O objetivo desse estudo foi determinar a produtividade de diferentes cultivares de soja com distintos grupos de maturidade relativa em seis épocas de semeadura.

Autores: Giovani Antonello Barcellos1, Paulo Marks1, Simone Puntel1, Jossana Ceolin Cera2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A produtividade da soja (Glycine max (L) Merr.) é determinada pela capacidade de interceptação da radiação solar e conversão dessa energia em matéria seca pela fotossíntese (ROCHA, 2016). As cultivares de soja estão agrupadas em diferentes grupos de maturidade relativa (GMR), os quais representam a duração do ciclo de desenvolvimento da soja (ALIPRANDINI et al., 2009). Essa duração é influenciada pela resposta ao fotoperíodo, práticas de manejo e adaptação das cultivares de soja (ZANON et al., 2018). Nesse sentido, uma dessas práticas determinante para a produtividade é a época de semeadura, que quando combina as melhores condições ambientais com os períodos críticos de desenvolvimento, proporciona rendimentos potenciais em diferentes GMR (ZANON et al., 2018). A coincidência desses períodos de desenvolvimento com a maior disponibilidade de radiação solar é fundamental para altas produtividades, cabe ressaltar que isso dependerá do grupo de maturação da cultivar e da época de semeadura.

O objetivo desse estudo foi determinar a produtividade de diferentes cultivares de soja com distintos grupos de maturidade relativa em seis épocas de semeadura.

O trabalho foi conduzido no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, em Santa Maria, RS (29º43’S, 53º43’W, 95m), localizado na região da Depressão Central do RS. O clima do local, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Cfa, subtropical úmido com verões quentes e sem estação seca definida (KUINCHTNER e BURIOL, 2000). Foram utilizadas as cultivares de soja NS 4823 RR, BMX Elite IPRO, TMG 7062 IPRO, BMX Ícone IPRO e TEC 7849 IPRO, (com grupos de maturidade relativa de 4.8, 5.5, 6.2, 6.8 e 7.8, respectivamente, sendo que a maioria das cultivares possui hábito de crescimento indeterminado, exceto TMG 7062, que possui hábito semi-intereminado. A semeadura foi realizada em seis épocas do ano agrícola 2017/2018 (05/08, 02/09, 17/10, 21/11, e 19/12 de 2017 e 16/01/2018).

O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com quatro repetições. Com linhas de 4 m de comprimento espaçadas 0,45 m e 3.15 m de largura, com uma densidade de 30 plantas m-2. O manejo de adubação e calagem seguiu as recomendações para alcançar 6 Mg ha-1 (CQFS-RS/SC, 2016). Foi realizada irrigação suplementar em todas as épocas de cultivo, de forma a proporcionar condições ótimas de crescimento. Após a maturação fisiológica das cultivares, em cada época de cultivo, foi estimada a produtividade em uma área de 5.4 m2. A variável produtividade não apresentou normalidade dos resíduos pelo teste de Shapiro-Wilk (P<0.05), nesse sentido, foi utilizado o procedimento Npar1way para análise de variância. As análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do programa estatístico SAS ®.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produtividade de soja diferiu significativamente entre as cultivares (grupos de maturidade relativa) e entre as épocas de semeadura (Tabela 1). Independente da época de semeadura, os GMR 6.8 e 6.2 obtiveram maiores produtividades de grãos por unidade de área, com médias de 5.61 e 5.11 Mg ha-1, respectivamente. A cultivar com grau de maturidade 7.8 se mostrou a menos produtiva, independente da época em que foi cultivada, com uma média de 4.2 Mg ha-1.

As cultivares com GMR de 5.5 e 4.8, foram intermediárias em relação às demais, com rendimentos de 4.64 e 4.34 Mg ha-1, respectivamente. Houve diferenças entre as épocas de semeadura para produtividade de grãos, sendo que as épocas de maior rendimento foram outubro, novembro e dezembro, com 5.89, 5.26 e 5.09 Mg ha-1, respectivamente. Independente do GMR, a época que proporcionou menor rendimento de grãos foi agosto, com rendimento médio de 3.38 Mg ha-1. Já os meses de setembro e janeiro, proporcionaram produtividades intermediárias em relação às demais épocas, 4.65 e 4.41 Mg ha-1, respectivamente.


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Os resultados encontrados corroboram com o exposto por Zanon et al. (2015b), em que a antecipação ou atraso na época de semeadura, aumentam ou diminuem respectivamente, a duração do ciclo de desenvolvimento da planta independente do GMR e cultivar semeada. Nesse sentido, essa duração impacta diretamente no rendimento de grãos, já que no mês de agosto em que há menor fotoperíodo disponível, percebemos os menores rendimentos de grãos, independente do grupo de maturação.

Tabela 1 – Produtividade de cultivares de soja (Mg ha-1) de diferentes grupos de maturidade relativa (GMR), semeadas em seis épocas distintas. Fitotecnia/UFSM, Santa Maria (RS), 2017 e 2018 (1).

CONCLUSÃO

A produtividade de grãos é influenciada por diversos fatores, diante disso, a escolha de uma cultivar com grupo de maturação adequado e a determinação da melhor época de semeadura são fatores determinantes para alcançar altos rendimentos.

Nessas condições, os grupos de maturidade 6.8 e 6.2, e as épocas outubro, novembro e dezembro proporcionaram maiores produtividade de grãos, sendo que a cultivar pertencente ao GMR 6.8 alcançou 6.5 Mg ha-1, quando semeada em outubro.

REFERÊNCIAS

ALLIPRADINI, L. F. et al. Understanding soybean maturity groups in Brazil: environment, cultivar classification and stability. Crop Science, v.49, p.801-808, 2009. CQFS-RS/SC (COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC). Recomendações de adubação e calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 11. ed. Porto Alegre, RS, SBCS – Núcleo Regional Sul, 2016, 376p.

FARIAS, J. R. B.; NEUMAIER, N.; NEPOMUCENO, A. L.. Soja. In: MONTEIRO, J. E. B. A. et al. Agrometeorologia dos cultivos: o fator meteorológico na produção agrícola. INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, p.109-130. 2009.

KUINCHTNER, A.; BURIOL, G.A. Clima do Estado do Rio Grande do Sul segundo a classificação climática de Köppen e Thornthwaite. Disciplinarum Scientia. v.2, p.171-182, 2001.

ROCHA, T. S. M. D. Desempenho da soja cultivada em solo hidromórfico e não hidromórfico com e sem irrigação suplementar. 2016. 78 p. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2016.

ZANON, A. J. et al. Desenvolvimento de cultivares de soja em função do grupo de maturação e tipo de crescimento em terras altas e terras baixas. Bragantia. v. 74, n. 4, p. 400-411. 2015b.

ZANON, A. J. et al. Ecofisiologia da soja: visando altas produtividades. 1ª ed., Santa Maria, 136 p., 2018.

Informações dos autores:  

1Acadêmicos do curso de agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Av. Roraima, 1000, CEP 97105-900, Santa Maria – RS, Brasil.

2Consultora – Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), Rua Marecal Floriano, 571, CEP 96540-000 Agudo-RS, Brasil.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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