Embora não seja considerada uma planta daninha tão popular quanto buva (Conyza spp.) e capim-amargoso (Digitaria insularis), o caruru (Amaranthus spp.) vem ganhando espaço nas lavouras brasileiras, se destacando pela elevada capacidade de causar danos e a complexidade de manejo. Conforme destacado por Zanatta et al. (2008), das 60 espécies de caruru a nível global, 10 apresentam importância agrícola no Brasil.

Nos Estados Unidos da América (EUA), as plantas de caruru já são velhas inimigas na agricultura americana, cujo o Amaranthus palmeri  pode ser considerada a principal planta daninha em áreas de cultivo. Conforme destacado por Gazziero & Silva (2017), o caruru gigante (Amaranthus palmeri) pode crescer de 2,5 a 4 cm por dia, causando reduções de produtividade superiores a 91% em milho, 79% em soja e 77% em algodão. Além disso, uma planta de caruru gigante pode produzir de 80.000 a 250.000 sementes, facilitando significativamente o aumento populacional da daninha.

Além dos EUA, plantas do gênero Amaranthus se destacam em lavouras Argentinas, onde as áreas infestadas com caruru são superiores as áreas cultivadas com soja. Entretanto, na Argentina além do Amaranthus palmeri,  espécies como o Amaranthus hybridus  são frequentemente encontradas infestando lavouras.

Conforme destacado por Mauro Rizzardi em mais um episódio do MISSÃO CARURU, tanto nos EUA quanto na Argentina o manejo e controle do caruru é extremamente complexo em virtude da grande quantidade de casos de resistência dessa planta daninha a herbicidas. A lista de mecanismos de ação ao qual as espécies de caruru apresentam resistência em ambos os países é vasta, incluindo entre outros,  herbicidas inibidores da ALS, mimetizadores de auxinas e inibidores da EPSPs como o glifosato.

Em virtude da complexidade de manejo e controle, os EUA passou a adotar praticas de manejo visando mitigar os casos de resistência do caruru a herbicidas, tais como rotação de mecanismos de ação de herbicidas, uso de herbicidas pré-emergentes, sobreposição do efeito residual dos herbicidas e controle/redução da disseminação de sementes de caruru entre outras práticas. Na Argentina o cenário não é diferente, visto que adequações no manejo de plantas daninhas vem sendo realizadas visando maior eficiência de controle do caruru.

Pode-se dizer que o caruru é uma planta daninha com elevada capacidade de infestação e rápida disseminação, apresentando ainda um complexo manejo e controle. Embora os casos de resistência dessa daninha a herbicidas sejam bem menores no Brasil, práticas de manejo visando um controle eficiente do caruru utilizando não só herbicidas pós-emergentes são essenciais para evitar que futuramente não venhamos a presenciar no Brasil, cenários semelhantes aos vivenciados por EUA e Argentina.


Veja mais: MISSÃO CARURU – Episódio 13 – Casos de Resistência no Brasil


Confira abaixo mais um episódio do MISSÃO CARURU.


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Referências:

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DO Amaranthus palmeri. Embrapa, Documentos, 384, 2017. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/159778/1/Doc-384-OL.pdf >, acesso em: 27/07/2021.

HEAP , I. The International Herbicide-Resistant Weed Database, 2021. Disponível em: < http://www.weedscience.org/Pages/Case.aspx?ResistID=5735 >, acesso em: 27/07/2021.

ZANATTA, J. F. et al. TEORES DE ÁGUA NO SOLO E EFICÁCIA DO HERBICIDA FOMESAFEN NO CONTROLE DE Amaranthus hybridus. Planta Daninha, Viçosa, MG, v.26,n. 1, p. 143-155, 2008. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/372514/1/Teores0001.pdf >, acesso em: 27/07/2021.

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