LAR: 1º Fórum AGRO +Soja reúne 1200 cooperados

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A última safra de soja colhida no Brasil – 2016/17- chegou a 111 milhões de toneladas, um aumento 15% na comparação com a safra 2015/16 que foi de 96 milhões. A produtividade média, no Brasil, saltou de 51 para 56,1 sacas por hectare nos últimos anos. Ótimos resultados. Sim. Entretanto, o potencial produtivo vai evoluir, “mais e mais até que se possa atingir a produtividade de 100 sacas por hectare”, desafiou Marino Niehues, na abertura do 1º Fórum Lar Agro +Soja realizado no dia 28 de abril, no Lar Centro de Eventos, em Medianeira (PR).

Presença – O evento contou com a presença da Diretoria Executiva, conselheiros, gerentes e técnicos da Lar no Paraná, Santa Catarina, e Mato Grosso do Sule a significativa participação de 1.200 agricultores associados da Lar no Oeste do Paraná, além de professores e alunos do curso de agronomia da faculdade UDC, Medianeira (PR). O diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues fez um breve histórico da evolução da agricultura na área de atuação da cooperativa, basicamente no Oeste do Paraná e em Mato Grosso do Sul. “Precisamos evoluir sempre com profissionalismo, com eficiência, para que se possa obter o máximo de produtividade, por isso a Lar promove este Fórum que terá sequência nas outras atividades, como na área de integração de suínos e aves”, destacou o diretor-presidente.

Palestras – Renato de Assis Carvalho, engenheiro agrônomo e pesquisador da Monsanto abordou o tema da “Biotecnologia, sustentabilidade e futuro”. Carvalho destacou que a “a biotecnologia tem sido uma ferramenta fundamental na proteção de plantas contra insetos pragas”. Entretanto, frisou que uma nova descoberta, como no caso do milho Bt e da soja intacta requerem um tempo de pesquisas superior há uma década e investimentos na ordem US$ 140 milhões. E alertou. “É preciso estender a vida útil das biotecnologias existentes, no caso da soja intacta, com a implantação e manutenção de áreas de refúgio”. O espaço de refúgio, segundo as orientações técnicas, corresponde a 20% da área cultivada que não pode ter plantas a tecnologia bt (intacta) da mesma variedade, como por exemplo: uma lavoura de 100 hectares de soja, o recomendado é se plantar 80% com soja intacta e 20% com outra variedade RR ou convencional. “Assim aumentando a vida útil da tecnologia usada” disse Renato Carvalho.

Mercado – “Safras recordes de soja e milho estão derrubando os preços. O Brasil, a Argentina e os Estados Unidos colheram 10% mais de grãos do que o esperado”, disse o consultor e analista de mercado André Pessôa, na 2ª palestra do 1º Fórum da Soja. Pessôa acredita que até meados de setembro deste ano “poderá haver uma recuperação dos preços da oleaginosa”. Quanto ao milho, o economista não vê perspectiva de recuperação dos preços em curto espaço de tempo. “O Brasil vai colher uma safra que pode chegar a 100 milhões de toneladas de milho. O país consome cerca de 60 milhões basicamente na produção de rações que são transformadas em proteína animal (carne de ave e suína); a exportação pode chegar a 30 milhões de toneladas, restarão 10 milhões”, explicou para justificar que o preço do milho pago ao produtor não aumentará no curto espaço. Mesmo com preços momentaneamente baixos, Pessôa frisou que o produtor rural deve continuar plantando usando o que de melhor existe em tecnologia para produzir mais e melhor. “No caso da soja – que a produtividade média do Brasil na última safra ficou em 56,1 sacas/ha, aos produtores eu faço um alerta:  nos próximos 5 ou 10 anos quem mantiver a mesma média produtiva (entre 50 a 55 sacas/ha) estará fora do mercado”, alfinetou.

Manejo Nutricional – O professor e doutor Elmar Luiz Floss, um simpático gaúcho de Passo Fundo, de forma didática e objetiva falou sobre “Manejo fisiológico e nutricional de soja para altos rendimentos”. Professor Floss fez uma abordagem histórica dos avanços que novas tecnologias agrícolas provocaram nos índices de produtividade. “Nos últimos 30 anos o rendimento de uma lavoura de soja evoluiu de 30 sacas por hectare, para 50, 70, e estamos caminhando para 100 sacas”, destacou. A produtividade aumentou por uma somatória de fatores, entre eles: conservação de solos, plantio direto, controle de pragas, variedades transgênicas, sementes de qualidade, e a mais recente prática: a agricultura com precisão. É importante, alertou o professor, que “os produtores têm que plantar uma lavoura de soja de maneira caprichada, com manejo nutricional e controle fitossanitário. Após a colheita os resultados devem ser mensurados, com avaliação dos talhões altamente produtivos e os com resultados insatisfatórios e assim gastar energias nas áreas problemas e, já, na próxima safra”, pontuou. Por último, o professor Floss deixou uma recomendação aos produtores: “busquem sempre novas tecnologias, façam pequenos experimentos, em algum talhão, comparem os resultados”, finalizou.

Os mandamentos da produtividade – Fechando o evento, o professor e doutor Paulo Djalma Zimmer tratou das “Práticas agrícolas para altas produtividades”, sintetizando no que chamou de “os dez mandamentos da produtividade”. 1º – Cuidarás das sementes utilizadas; 2º – Usarás sementes tratadas com perfeição; 3º – Cuidarás do leito da semeadura; 4º  — Regularás a semeadora, cuidarás da velocidade do processo e acompanharás a métrica; 5º – Ocuparás todos os espaços com plantas vigorosas e sadias; 6º – Protegerás todas as folhas, vagens e plantas; 7º – Evitarás o coeficiente de compensação; 8º – Pós-colheita farás o inventário, registrando erros e acertos; 9º – Estabelecerás foco para fazer a diferença; 10 º – Estabelecerás relações comerciais e pessoas, seguras e duradoras com parceiros comprometidos com os resultados.

Vazio sanitário – Gilson Martins, representante técnico da Ocepar, falou sobre a legislação que estabelece o ZARC – Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que rege as operações de custeio e seguro agrícola. Destacou também o regulatório do Vazio Sanitário, período delimitado no Paraná entre 15 de junho a 15 de setembro, que proíbe a presença de plantas vivas de soja. É uma forma de prevenção a ferrugem asiática. Os associados da Lar reivindicam uma antecipação legal do prazo para o plantio de soja, favorecendo em alguns dias a formação da lavoura de milho safrinha.   “Entendo a reivindicação da Lar mas, temos todos os trâmites legais a vencer. Há um indicativo para que o Zoneamento Agrícola deva iniciar em no começo de setembro, porém isso só vai valer a partir da publicação da nova normativa que está em fase de estudos. A Embrapa deu parecer favorável”, animou Martins.

Fonte: Imprensa LAR

Publicado: OCEPAR

Texto originalmente publicado em:
OCEPAR
Autor: OCEPAR

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