O  objetivo foi avaliar os tratamentos com fungicidas e a necessidade de reforço com o multissítio a base de mancozebe ou triazois, em diferentes momentos da cultura da soja 
Autores:  Filipe A. Dalenogare1; Mateus C. Dorneles1; Gabriel N. Róos1; Cristiano S. Bonato1, Janquiel Dahm1; Marcelo G. Madalosso2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

Existem vários fatores que limitam a produtividade em soja, reduzindo a sua área fotossintética. Entre as principais, a Ferrugem Asiática (Phakopsora pachyrhizi) é considerada a mais destrutiva, com perdas acima de 80% sendo comuns. As plantas atacadas sofrem desfolha e maturação antecipada em relação as plantas não infectadas pela ferrugem.

A aplicação de fungicidas é a principal ferramenta de controle adotada pelos agricultores (Godoy, 2009). Pesquisas sobre associações e posicionamento de fungicidas são de extrema importância para altas produtividades na sojicultura, servindo para ter melhor orientação e posicionamento para o controle desse patógeno. O objetivo foi avaliar os tratamentos com fungicidas e a necessidade de reforço com o multissítio a base de mancozebe ou triazois, em diferentes momentos da cultura da soja.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no município de Manoel Viana/RS, de dezembro de 2017 a abril de 2018. Foi utilizado a cultivar de soja BS 2606 IPRO. A semeadura ocorreu em 01 de dezembro de 2017. Densidade e adubação foram de acordo com a recomendação da cultivar. O delineamento estatístico foi de blocos ao acaso, com seis tratamentos e cinco repetições. As aplicações foram realizadas com pulverizador costal elétrico e pressão constante de 2 bar, vazão de 100 litros por hectare. Quanto aos tratamentos, foram utilizados seis tratamentos mais uma testemunha.

A partir da segunda aplicação de fungicida, quando a cultura encontrava-se em estádio final de florescimento (R2), com intervalos de 7 dias, começaram as avaliações de severidade de cada parcela para acompanhar a evolução da doença, onde avaliou-se as folhas do terço inferior, médio e superior.A área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD*) foi elaborado posteriormente, Campbell & Madden (1990).

Após colheita das parcelas ter sido realizada, avaliou-se alguns componentes de rendimento, como: contagem do número de grãos, peso de mil sementes, ambos por terço de planta e média da parcela e finalizando com a produtividade de cada tratamento. Foi analisado, junto ao peso de mil sementes o teor de umidade dos mesmos.

Esses dados foram submetidos à análise de variância pelo teste de F e as médias, quando tiveram diferenças significativas, foram comparadas pelo teste de Scott-knott a 5% de significância. Para realizar a análise dos dados, utilizou-se o software estatístico SASM-Agri, Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas, versão 8.2.

Para o controle de doenças e avaliar a produtividade da cultivar, foi utilizado programa de controle químico, com suas respectivas doses e estádio da cultura no momento da aplicação. Foram utilizadas 4 aplicações, respectivamente: V7, R2, R5.0 e R5.4

O tratamentos 2 (T2) obteve os princípios ativos como base, utilizando nas duas primeiras aplicações Azoxistrobina + Benzovindiflupir (Az + Bz) 0,3kg/há, e nas duas últimas Azoxistrobina + Ciproconazol (Az + Cp) 0,3lt/há. Como reforço, foram utilizados, a partir da segunda aplicação, Difeconazol + Ciproconazol (Df + Cp) 0,3lt/há.

No T5, as duas primeiras aplicações foram utilizadas Tf + Pr 0,4lt/há e nas duas últimas foram utilizados Tf + Cp 0,2lt/há.


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Os T3 e T6 receberam três reforços (Mz 1,5kg/há) a partir da segunda aplicação. Os T4 e T7 receberam os mesmos reforços utilizados, porém realizados na terceira e quarta aplicações. Sendo que as aplicações bases do T3 e T4 foram: duas primeiras aplicações Az + Bz 0,3kg/há, duas ultimas aplicações Az + Cp 0,3lt/há. Na base do T6 e T7, as duas primeiras foram de Trifloxistrobina + protioconazol (Tf + Pr) 0,4lt/há e duas últimas aplicações Tf + Cp 0,2lt/há. Foi adicionado Nimbus 0,4L há, quando usado Az + Bz; e foi adicionado Áureo 0,25L/há, quando utilizado o Tf + Pr. 

RESULTADO E DISCUSSÕES

Os tratamentos diferiram quanto a severidade da ferrugem. Os tratamentos que receberam reforço com Mz obtiveram uma taxa de progresso de doenças menor comparado aos outros tratamentos. O tratamento 7 foi o que obteve a menor taxa de severidade, seguido dos tratamentos 6 e 3, conforme figura, (figura1):

Gráfico 1 – Gráfico representando a AACPD, analisando a Phakopsora pachyrhizi durante o período de experimento. Manoel Viana – RS, safra 17/18.

Os tratamentos também diferiram quanto a produtividade, a associação de Mz com fungicidas de sítio específico incrementou aumento na produtividade. Os T3 e T6 receberam três aplicações de Mz, sendo que o tratamento T6 obteve a maior produtividade do ensaio com 27,22 % de incremento de produção comparado à testemunha. Os tratamentos que receberam duas aplicações de Mz (T4 e T7) também obtiveram aumento na produtividade, comparados aos tratamentos sem Mz (T2 e T5), sendo que o T2 recebeu reforço com dois triazois (Tabela 1).

Tabela 1 – Avaliação de produtividade (sacas por hectare) pelo teste de Tukey. Manoel Viana safra 2017/2018.



CONCLUSÃO

O T6 obteve melhores resultados de produtividade entre os tratamentos. A aplicação de mancozebe resultou em um aumento de produtividade em todos os tratamentos que foram utilizados. A adição de mancozebe nas aplicações proporcionou resultados mais satisfatórios, que misturas de triazol.

REFERÊNCIAS

GODOY, C.V. [et.al.] 2009. Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2009/10: resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Londrina, Brasil: Embrapa Soja publicação n. 69.

CAMPBELL, C. L.; MADDEN, L. V. Introduction to plant disease epidemiology. 1990. 532 p.

CANTERI, M.G.; ALTHAUS, R.A.; VIRGENS FILHO, J.S. das; GIGLIOTI, E.A.; GODOY, C.V. SASM-Agri: sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas pelos métodos Scott-Knott, Tukey e Duncan. Revista Brasileira de Agrocomputação, v.1, p.18-24, 2001.

SASM- Agri: Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas Versão 8.2.

Informações dos autores:  

1 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus Santiago/RS;

2 Professor do Curso de Agronomia, Universidade Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus Santiago/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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