Manejo de plantas daninhas resistentes: hora da dessecação em pré-semeadura

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A competição provocada pelas plantas daninhas pode resultar em perdas significativas na produção de qualquer cultura. Das táticas de manejo a serviço do agricultor, destaca-se o controle químico, realizado pela aplicação de herbicidas e neste sistema um assunto tem se tornado muito importante: a resistência das infestantes.

Resistência é a capacidade das plantas daninhas sobreviverem à aplicação de um herbicida, ao qual era susceptível. É de ocorrência natural, pela evolução e adaptação às mudanças do ambiente e as práticas agrícolas, principalmente o uso contínuo de um mesmo herbicida, ou de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. No Brasil, já existe o relato de 41 espécies resistentes a herbicidas. Atualmente, a maior preocupação é com as plantas daninhas resistentes ao glifosato, que, no país já são oito casos, com destaque para o azevém, a buva e o capim-amargoso.

A rápida disseminação destas espécies ocorreu por algumas características específicas, mas uma deve ser destacada: a adaptação as condições de entressafra. Justamente por esta situação, os produtores devem iniciar o controle neste período, que vai da colheita da cultura de inverno (se houve este cultivo) até a semeadura da cultura de primavera/verão. O primeiro passo para o manejo de entressafra é realizar o monitoramento da área, que consiste em mapear a infestação na propriedade, identificando as espécies, quantificando as populações e o estádio de desenvolvimento das infestantes.

A partir deste diagnóstico o produtor deve montar seu plano de controle, que deve ser baseado nos princípios do manejo integrado de plantas daninhas (MIPD), que tem entre os principais métodos de controle de entressafra o mecânico, como a capina manual e a roçada, e o químico, pelo uso de herbicidas, que é o método mais utilizado pelos agricultores.

A aplicação de herbicidas neste período é conhecida como operação de manejo ou dessecação de pré-semeadura, sendo os melhores resultados obtidos com o sistema sequencial, isto é, o controle químico realizado em duas etapas, geralmente utilizando-se herbicidas sistêmicos na primeira aplicação, seguido de herbicidas de contato na segunda aplicação, com intervalo entre as aplicações entre oito a 21 dias. Só depois que houver o controle dessas plantas daninhas é o que o produtor deve entrar na área para fazer a semeadura, pois é importante que a soja inicie o desenvolvimento sem competição com as plantas daninhas, evitando possíveis perdas de produtividade.

Fonte: EMBRAPA, RADAR DA TECNOLOGIA

Autor: Fernando Storniolo Adegas, pesquisador da Embrapa Soja

Texto originalmente publicado em:
EMBRAPA SOJA
Autor: Fernando Storniolo Adegas, pesquisador da Embrapa Soja

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