O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial alelopático de extratos aquosos de corda-de-viola sobre a germinação de sementes de soja.

Autores:  Anderson Marcel Gibbert1; Hiago Canavessi2; Jaqueline de Araújo Barbosa3 Silvio Douglas Ferreira4; Vitor Gustavo Kuhn5; Daiane Bernardi6; Neumárcio Vilanova da Costa7

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A alelopatia ocorre após a liberação de compostos provenientes do metabolismo secundário das plantas no ambiente, sendo que estas substâncias podem atuar de forma indireta ou direta, e ainda, de modo benéfico ou maléfico sobre outros seres vivos (Gliessman, 2001; Brass, 2009).

A alelopatia possui várias aplicações, dentre elas o uso para controle de plantas daninhas e a determinação da interferência das plantas daninhas sobre as culturas, inibindo seu desenvolvimento e a produção. Zohaib et al. (2017), avaliaram o efeito alelopático das plantas daninhas Vicia sativa, Trigonella polycerata, Lathyrus aphaca, Medicago polymorpha, Melilotus indica sobre a germinação e produção de biomassa de plântulas de trigo, em que notaram efeitos significativos sobre a germinação do trigo, e concluíram que essas plantas daninhas devem ser erradicadas dos campos de trigo nos estágios iniciais.

Essas substâncias alelopáticas podem influenciar de diferentes formas e em vários estágios das culturas, tanto na germinação, como no crescimento e sobre seu desenvolvimento, podendo afetar seriamente a produção (Monteiro e Vieira, 2002).

Dessa maneira, o objetivo deste estudo foi avaliar o potencial alelopático de extratos aquosos de corda-de-viola sobre a germinação de sementes de soja.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Laboratório de Fisiologia Vegetal da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus de Marechal Cândido Rondon/PR, durante o período de 26 de janeiro de 2018 a 03 de fevereiro de 2018.

Os extratos aquosos de corda-de-viola (Ipomoea purpurea L.) foram obtidos através da trituração da parte aérea [material fresco (MF)] destas plantas com auxílio de um liquidificador, acrescentando-se água destilada até alcançar as concentrações de 0; 25; 50; 100 e 200 g MF L-1, sendo 0 g MF L-1 a testemunha com somente água destilada. Os extratos foram filtrados em papel filtro e ficaram em repouso por 24 horas.

Foram posicionadas 2 folhas de papel germitest autoclavadas (121°C± 2°C/20 min) por gerbox e acrescentados 10 mL de extrato. Após isso, procedeu-se a disposição de 25 sementes de soja da cultivar TMG 7262 RR por gerbox e dispostas em BOD, onde foram mantidas à temperatura de 25 °C ± 2°C, e com fotoperíodo 24 horas de luz. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, com quatro repetições, sendo cada gerbox uma parcela.

As avaliações foram realizadas a cada 24 horas, sendo consideradas germinadas as sementes que apresentaram emissão da radícula (Ferreira & Borghetti, 2004). Determinou-se a primeira contagem de germinação (%) ao 5º dia de teste e a contagem final para determinação da germinação total (%) foi realizada ao 8º dia. Conjuntamente, foi determinado o índice de velocidade de germinação (Brasil, 2009).


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Os dados obtidos foram submetidos à análise de regressão utilizando o programa estatístico SigmaPlot 12.0.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observa-se que houve redução na germinação de sementes de soja na primeira contagem (5º dia de teste) conforme elevou-se a concentração dos extratos aquosos de corda-de-viola (Figura 1), sendo que a maior redução na germinação foi obtida com a concentração de 200 g L-1, cerca 7,78% em relação à testemunha. Conforme se passaram os dias de teste, notou-se que a germinação foi menos afetada pela ação alelopática dos extratos aquosos ao 8º dia (Figura 2). Apesar disso, ainda houve influência dos extratos, sendo que novamente a concentração de 200 g L-1 gerou a maior redução, 4,05% em comparação à testemunha.

Figura 1 – Primeira contagem de germinação de sementes de soja submetidas a diferentes concentrações de extratos de corda-de-viola. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018. *Significativo a 5%.

Figura 2 – Porcentagem de germinação total de sementes de soja submetidas a diferentes concentrações de extratos de corda-de-viola. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018. *Significativo a 5%.

Em relação ao índice de velocidade de germinação, é possível observar que houve um decaimento quadrático conforme ocorreu o aumento da concentração dos extratos, sendo que a concentração de 200 g L-1 gerou 17,18% de redução em comparação à testemunha (Figura 3).

Figura 3 – Índice de velocidade de germinação de sementes de soja submetidas a diferentes concentrações de extratos de corda-deviola. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018. *Significativo a 5%.

O efeito alelopático tende a ser mais significativo sobre o índice de velocidade de germinação do que em relação à porcentagem de germinação (Ferreira e Áquila, 2000). Ducca e Zonetti (2008), encontraram resultados que corroboram com os obtidos no presente estudo, ao determinarem o efeito alelopático de aveia preta sobre a soja, sendo observado o atraso na germinação da soja devido à redução do índice de velocidade de germinação, mas a porcentagem de germinação não foi afetada.

CONCLUSÃO

Com base nos resultados obtidos, concluiu-se que os extratos aquosos de corda-de-viola possuem potencial alelopático negativo sobre a germinação de sementes de soja, limitando a velocidade e a porcentagem de germinação desta cultura.

REFERÊNCIAS

Brasil (2009) Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras para análises de sementes. Brasília, SNDA/DNDV/CLAV. 398p.

Brass, F. E. B. Análise de atividade alelopática de extrato aquoso de falsa murta sobre a germinação de picão-preto e caruru. Enciclopédia Biosfera, v. 5, n. 8, p. 1-19, 2009.

Ducca, F; Zonetti, P. C. Efeito alelopático do extrato aquoso de aveia preta (Avena strigosa Schreb.) na germinação e desenvolvimento de soja (Glycine max L. Merril). Revista em Agronegócios e Meio Ambiente, v. 1, n. 1, p. 101-109, 2008.

Ferreira, A. G.; Áquila, M. E. A. Alelopatia: uma área emergente da ecofisiologia. Revista Brasileira Fisiologia Vegetal, v. 12, p. 175-204, 2000.

Gliesmann S. R. Agroecosystem sustainability: developing practical strategies. CRC Press, Boca Raton, Florida, USA, 2001.

Monteiro, C. A., Vieira, E. L. Substâncias alelopáticas. In: Castro, P. R. C., Sena, J. O. A., KLUGE, R. A. Introdução à fisiologia do desenvolvimento vegetal. Maringá: EDUEM, p. 105122, 2002.

Zohaib, A.; Tabassum, T.; Anjum, S. A.; Abbas, T.; Nazir, U. Allelopathic effect of some associated weeds of wheat on germinability and biomass production of wheat seedlings. Planta Daninha, v. 35:e017167321, p. 1-12, 2017.

Informações dos autores:  

1Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR;

2Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR;

3Doutoranda em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR;

4Doutorando em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR;

5Mestrando em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR;

6Mestranda em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR;

7Docente/Orientador, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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