Quando se fala nas espécies de mosca-branca, destaca-se sempre a capacidade de sobreviver em diferentes hospedeiros (polifagia), com registro de ocorrência em espécies agrícolas, ornamentais e florestais. Recentemente produtores de soja da localidade de Nova Mutum – MT, relataram a presença de mosca-branca em árvores jovens (de 1 ano) de eucalipto.


O material silvicultural é jovem e está em fase de implantação, concluída em uma área de 300 hectares de 1000 pretendidos. A área já implantada é lindeira a uma lavoura de soja, em que o produtor observou a migração da praga da cultura da soja para fedegoso (Cassia tora) e então para a espécie florestal.

O produtor acredita que a atividade migratória se deu devido a atratividade nutritiva da planta de eucalipto, que recebeu um considerável aporte de nutrientes por meio de adubação nitrogenada a pouco tempo. Este comportamento já foi observado em outras culturas, especialmente hortícolas.

 

Planta de Eucalipto atacada por Mosca-branca

Em produtores vizinhos da mesma região, segundo informações fornecidas ao Molecular Insect Lab – UFSM, o número de aplicações para controle de espécies B. tabaci em soja na safra 2017/18 chegou a 8, mostrando que a região é favorável ao estabelecimento desta praga e que nesta safra (2018/19) novos surtos devem ocorrer.

O relato de ocorrência de mosca-branca em eucalipto é pouco comum, Ferreira et al. (2008) relatou a ocorrência de Bemisia tabaci (Gennadius, 1889), em Eucaliptus camaldulensis, no estado de Minas Gerais. Confira o trabalho aqui.

Injúria de mosca-branca em planta de Eucalipto

Não existem produtos químicos registrados para controle de mosca-branca em eucalipto. Há recomendações de pulverizações de emulsões de sabão e óleo mineral entre outros, em combinação com calda de fumo. Outra alternativa é o controle biológico com o uso de parasitoides de ninfas de mosca-branca (AKI et al., 2009).

O estabelecimento da praga em culturas alternativas preocupa técnicos e produtores de soja, isso porque essa atividade e comportamento leva ao aumento do inóculo, que em situações favoráveis migram para a soja e algodão.

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja
Apoio: Molecular Insect Lab – Coordenado pelo Prof. Jonas Arnemann PhD (Universidade Federal de Santa Maria)


Bibliografia de suporte:

AKI, A.; MAEDA, C.; CALDERAN, CH.; GOULART, I. C. G.; MACHADO, L. M. B.; STUMPFF, M.; COSIGNANI, P. S.; MEIRELLES, R.; BARRETO, R.; PHILIP, T.; ANDERSON, T. Cochonilha.

FERREIRA, C. S., TORRES, L. C., CARVALHO, C. F. & SOUZA, B. Ocorrência
de Bemicia tabaci biótipo B em Eucalyptus camaldulensis. Arquivos do Instituto Biológico, v. 75, p. 527-528, 2008.

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