O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência dos voláteis constitutivos e induzidos por herbivoria no comportamento de busca do percevejo T. limbativentris.

Autores: Lucas Adjuto Ulhoa1, José Alexandre Freitas Barrigossi2, Miguel Borges3, Raúl Alberto Laumann3 Maria Carolina Blassioli-Moraes31

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização e inserção de informações dos autores

Introdução

Tibraca limbativentris (Heteroptera: Pentatomidae) é um dos insetos mais prejudiciais à cultura do arroz (Ferreira et al., 1997; Martins et al., 2004). Dependendo da fase de desenvolvimento que a planta é atacada, pode causar perdas na produção de até 80% (Ferreira, 1998). As perdas são maiores quando o inseto ocorre na pré – floração e início da emissão das panículas (fase reprodutiva) (Barrigossi & Martins, 2006; Martins et al., 2009). Este inseto suga a seiva na base dos colmos da planta de arroz (Figura 1). Na fase vegetativa provoca o “coração-morto” e na fase reprodutiva a “panícula-branca” (Costa & Link, 1992a; Ferreira et al., 1997; Silva et al., 2004).

Figura 1. Tibraca limbativentris se alimentando na base dos colmos da planta de arroz.

Para se defender de insetos herbívoros, as plantas podem emitir uma mistura de voláteis que atuam como substâncias dissuasivas, repelentes ou tóxicas (De Moraes et al., 1998; Moraes et al., 2005, 2008). Tais voláteis tem sua produção induzida nas plantas por substâncias presentes na saliva dos insetos (De Moraes et al., 1998; Paré & Tumlinson, 1998). Estudos relacionados à comunicação química entre insetos e plantas podem gerar informações sobre a defesa das plantas importantes para o desenvolvimento de ferramentas para o manejo integrado de pragas.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência dos voláteis constitutivos e induzidos por herbivoria no comportamento de busca do percevejo T. limbativentris.

Material e métodos

As respostas de fêmeas virgens de T. limbativentris (5 a 10 dias na fase adulta) foram avaliadas em olfatômetro na forma de “Y”. Um único inseto foi colocado na área de liberação e observado por 600 segundos (Figura 2).

Figura 2. Olfatômetro na forma de “Y”.

Os bioensaios foram conduzidos utilizando plantas de arroz injuriadas por duas fêmeas de T. limbativentris no período de 24 e 120 horas após o início da herbivoria. As plantas foram inseridas dentro de câmaras de polietileno e conectadas ao olfatômetro por tubos de silicone. Foi usado uma bomba de sucção e uma bomba de  pressão, para o escoamento do ar nas câmaras e no olfatômetro (Figura 3).

Figura 3. Sistema utilizado para avaliar o comportamento dos insetos em olfatômetro em “Y”.

Foram realizados 40 repetições para cada um dos seguintes tratamentos: a) planta sadia x ar, b) planta com injúria por 24 horas x ar, c) planta com injúria por 24 horas x planta sadia, d) planta com injúria por 120 horas x ar, e) planta com injúria por 120 horas x planta sadia. Foram avaliadas a primeira escolha e o tempo de residência em cada braço do olfatômetro.

Resultados

Fêmeas virgens de T. limbativentris mostraram preferência aos voláteis de plantas sadias (PS) do que aos voláteis de plantas injuriadas por 120 horas (PI) por coespecíficos (χ² = 3,49; p = 0,037) (Figura 4) e passaram mais tempo no braço do olfatômetro com ar do que no braço com voláteis de plantas injuriadas por 120 horas (PI) (t = – 2,38; gl = 39; p = 0,022) (Figura 5).

Figura 4. Primeira escolha de fêmeas virgens de T. limbativentris. PS = Planta sadia; PI = Planta injuriada. Os dados foram analisados pelo teste de qui-quadrado de Wald. *0,05>P>0,01; **0,01>p>0,001; ***P<0,001.

Figura 5. Tempo de residência em segundos (s) de fêmeas virgens de T. limbativentris. PS = Planta sadia; PI = Planta injuriada. Os dados foram analisados pelo teste t pareado. *0,05>P>0,01; **0,01>p>0,001; ***P<0,001.

Conclusão

Os resultados sugerem que T. limbativentris é capaz de distinguir pistas liberadas pelas plantas de arroz para encontrar o hospedeiro mais adequado, a não resposta aos voláteis induzidos por herbivoria pode ser uma estratégia das fêmeas de evitarem a competição com coespecíficos por alimento e sítios de oviposição.

Referencias 

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COSTA, E. C.; LINK, D. Avaliação de danos de Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Hemiptera: Pentatomidae) em arroz irrigado.Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, São Paulo, v. 21, p. 187-195, 1992a.

DE MORAES, C.M.; LEWIS, W.J.; PARÉ, P.W.; ALBORN, H.T.; TUMLINSON, J.H. Herbivore-Infested plants selectively attract parasitoids. Nature, v.393, p.570-573, 1998

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MARTINS, J.F. da S.; GRÜTZMACHER, A.D.; CUNHA, U.S. Descrição e manejo integrado de insetos-pragas em arroz irrigado. In: GOMES, A.S.; MAGALHÃES JR., A.M. (Ed.). Arroz irrigado no sul do Brasil. Brasília: Embrapa Informações Tecnológicas, 2004. p.635-675.

MARTINS, J. F. da S.; BARRIGOSSI, J.A.F.; OLIVEIRA, J.V.; CUNHA, U.S. Situação do Manejo Integrado de Insetos-praga na Cultura do Arroz no Brasil. Pelotas, Embrapa Clima Temperado, 2009. 40p. (Embrapa Clima Temperado. Documentos, 290).

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SILVA, C.C.A.; D.M. CORDEIRO.; R. LAUMANN.; M.C.B. MORAES.; J.A. BARRIGOSSI.;  M. BORGES. Ciclo de vida e metodologia de criação de Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Heteroptera: Pentatomidae) para estudos de ecologia química. Brasília, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 16p. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento. 2004.

Informações dos autores   

1 Escola de Agronomia, Universidade Federal de Goiás (UFG), Avenida Esperança, s/n, Campus Samambaia, Goiânia, GO 74690-900, Brazil

2 Embrapa Arroz e Feijão, Rodovia GO-462, Km 12, Fazenda Capivara, Zona Rural, Santo Antônio de   Goiás, GO 75375-000, Brazil

3 Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Parque Estação Biológica – W5 Norte, Brasília, DF 70770-917, Brazil

Disponível em: Anais do XXVII Congresso Brasileiro de Entomologia,  2018. Gramado, RS.

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