGL

Texto originalmente publicado em:
CCGL TECNOLOGIA
Autor: Caroline Wesp Guterres - Pesquisadora CCGL

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