Objetivou-se com o presente trabalho avaliar as perdas na colheita de soja em função da rotação do molinete e da velocidade de deslocamento da colhedora

Autores: Francielle Morelli Ferreira1, Gustavo Henrique Sousa Timo de Matos2, José de Farias Junior2, Camila Barbosa de Farias2, Ewerton Lucas Chagas2

RESUMO

Na colheita mecanizada da cultura da soja as perdas quantitativas são influenciadas por diversos fatores; alguns inerentes a própria cultivar, e outros relacionados ao funcionamento adequado da colhedora. Objetivou-se neste trabalho avaliar as perdas na colheita de soja em função da rotação do molinete e da velocidade de deslocamento. O experimento foi realizado na safra de 2015/16, no campo de produção da Fazenda Adriana, no município de Paranaíta – MT. O experimento foi realizado com delineamento em faixas em esquema fatorial 3×2. Os tratamentos compuseram-se de três velocidades de deslocamento (5,9; 6,8 e 7,5 km h-1) e duas velocidades de rotação do molinete (41 e 46 rpm). Os dados foram submetidos à análise de variância por meio de teste de F(p<0,05), sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05). As perdas quantitativas avaliadas na colheita não foram influenciadas pelas diferentes velocidades e rotações do molinete e interação entre os fatores. A velocidade de 7,5 km h-1 ocasiona perdas acima do nível aceitável para a colheita mecanizada de soja, porém não diferindo estatisticamente com as outras velocidades estudadas.

PALAVRAS–CHAVE: Colhedora, rendimento, grãos.

INFLUENCE OF SPEED AND REEL ROTATION IN LOSSES ON SOYBEAN HARVEST

ABSTRACT

In mechanized harvesting of soybean, quantitative losses are influenced by several factors, some inherent in own farming, and others related to the operation of the harvester. The aim of this study was to evaluate the losses in function in soybean crop rotation of the reel and travel speed. The experiment was conducted in the harvest of 2015/16 season, in the Fazenda Adriana production field, in the city of Paranaíta – MT. The experiment was conducted with factorial design in banded 3×2. Composed of three forward speeds treatments (5.9; 6.8 and 7.5 km h-¹) and two rotational speeds of the reel (41 and 46 rpm). The results were submitted to analysis of variance by F Test (p<0.05), and the averages were compared by Tukey test (p<0.05). The quantitative losses evaluated in the harvest were not influenced by the different reel speeds and rotations and interaction between the factors. The speed of 7.5 km h-1 causes losses above the acceptable level for mechanized soybean harvest, but does not differ statistically with the other speeds studied.

KEYWORDS: Harvester, yield, grains.

INTRODUÇÃO

O estado de Mato Grosso, atualmente, é o maior produtor de soja do Brasil, com uma produção de 27.497 milhões de toneladas, em uma área plantada de 9,2 milhões de hectares, apresentando uma produtividade média de 3.069kg ha-1 (IMEA, 2016). No estado, a região com maior área plantada do grão é o médio-norte, com 3.142,740 mil hectares, ou seja,

38% da área total (IMEA, 2016). A região Norte do estado possui aproximadamente 277 mil hectares plantados, respondendo por apenas 3% da área com cultivo de soja no estado (IMEA, 2016), entretanto, a cada safra esse percentual vem aumentando.

Pode-se destacar que o crescimento da sojicultura na região norte do estado de Mato Grosso já é uma realidade, onde pecuaristas optaram por mudar suas atividades inserindo a agricultura, não sendo mais apenas pecuária.

Como todo o sistema de produção da soja é mecanizado, o produtor consegue ter maior rendimento e aumentar sua produtividade. Na colheita mecanizada os lucros têm sido influenciados adversamente pela perda de grãos. As perdas que ocorrem na colheita dos grãos é uma evidência que gera grandes prejuízos para os agricultores, entretanto, muitos não se atentam a este fator importante, uma vez que, ocasionam reduções na produtividade.

