O trabalho foi feito por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade Federal de Santa Maria, objetivando verificar o efeito da interferência de diferentes densidades de plantas de milho voluntário RR na cultura da soja RR, bem como estimar o nível de dano econômico (NDE). O Portal Mais Soja trouxe de forma sucinta um resumo deste excelente trabalho. 

Tido como problema em controle pós emergente em soja RR, o milho voluntário (RR) tem sua ação competitiva bastante evidente, e isso porque o desenvolvimento inicial da planta de soja é lento e seu tamanho é menor quando comparado ao milho, e por isso o intenso sombreamento causado pelo milho é refletido na redução da taxa fotossintética na soja e estimulando o alongamento do caule. O milho voluntário também compete com a soja por água, nutrientes e CO², e até mesmo podendo interferir no processo de colheita mecânica e servir de hospedeiro para diversas pragas de insetos.

Quando se pensa em perdas de produtividade por interferência de um fator como as plantas daninhas, a determinação de um limiares econômicas são componentes importantes para a tomada de decisões na adoção de uma estratégia integrada de manejo de plantas daninhas.

Partindo do pressuposto de que produtividade da soja causada pela interferência do milho voluntário varia com a densidade das plantas daninhas e pode ser quantificada pelo uso de modelos matemáticos, este trabalho buscou verificar os efeitos da interferência das densidades de milho voluntário RR na soja RR, bem como estimar o nível do limiar econômico.



O experimento foi feito em Frederico Westphalen, e os tratamentos consistiram de dois locais e densidades de milho RR voluntárias de 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 plantas m². A cultura da soja foi cultivada em sucessão ao milho. Os locais experimentais foram mantidos livres de plantas daninhas a exceção do milho voluntário. O milho voluntário F2 foi semeado em linha estreita de soja ajustada de acordo com as respectivas densidades de milho voluntário. A aplicação pós-emergente dos herbicidas foi realizada com o herbicida glifosato (900 g ha¹) nos estádios de crescimento V2 e V6.

Na maturidade, 10 plantas selecionadas aleatoriamente foram utilizadas para a mensuração da altura da soja, diâmetro do caule e número de ramos, nós e vagens planta. O rendimento de grãos de soja foi determinado pela colheita manual de duas linhas centrais de cada parcela; os grãos foram ajustados para 13% de umidade e rendimento expresso em kg ha¹.

Para fins de cálculo do limiar econômica (ET), foram estimados três valores para o potencial produtivo da soja, preço da soja, custo de controle e eficiência do herbicida no milho voluntário. A faixa de produtividade das culturas foi estimada em 2000, 3500 e 5000 kg ha¹, que são os rendimentos esperados da soja no estado do Rio Grande do Sul (CONAB, 2016).

Os preços mínimo, médio e máximo oferecidos para uma saca de 60 kg de soja nos últimos cinco anos na média do Rio Grande do Sul foram de U$ 16,4, 21,8 e 27,3 sacas¹, respectivamente (CONAB, 2016).

O custo de controle levou em consideração o preço médio dos herbicidas recomendados para manejo pós-emergência e o custo de aplicação (trator + pulverizador); isso foi de U$ 30,3, 36,4 e 42,4 ha¹. Para eficiência do herbicida no controle do milho voluntário, a faixa de valores foi 80, 90 e 100%.


Leia também: Nível de dano econômico de milho voluntário RR® em soja


Os resultados mostram que o milho voluntário resistente ao glifosato afeta adversamente o rendimento de grãos da soja proporcionalmente ao aumento da densidade de plantas, sendo o número de vagens por planta a variável mais afetada pela interferência. Resultados podem ser observados na Figura 4.

Figura 4. Redução do número de vagens de soja por planta (A) e perda de produtividade da soja (B) em função da densidade voluntária do milho. Frederico Westphalen, RS, Brasil, 2014/15.

Com a determinação do ET, pode-se concluir que com o aumento do rendimento de grãos de soja, os preços da soja e a eficiência do herbicida, há uma redução no ET. Em contraste, o aumento nos custos do controle de ervas daninhas aumenta o ET. Estes resultados podem ser visualizados na Figura 5, subseções A, B e C.

Figura 5. Limiares econômicos (ET) do milho voluntário para soja, segundo as simulações de produtividade esperada, custo de controle (A), preço da soja (B) e eficiência do herbicida (C). Frederico Westphalen, RS, Brasil, 2014/2015.

Em todas as simulações, os valores de ET foram muito baixos, inferiores a 0,48 plantas m², demonstrando a necessidade do controle de herbicidas do milho voluntário, mesmo em baixas densidades.

Autores: Adalin C. M. Aguiar, Claudir J. Basso, Edivan Pansera, Diecson R. O da Silva.

O trabalho foi publicado na Planta daninha vol.36 Viçosa 2018, pub. Nov 08, 2018.

Que você pode conferir na íntegra acessando aqui.

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