O solo é o principal suporte para o crescimento e desenvolvimento de plantas, serve como meio de sustentação, suporte de nutrientes, água e ar para o sistema radicular. É interessante compreender o solo como um sistema trifásico, aberto e frágil, onde é necessário que se toma alguns cuidados para manutenção e bom funcionamento desse sistema.

Os manejos físico, químico e biológico do solo devem ser vistos como um conjunto de fatores interligados que juntos influem no sucesso e manutenção do sistema produtivo, sendo um dos principais insumos de produção. Para realizar o correto manejo do solo, é necessário conhecer algumas características, como tipo de solo, textura, estrutura, pH, CTC, matéria orgânica do solo, profundidade do perfil, resistência a penetração, entre outras informações.  O correto manejo do sistema deve levar em consideração a conservação do solo e manutenção do sistema produtivo, otimizando os recursos e maximizando a produção.

Manejo Físico do solo

Para manejar corretamente atributos físicos do solo, é necessário avaliar e conhecer alguns indicadores e sua interferência no sistema produtivo. Processos hidrológicos, tais como taxa de infiltração de água no solo, escoamento superficial, drenagem e erosão do solo, segundo GOMES & FILIZOLA (2006), são diretamente afetados por características físicas do solo.

Solos arenosos, apresentam textura mais grosseira, tendo como característica maior macroporosidade em relação a solos argilosos, contudo, solos argilosos apresentam maior quantidade de microporos e consequentemente maior capacidade de retenção de água. O manejo físico do solo deve possibilitar a conservação da porosidade, aeração e estrutura do solo, de forma que as plantas encontrem ambiente favorável ao desenvolvimento de raízes, sem impedimento físico ou restrição de ar e água.

Segundo REICHERT et. al, (2007), a compactação é o adensamento do solo, causada por aplicação de energia mecânica, e resultando na diminuição de macroporos e espaço aéreo no solo, podendo interferir na infiltração de água no solo, e em alguns casos até dificultar o crescimento e desenvolvimento de plantas, causando impedimento físico ao estabelecimento de sistemas radiculares.

Além disso, avaliando a relação entre a compactação do solo e a produtividade da soja, BAULTER & CENTURION (2004), encontraram resultados que demonstram que a partir de 0,85 MPa de resistência à penetração, a produtividade da soja é diminuída, podendo ultrapassar  1000 Kg.ha-1 de perdas (figura 1), o que significa que quanto mais compactado o solo, maior a perda de produtividade oriunda do fator compactação.

Figura 1. Relação entre a resistência à penetração e a produtividade de soja.

Adaptado: BOULTER & CENTURION (2004).

Veja Também: Compactação do solo e o uso de plantas de cobertura

O manejo da física do solo pode ser realizado com o planejamento do sistema de produção utilizando rotação de culturas, plantas de cobertura com capacidade de descompactação do solo e boa produção de massa seca, controle do escoamento superficial e subsuperficial e de práticas como escarificação e subsolagem em casos de solos mais compactados. O tráfego controlado de maquinas também pode ser uma alternativa de controle da compactação do solo melhorando o manejo físico, contudo as práticas mais simples na minimização da compactação ainda são o controle da entrada de máquinas em condições de umidade do solo inadequadas e o uso da rotação de culturas.

Manejo químico do solo

Quando pensamos em manejar a química do solo, é importante conhecer alguns parâmetros base que estão relacionados a parte química. Primeiramente, deve-se conhecer o tipo de solo, bem como o teor de argila, CTC, Matéria Orgânica e pH. Os elementos químicos presentes no solo, estão ligados às partículas de solo por cargas elétricas, essa ligação está diretamente relacionada com a CTC do solo, que por sua vez é influenciada pelo teor de argila e matéria orgânica do solo.

 

De modo geral, o que se busca no manejo químico do solo é a neutralização de elementos tóxicos e a disponibilidade de elementos benéficos às plantas. O manejo nutricional deve ser realizado por meio da análise química do solo (análise de fertilidade) para diagnóstico e correção dos níveis de nutrientes no solo a fim de atender as necessidades da cultura e manutenção do sistema.

A atenção deve ser redobrada com o pH do solo, dentro da escala  de pH há uma faixa de maior absorção de nutrientes pelas plantas (pH de 6,0 a 7,0), fora desta faixa, por mais que o solo apresente maiores teores de nutrientes, estes não estarão disponíveis à absorção pelas plantas (figura 2).

Figura 2. pH x disponibilidade de nutrientes no solo.

Adaptado: CASARIN (2016).

Manejo Biológico do solo

Além de partículas minerais, no solo também encontramos partículas orgânicas e organismos vivos. Essas partículas são oriundas de resíduos vegetais como palhada residual de culturas agrícolas e plantas de cobertura. Os organismos vivos encontrados no solo, são constituídos por fungos, hifas, macro, meso e microfauna do solo, e desempenham papel fundamental na estruturação e conservação do solo.

Atuando de forma conjunta, esses organismos podem produzir galerias no solo, auxiliando na infiltração de água e aeração do solo, além de decompor resíduos orgânicos contribuindo na formação da matéria orgânica no solo. Seus excrementos atuam como agente cimentante entre as partículas do solo, melhorando a estabilização de agregados.

O correto manejo da biologia do solo deve levar em consideração a manutenção desses organismos vivos, proporcionando condições favoráveis para seu desenvolvimento. Isso é possível através do uso de rotação de culturas, proporcionando resíduos par servir de cobertura do solo e alimento a estes organismos, além de auxiliar na conservação do solo a incremento da matéria orgânica.

Veja também: Matéria orgânica no solo – importância, manejo e construção

O correto manejo do solo não é uma tarefa fácil, os atributos físicos, químicos e biológicos devem ser analisados e manejados de forma conjunta para o sucesso do sistema, cabe agora planejar e realizar as atividades necessárias.

Referências:

BEULTER, A. N.; CENTURION, J. F. COMPACTAÇÃO DO SOLO NO DESENVOLVIMENTO RADICULAR E NA PRODUTIVIDADE DA SOJA. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.39, n.6, p.581-588, jun. 2004.

CASARIN, V. DINÂMICA DE NUTRIENTES NO SISTEMA SOLO-PLANTA VISANDO BPUFs. IPNI – Brasil, Paragominas, PA, Ago. 2016.

GOMES, M. A. F.; FILIZOLA, H. F. INDICADORES FÍSICOS E QUÍMICOS DE QUALIDADE DE SOLO DE INTERESSE AGRÍCOLA. Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna, 2006.

REICHERT, J. M.; SUZUKI, L. E. A. S.; REINERT, D. J. COMPACTAÇÃO DO SOLO EM SISTEMAS AGROPECUÁRIOS E FLORESTAIS: IDENTIFICAÇÃO, EFEITOS, LIMITES, CRÍTICOS E MITIGAÇÃO. Tópicos Ci. Solo, p. 49-134, 2007.

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Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo.

Foto de Capa: Prof. Tales Tiecher.

 

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