Estudos da Embrapa Soja indicam que, durante a colheita mecânica, as perdas quantitativas chegam a ultrapassar dois sacos por hectare, enquanto o referencial de tolerância é de apenas um saco por hectare (COSTA & TAVARES, 1995). Na ocasião da colheita, perdas quantitativas são influenciadas por diversos fatores; alguns inerentes a própria cultivar, e outros relacionadas ao funcionamento da colhedora.

Nesse sentido, atentar-se às regulagens e velocidades de deslocamento da máquina torna-se fundamental para minimizar as perdas ocorridas na colheita. As principais causas dessas perdas são rotações inadequadas do molinete, bem como aberturas e rotações incorretas no sistema de trilha. Velocidades corretas para a rotação do molinete proporcionam ao sistema trilhador uma melhor debulha da planta, indicando assim quais são as melhores regulagens desse sistema para que não haja perdas excessivas. Nesse contexto, objetivou-se com o presente trabalho avaliar as perdas na colheita de soja em função da rotação do molinete e da velocidade de deslocamento da colhedora.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no ano agrícola de 2015/16, no campo de produção da Fazenda Adriana, localizada no município de Paranaíta, em Mato Grosso (FIGURA 1). Esta fazenda foi escolhida devido ao processo da expansão das fronteiras agrícolas no município e a área experimental encontrava-se em seu terceiro ano de cultivo agrícola voltado à sojicultora e o sistema de manejo do solo da área foi semeadura direta.

FIGURA 1. Localização da Fazenda e área experimental. Fonte: Wikipédia; Google Earth (2017).

A semeadura direta da soja foi realizada dia 05/11/2015 sob palhada de Brachiaria ruziziensis, utilizando cultivar M8372IPRO. A população final foi de 214.000 plantas de soja por hectare.

O experimento foi realizado com delineamento em faixas em esquema fatorial 3×2, onde os tratamentos compuseram-se de três velocidades de deslocamento da colhedora (5,9; 6,8 e 7,5 km h-1) e duas rotações do molinete (41 e 46 rpm), com quatro repetições, totalizando 24 unidades experimentais. As dimensões de cada faixa foi de 8×360 m, sendo de 8×30 m as dimensões das parcelas de cada faixa.


Quais as perdas médias na colheita da soja? Saiba Mais


Antecedendo a colheita mecanizada, a fazenda realizou aos 108 dias após semeadura (22/02/2015), aplicação do desfolhante Dicloreto de Paraquate (1 L ha-1) quando a cultura se encontrava no estágio R7.3 (mais de 76% de folhas e vagens amarelas). No dia 27/02/2016 determinou-se as perdas pré-colheita, posicionando-se uma armação de 1 m² em cada parcela, procedendo com a coleta dos grãos que se encontravam caídos sobre o solo, antes da passagem da colhedora. No decorrer desta avaliação, as perdas pré-colheita encontradas foram quase nulas, sendo portanto, desconsideradas no trabalho.

Os dados de produtividade dos grãos foram mensurados, baseando-se na média do talhão do experimento. No dia 28/02/2016 as perdas na colheita foram determinadas em campo após a passagem da colhedora em operação normal nas devidas velocidades de deslocamento e rotações do molinete em um percurso de trinta metros. Neste espaço foi inserida a armação de 1 m de comprimento pela largura total da plataforma (7,62 m), totalizando 7,62 m2, através do uso de barra de cano pvc e barbante (FIGURA 2).

FIGURA 2. Determinação das perdas na colheita de soja após a passagem da colhedora. Foto: José de Farias Junior (2016).

Nesta área procedeu-se a coleta dos grãos e vagens que permaneceram sobre o solo, para posterior definição de suas massas em laboratório, extrapolando-as posteriormente para kg ha-1, sendo o teor de água corrigido para 13% (Costa & Tavares, 1995). Os dados foram submetidos à análise de variância por meio de teste de F(p<0,05), sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produtividade média da cultivar M8372IPRO utilizada no experimento foi de 3.600 kg ha-1, encontrando-se acima da média do estado, que resultou em 2.876 kg ha-1 na mesma safra (2015/16). A média desta última safra no estado de MT foi 11,7% inferior à safra anterior (2014/15) devido à estiagem que prejudicou a produção de soja no estado (IMEA, 2016).

