De grande importância no contexto econômico mundial, a cultura da soja durante todo o seu desenvolvimento fenológico pode ser atacada por inúmeros insetos-praga, dentre eles a mosca-branca, Bemisia tabaci, se destaca pelo seu potencial de dano e dificuldades de manejo (Figura 1).

Figura 1. Infestação de Bemisia tabaci em soja, infestando folíolo de Soja em Santa Cruz do Sul-RS (Foto: Molecular Insect Lab)

Os danos causados por B. tabaci, tanto pela fase jovem (ninfas) quanto adultos, são diretos e indiretos, de forma direta, devido a sua atividade sugadora, ou seja quando se alimenta este inseto insere seu estilete e suga a seiva, e pela injeção de diversas toxinas causadoras de distúrbios fisiológicos que resultam em murcha e queda de folhas. De forma indireta B. tabaci é prejudicial por ser vetor de diversos tipos de viroses e também pela excreção de uma substancia açucarada a qual favorece a formação do fungo fumagina (Copnodium sp.), este que torna as folhas escuras, acarretando na redução da capacidade fotossintética da planta.

Dentro da gama de danos indiretos causados por B tabaci,  as viroses transmitidas às plantas de soja merecem certa atenção, são elas: a Necrose da Haste (Cowpea míld mottle vírus – CPMMV; Gênero Carlavírus) onde os sintomas iniciais são de difícil identificação, no entanto se tornam bem notáveis quando a floração se aproxima, nesta fase ocorre a queima do broto e necrose da haste causando a morte da planta, outra virose bastante frequente é o Mosaico Anão (Euphorbía mosaíc vírus – EMV; Gênero Begomovirus) em que as plantas de soja infectadas por esse vírus têm o porte bastante afetado e são geralmente anãs. Além disso, apresentam uma espécie de super brotamento com redução e deformação do folíolo (Costa et aI., 1970). Já o Mosaico crespo (Abutílon mosaíc vírus – AbMV; Gênero Begomovirus) as plantas de soja apresentam folhas com mosqueado e com formação de alguma rugosidade e bolhas (Costa et aI., 1970).

Injúrias decorrentes do ataque de mosca-branca em lavoura de soja podem ser observadas na Figura 2.

Figura 2. Danos causados por B. tabaci em soja (Foto: Molecular Insect Lab)

No que diz respeito a amostragem para tomada de decisão sobre o controle desta praga, esta pratica ainda carece de estudos e esclarecimentos. Alguns autores e pesquisadores colocam que os níveis de controle devem ser tomados quando a população de ninfas seja superior a 40 ninfas/ folíolo (Moscardi et al., 2012). Contudo alguns autores enfatizam a importância dentro da amostragem de que seja levada em consideração todas as fases de vida encontradas na lavoura, e tanto ovos, ninfas e adultos sejam quantificados (BYRNE; BELLOWS JUNIOR, 1991).

Tendo em vista a parte comportamental de B. tabaci e a distribuição desta no hospedeiro, a amostragem dos indivíduos deve ser feita ao acaso, e coleta para mensuração deve ser feita no terço médio inferior da planta.

Recomenda-se que a amostragem seja intensificada no florescimento da soja, para evitar maiores prejuízos na formação e enchimento de grãos que posteriormente representarão o rendimento final da lavoura.

Através dos trabalhos realizados pelo Molecular Insect Lab, resultados preliminares indicam que a forma de amostragem de mosca-branca precisa ser revista e, algumas informações acerca da disposição dos indivíduos na planta merecem atenção diferenciada, onde tem sido observado que fases imaturas e adultos ocorrem no terço médio da planta de soja, seguido dos terços inferior e superior. Estes estudos também servirão para mensurar o nível de infestação pertinente a controle da praga.

Assim, pode-se dizer que diminuição de dano vem ao encontro da redução da praga no ecossistema lavoura. Para isso, respeitar algumas medidas culturais como vazio sanitário, eliminação de hospedeiros alternativos (pontes verdes), barreiras físicas, são premissas básicas para a supressão da praga e contribuem para evasão de eventuais surtos populacionais.

Leia também: http://coral.ufsm.br/midia/?p=42800

Autores: Daniela Moro e Leonardo Patias

Integrantes do Molecular Insect Lab, sob a orientação do Professor PhD Jonas Arnemann, da Universidade Federal de Santa Maria – RS.

Bibliografia citada:

ALMEIDA, A. M. R. Viroses da soja no Brasil: sintomas, etiologia e controle. Londrina: Embrapa Soja, 2008.

BYRNE, D.N.; BELLOWS JUNIOR, T.S. Whitefly biology. Annual Review Entomology, v. 36, p. 431-457, 1991.

MOSCARDI, F.; BUENO, A. F.; SOSA-GOMEZ, D. R.; ROGGIA, S.; HOFFMANN-CAMPO, C. B.; POMARI, A. F.; CORSO, I. C.; YANO, S. A. C. Artrópodes que atacam folhas da soja. In: HOFFMAN- CAMPO, C. B.; CORRÊAFERREIRA, B. S.; MOSCARDI, F. (Ed.). Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes praga. Brasília, DF: Embrapa, 2012. p. 213-334.

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