Nos últimos anos o melhoramento genético tem preconizado a obtenção de cultivares de soja mais produtivas, precoces, resistentes aos principais lepidópteros praga da cultura e ao herbicida glifosato e tolerantes e/ou resistentes aos nematóides formadores de galha, cisto e lesões radiculares, além de resistência a ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), a doença de parte aérea mais agressiva da cultura. Contudo a mancha alvo não parece ter sido foco dos programas de melhoramento nos últimos anos e tem aumento de expressão no cerrado a cada safra que passa, culminando em frequentes relatos de altas severidades na presente safra agrícola.

A mancha alvo (Corynespora cassiicola) costumava ser observada principalmente ao final do ciclo da soja, porém tem sido observada cada vez mais cedo, quando associadas cultivares suscetíveis e épocas com elevada precipitação pluvial, situação em que é potencialmente destrutiva.



O prolongado molhamento foliar auxilia o desenvolvimento da infecção. Os primeiros sintomas de mancha alvo em soja aparecem cerca de 5 a 7 dias após a penetração e temperaturas entre 20 a 30°C e umidade relativa do ar acima de 80% favorecem o desenvolvimento da doença (MELO, 2009).

Diversos níveis de danos são atribuídos à doença na literatura, variando de 10 a 20% no Tocantins (SILVA et al., 2008) até danos de 50% em algumas regiões do Brasil (PANIQUE, 2007).


Leia: Eficiência de fungicidas para o controle da mancha-alvo


O controle da doença em soja, em geral pode ser realizado através do uso de cultivares resistentes, tratamento de sementes, rotação de culturas com milho e outras gramíneas e controle químico através da aplicação de fungicidas em parte aérea (ALMEIDA et al., 2005).

Avaliação de alguns princípios ativo de fungicidas utilizados no controle de mancha-alvo foram feitas na Safra 2016/17 no estado do Mato Grosso, os resultados mostraram que a aplicação dos tratamentos com Mancozebe (2,0 e 3,0 kg ha-1), Fluazinan (1,0 L ha-1), Hidróxido de cobre (1,5 kg ha-1) e Oxicloreto de Cobre + Clorotalonil (1,5 L ha-1) proporcionaram menor severidade e progresso de mancha alvo na cultura da soja e a aplicação de Clorotalonil (1,5 L ha-1), Mancozebe (2,0 e 3,0 kg ha-1) e Fluazinam (1,0 L ha-1) proporcionaram maior massa de mil grãos e produtividade, quando comparados a testemunha. Trabalho divulgado pelo Portal Mais Soja, acesse aqui.


Confira material do FRAC Brasil (2017/18):

Informação preliminar sobre carboxamidas para mancha alvo em soja

“Resultados preliminares de ensaios em laboratório mostraram a presença de isolados com sensibilidade reduzida para os fungicidas SDHI em populações coletadas na safra 2017/2018. A caracterização genética dessas populações detectou a presença de mutações nos sítios-alvo B-H278Y e C-N75S em isolados com sensibilidade reduzida. A relevância e distribuição das mutações para a redução da sensibilidade a SDHIs estão sendo investigadas. Programas intensivos de monitoramento estão sendo conduzidos para investigar a magnitude e impacto destas descobertas.”


Em estudo, pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (confira o trabalho na íntegra aqui) constataram que as aplicações compostas pelos ingredientes ativos Piraclostrobina + Fluxapiroxade e Trifloxistrobina + Protioconazol, a partir do estádio fenológico R1, reduziram a severidade da doença, bem como a taxa de desfolha das plantas, promovendo maior incremento na massa de mil grãos e a produtividade de grãos em soja. Veja a tabela à seguir:

Pesquisas da UFSM (Confira o trabalho do Pesquisador Mauricio Stefanelo, acessando aqui), estudaram diferentes moléculas de fungicida, número e época de pulverizações, confira as combinações dos tratamentos utilizados abaixo:

Depois de avaliados, foi possível observar que a utilização de fungicidas que continham a molécula Fluxapiroxade mostraram-se mais eficientes no controle da mancha alvo, refletido no rendimento da cultura, independente do número de pulverizações. Veja os resultados de produtividade dos tratamentos estudados.

Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos da EMBRAPA, Safra 2017/18 (confira na íntegra acessando aqui) mostram que o maior controle e menor severidade foi obtida com o uso de: bixafen + protioconazol + trioxistrobina (T4), trioxistrobina + protioconazol (T3), piraclostrobina + epoxiconazol + fluxapiroxade (T5) e fluxapiroxade + oxicloreto de cobre (T7), com controle variando de 73% a 64%.

As maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com bixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T4 – 3971 kg ha-1), trifloxistrobina + protioconazol (T3  – 3889 kg ha-1), piraclostrobina + fluxapiroxade (T6 – 3811 kg ha-1), fluxapiroxade + oxicloreto de cobre  (T7 – 3800 kg ha-1), piraclostrobina + epoxiconazol +  fluxapiroxade (T5 – 3778 kg ha-1) e azoxistrobina + tebuconazol + mancozebe (T8 – 3704 kg ha-1.

PALAVRA DO PESQUISADOR:

Confira o que o Engº Agrônomo Mauricio Stefanelo da Ceres Consultoria fala sobre mancha-alvo.

Pesquisador ainda salienta que: “A escolha correta dos fungicidas, bem como o cultivo anterior são fatores a serem levados em consideração no controle da mancha alvo em soja, porém o conhecimento a respeito da suscetibilidade da cultivar utilizada é o principal ponto para o sucesso no manejo da doença.”

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Técnica Mais Soja

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