Objetivo do trabalho é avaliar a necessidade de adição de fungicidas mancozebe ou triazóis aos fungicidas convencionais, posicionados sobre cultivar com tecnologia INOX®.

Autores:  Mateus C. Dorneles1; Filipe A. Dalenogare1; Gabriel N. Róos1; Cristiano S. Bonato1; Felipe S. Carpes1, Marcelo G. Madalosso2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A cultura da soja é de grande importância mundial. Vários fatores limitam a produtividade da cultura, umas das principais, as doenças. Uma das doenças mais severas que incide sobre a cultura é sem dúvidas a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi). A realização do controle químico é fundamental, sendo o principal método. Porém, devemos realizar sempre aplicações de maneira preventiva (primeira aplicação em estagio vegetativo).

Além do controle químico, também temos a ferramenta genética, hoje no mercado de sementes, encontramos cultivares com a presença da tecnologia INOX®, que provocam um retardamento na taxa de progresso da doença. O uso de cultivares com resistência genética parece ser uma alternativa bastante viável a partir do momento que se tem cultivares resistentes disponíveis no mercado, como é o caso da soja INOX® (Henning, 2014).

Objetivo do trabalho é avaliar a necessidade de adição de fungicidas mancozebe ou triazóis aos fungicidas convencionais, posicionados sobre cultivar com tecnologia INOX®.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na área experimental da Agropecuária Trombeta, em Manoel Viana, fronteira oeste do Rio Grande do Sul, durante o período de dezembro de 2017 a abril de 2018. No experimento realizado, foi utilizada a cultivar TMG 7067 IPRO.

A semeadura foi realizada no dia 1º de dezembro de 2017, na área experimental da Agropecuária Trombeta, densidade de semeadura adubação foram de acordo com a recomendação da variedade. O delineamento estatístico utilizado foi blocos ao acaso, com seis tratamentos e cinco repetições de cada tratamento, além da testemunha, totalizando um montante de trinta e cinco parcelas. Cada parcela tinha as dimensões de 6 x 5,5 metros.

A partir da segunda aplicação de fungicida, quando a cultura encontrava-se em estádio final de florescimento (R2), com intervalos de 7 dias, começaram as avaliações de severidade de cada parcela para acompanhar a evolução da doença, onde avaliou-se as folhas do terço inferior, médio e superior. A área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD*) foi elaborado posteriormente, Campbell & Madden (1990).

Após colheita das parcelas ter sido realizada, avaliou-se alguns componentes de rendimento, como: contagem do número de grãos, peso de mil sementes, ambos por terço de planta e média da parcela e finalizando com a produtividade de cada tratamento. Foi analisado, junto ao peso de mil sementes o teor de umidade dos mesmos.

Esses dados foram submetidos à análise de variância pelo teste de F e as médias, quando tiveram diferenças significativas, foram comparadas pelo teste de Scott-knott a 5% de significância. Para realizar a análise dos dados, utilizou-se o software estatístico SASMAgri, Sistema para análise e separação de médias em experimentos agrícolas, versão 8.2.

Para o controle de doenças e avaliar a produtividade da cultivar, foi utilizado programa de controle químico, com suas respectivas doses e estádio da cultura no momento da aplicação. Foram utilizadas 4 aplicações, respectivamente: V7, R2, R5.0 e R5.4

O tratamentos 2 (T2) obteve os princípios ativos como base, utilizando nas duas primeiras aplicações Azoxistrobina + Benzovindiflupir (Az + Bz) 0,3kg/ha, e nas duas últimas Azoxistrobina + Ciproconazol (Az + Cp) 0,3lt/ha. Como reforço, foram utilizados, a partir da segunda aplicação, Difeconazol + Ciproconazol (Df + Cp) 0,3lt/ha.

No T5, as duas primeiras aplicações foram utilizadas Tf + Pr 0,4lt/há e nas duas últimas foram utilizados Tf + Cp 0,2lt/há.


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Os T3 e T6 receberam três reforços (Mz 1,5kg/há) a partir da segunda aplicação. Os T4 e T7 receberam os mesmos reforços utilizados, porém realizados na terceira e quarta aplicações. Sendo que as aplicações bases do T3 e T4 foram: duas primeiras aplicações Az + Bz 0,3kg/há, duas ultimas aplicações Az + Cp 0,3lt/há. Na base do T6 e T7, as duas primeiras foram de Trifloxistrobina + protioconazol (Tf + Pr) 0,4lt/há e duas últimas aplicações Tf + Cp 0,2lt/há. Foi adicionado Nimbus 0,4L há, quando usado Az + Bz; e foi adicionado Áureo 0,25L/há, quando utilizado o Tf + Pr.

RESULTADO E DISCUSSÕES

O padrão de esporulação de P. pachyrhizi caracteriza-se por apresentar curva de produção diária de esporos, com vários picos de máxima esporulação distribuídos durante todo período infeccioso (Melching et al., 1979).

O T7, obteve nas duas últimas aplicações, a mistura de estrubilurina + triazol juntamente com Mz, apresentou menor severidade, seguido pelos tratamentos 2, 3 e 5, que não tiveram diferenças significativas entre si, como podemos analisar no Gráfico 1.

Gráfico 1 – Gráfico representando a AACPD, analisando a Phakopsora pachyrhizi durante o período de experimento. Manoel Viana – RS, safra 17/18. 

Nas avaliações de PMS, a testemunha teve um peso inferior comparado aos demais tratamentos. A explicação para isso pode estar no fato de que um dos principais componentes de rendimento afetados pela ferrugem é o tamanho do grão (Costamilan et al., 2002).

A máxima produtividade foi do T6 (Tabela 1), com a primeira aplicação de Tr. + Pr. (0,4lt/ha), seguida de três aplicações acompanhadas de Mz, aumento de 26,7%. Em segundo lugar ficou o T3, com a primeira aplicação de Az. + Benz. (0,3kg/ha), seguida, assim como a anterior, por três aplicações acompanhadas de Mz.

Tabela 1 – Número de grãos, peso de mil sementes e produtividade de soja INOX®. Manoel Viana RS, 2018.





 CONCLUSÃO

Mesmo o uso de cultivar Inox® necessita de proteção química. O T6 obteve melhores resultados de produtividade entre os tratamentos. A aplicação de mancozebe resultou em um aumento de produtividade em todos os tratamentos que foram utilizados. A adição de mancozebe nas aplicações proporcionou resultados mais satisfatórios, que misturas de triazol.

REFERÊNCIAS

CAMPBELL, C.L; MADDEN, L.V. Introduction to Plant Disease Epide miology. John Wiley & Sons, New York, NY, USA. 1990.

MELCHING, J.S.; BROMFIELD, K.R.; KINGSOLVER, C.H. Infection, colonization and uredospore production on Wayne soybean by four cultures of Phakopsora pachyrhizi, the cause of soybean rust. Phytopathology 69:1262-1265. 1979.

COSTAMILAN, L.M.; BERTAGNOLLI, P.F; YORINORI, J.T. Avaliação de danos em soja causados por ferrugem asiática. REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL, 30, 2002, CRUZ ALTA. Atas e Resumos… Cruz Alta: FUNDACEP, 2002. p.99.

HENNING, A. A. et al. Manual de Identificação de Doenças da Soja. Documentos 256. Embrapa Soja. 5° edição. Abril 2014.

Informações dos autores:  

1 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus Santiago/RS;

2 Professor do Curso de Agronomia, Universidade Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus Santiago/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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