A cultura do trigo neste ano de 2021 no estado do Rio Grande do Sul bateu recorde em área semeada, com mais de 1 milhão de hectares. Com o preço atrativo do grão e expectativa de um bom retorno financeiro, é necessário ficar atento às doenças que podem aparecer na lavoura reduzindo a produtividade.

Um dos principais motivos na perda de produtividade na cultura do trigo está associado as manchas foliares e acabam aparecendo todos os anos, por possuírem uma sintomatologia de mais fácil visualização. Dois exemplos de manchas foliares em trigo que têm ocorrido no estado do Rio Grande do Sul são a mancha-amarela e a mancha da gluma, que são causadas por fungos necrotróficos com capacidade de sobrevivência em restos culturais entre uma safra e outra.

Os sintomas das manchas foliares em trigo no geral são parecidos, isso porque os agentes causais destas doenças pertencem a mesma ordem de fungos denominada Pleosporales, que tem por características, produzirem em sua forma sexuada, esporos denominados ascosporos.

Em relação à mancha-amarela, esta é a principal mancha foliar de trigo presente no Brasil. É causada pelo fungo Pyrenophora tritici-repentis.  O seu ciclo inicia na fase sexuada, onde as estruturas do fungo sobrevivem nos restos culturais do trigo e por meio de condições ambientais favoráveis, que seria principalmente os respingos de chuva associados a ventos, essas estruturas liberam ascósporos que atingem as primeiras folhas de trigo, causando as infecções primárias da doença. A partir dessa infecção inicial nas folhas mais jovens, as manchas já se tornam visíveis, inicialmente em pequenos pontos escuros com halos amarelos, que tomam formas geralmente elípticas, ao longo das folhas.

Os Esporos do fungo são produzidos sobre as primeiras lesões e liberados para infecção de novas folhas, sendo que se não houver aplicação de fungicidas, novas lesões são formadas e podem coalescer até a necrose total da folha infectada. A faixa ideal de temperatura para o desenvolvimento da doença está entre 18 °C e 28 °C, sendo necessário ao menos 30 horas de molhamento foliar e a máxima germinação de esporos ocorre a 19 ° C.

Fonte: Embrapa

A mancha da gluma é causada pelo fungo Phaeosphaeria nodorum (Stagonospora nodorum). Os sintomas iniciam com lesões cloróticas e, posteriormente, tomam formas elípticas, que coalescem e formam áreas necróticas ao longo da folha. O que diferencia esta doença é a formação de picnídios, que são as estruturas onde são formados os esporos do fungo, para as infecções secundárias, entre uma folha e outra. Esses picnídios são visíveis a olho nu e caracterizam-se por serem pequenos pontos escuros ao longo das lesões.



A mancha da gluma ocorre nas glumas, brácteas florais, nós das plantas e também nas folhas, onde os picnídios podem ser observados sobre as lesões. Após um período de alta umidade, uma massa de esporos é liberada dos pcnídios, a qual apresenta um aspecto pastoso e de coloração parda a salmão. A faixa de temperatura ideal para o desenvolvimento da doença está em torno de 20 °C a 25 °C, sendo necessário um período de molhamento foliar de 12 a 18 horas. Este fungo pode permanecer viável por até três anos nos restos culturais, constituindo-se em fonte de inóculo de uma safra para outra, além de ser transmitido também por sementes, sendo que 3% de sementes infectadas são suficientes para causar epidemia.

Uma das principais medidas para redução da ocorrência dessas doenças é a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, além do uso de cultivares resistentes, principalmente quando já se observou a presença das manchas em safras passadas.  Além disso, a aplicação de fungicidas registrados para a cultura do trigo é essencial, sendo indicado fungicidas principalmente dos grupos dos triazóis e estrobilurinas.

Em áreas de trigo, por exemplo, o controle químico, tanto de semente como parte aérea se torna indispensável. Para uma melhor eficiência do tratamento químico com fungicida, é preciso ficar claro, que tanto o produtor e/ou técnico deve estar atento aos primeiros sintomas dessas doenças com aplicação desse fungicida de forma preventiva e antecipada e não após as doenças já terem tomado conta da lavoura.

Autores: Éverton Manfio e Poliana Bortoluzzi, membros do grupo PET Ciências Agrárias, com supervisão do professor Claudir Basso.

REFERÊNCIAS:

LAU, Douglas et al. Principais doenças do trigo no sul do Brasil: diagnóstico e manejo. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2020. 45 p.



Foto de capa: Embrapa

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