Para embasamento das discussões das perdas na colheita mensurou-se alguns parâmetros agronômicos como altura média de inserção da primeira vagem e altura média de plantas, encontrando-se resultados de 0,22 m e 0,92 m, respectivamente, estando de acordo com as características esperadas da cultivar.

Conforme observou-se na Anava do presente experimento, não houve interação significativa entre os fatores. As perdas na colheita avaliadas no experimento não foram influenciadas significativamente pelas rotações do molinete e velocidades de deslocamento da colhedora (TABELA 1). As duas rotações do molinete (41 e 46 rpm) não apresentaram diferenças estatística entre si, podendo afirmar que as rotações do molinete utilizadas pela propriedade na colheita estão adequadas para a operação.

TABELA 1. Resultados médios do levantamento das perdas totais (PT) de soja em função das rotações do molinete e das velocidades de deslocamento da colhedora. Paranaíta-MT, 2016.

As perdas na colheita em função da velocidade da colhedora também não apresentaram diferença significativa, entretanto, observando os valores absolutos, as velocidades de 5,9 e 6,8 km h-1 ocasionaram valores aceitáveis para a colheita de soja, que, segundo Costa e Tavares (1995), é de 1 saca por hectare (60 kg). Todavia, a velocidade de 7,5 km h-1, apesar de não ter diferido estatisticamente, não se enquadra no limite aceitável de perdas citado anteriormente.

Campos et al. (2005) e Machado et al. (2012) realizaram trabalhos avaliando perdas na colheita de soja em função das velocidades de deslocamento e todos os autores observaram aumento das perdas na colheita em função do aumento da velocidade de deslocamento, afirmando que, existe uma tendência de reduzir as perdas quando as colhedoras operam sob velocidades de avanço inferiores a 7 km h-¹, corroborando com o presente experimento em valores absolutos.

Diante do exposto, como sugestão ao proprietário da Fazenda em que realizou-se o experimento, e baseado nas condições do presente trabalho, recomendaríamos velocidades de deslocamento de até 6,8 km h-1 na colheita da soja.

CONCLUSÕES

As perdas quantitativas na colheita de soja não foram influenciadas pelas diferentes velocidades de colheita e rotações do molinete. A velocidade de 7,5 km h-1 ocasiona perdas acima do nível aceitável para a colheita mecanizada de soja (60 kg ha-1).

REFERÊNCIAS

CAMPOS, M., A., O. et al. Perdas na colheita mecanizada de soja no estado de Minas Gerais. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v.25, n.1 p.207-213, 2005.

COSTA, N.P.; TAVARES, L.C.V. Fatores responsáveis pelos elevados percentuais de perdas de grãos durante a colheita mecânica em soja. Informativo ABRATES, Londrina v.5, sn, p. 17-25, 1995.

IMEA. Instituto Mato-Grossense de Economia e Agropecuária. 6ª Estimativa da safra de soja. 2016. Disponível em: http://www.imea.com.br/upload/publicacoes/arquivos/R404_6_Estimativa_Soja_safra_2015-16__16-04_29.pdf > Acesso em: 20 ago. 2016.

MACHADO, T. A.; SANTOS, F. L.; CUNHA, J. P. B.; CUNHA, D. A.; COELHO, L. M. Perdas na plataforma de corte de uma colhedora combinada de grãos na colheita de soja. Engenharia na agricultura, Viçosa, v.20,n.6, p. 537-543. 2012.

Informações dos autores:  

1Engª Agrícola, Mestre em Agronomia, Prof.ª Assistente, Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT/Campus de Alta Floresta – MT;

2Discentes do curso de Agronomia, Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT/Campus de Alta Floresta – MT.

Disponível em: Anais do XLVI Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola – CONBEA 2017 Maceió – AL, Brasil.

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