Na Argentina, assim como no Brasil, o glifosato há muito tempo deixou de ser uma ferramenta de controle para a Buva. Em 2015, sua resistência foi finalmente confirmada, tanto em C. bonariensis quanto em C. sumatrensis no estado do Paraná (BR), Entre Ríos (AR) (Puricelli et al., 2015).

Mas antes disso, outros herbicidas eram amplamente utilizados para seu controle, sendo dois grupos os mais freqüentes devido à sua grande efetividade: inibidores hormonais e ALS, o primeiro para o seu controle em pós-emergência e o segundo para o seu controle tanto pré-emergente quanto pós-emergente para controle da erva daninha.

Recentemente, falhas de controle de campo com herbicidas inibidores de ALS começaram a ser notadas na Argentina, de modo que os estudos científicos correspondentes começaram para comprovar ou não.

Marcelo Metzler, especialista do INTA – Entre Ríos, detectou casos suspeitos com herbicidas aplicados em pós-emergência de plantas daninhas no Uruguai e San Salvador. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias da UNR estão corroborando a existência de biótipos resistentes a este grupo de herbicidas em experimentos dose-resposta em condições semicontrolado.

A pressão de seleção que tem sido exercida com esses herbicidas é muito alta, uma vez que eles são amplamente utilizados nos longos pousios do outono e como resíduos nos cereais de inverno, trigo e cevada.

Além disso, seu uso é frequente na curta primavera de pousio, tanto para o controle de plantas que nasceram no inverno, como para cobrir novas camadas de nascimentos desta época. Portanto, seria de se esperar que, mais cedo ou mais tarde, algum caso de resistência fosse registrado.

Entre os inibidores da ALS, os mais utilizados são: metsulfuron, chlorimuron, diclosulam e as misturas comerciais metsulfuron + clorsulfuron, chlorimuron + sulfometuron e iodosulfuron + tiencarbazone.

Embora todos eles pertençam ao mesmo local de ação, isso não implica que, se uma resistência for confirmada para todos os ativos, pode ser que alguns ainda tenham controle.

Pode-se dizer que a resistência aos inibidores da ALS não é um evento tão raro, pois é o local de ação que tem mais casos de resistência em todo o mundo, com 160 casos, dos quais 98 correspondem a plantas daninhas dicotiledôneas.

Em relação ao gênero Conyza, em 2011 foram registrados os primeiros casos de resistência em C. sumatrensis aos inibidores da ALS no Brasil – um caso de resistência ao Chlorimuron (ALS) e outro de múltipla resistência ao Chlorimuron (ALS) e ao glifosato (EPSPS), e mais recentemente, em 2017, também no Brasil, foi registrado um biótipo resistente a herbicidas que atuam em três diferentes locais de ação: o clorimuron (ALS), o glifosato (EPSPS) e o paraquat (fotossistema I).

No mesmo ano, outro biótipo resistente a 5 sítios de ação foi relatado: 2,4D (Auxínico), Diuron (Fotosistema II), Glifosato (EPSPS), Paraquat (Fotossistema I) e Saflufenacil (PPO). No vizinho Uruguai também houve numerosas dificuldades de controle de Conyza quando utilizados herbicidas inibidores de ALS, embora a resistência ainda não tenha sido confirmada.

Além das ferramentas químicas existentes para controlá-las, a perda de herbicidas da ALS significaria uma grande mudança na forma usual à medida que é tratada. Como culturas de cobertura são compostas especialmente de gramíneas, estes herbicidas são grandes aliados para essa tarefa.

Como herbicidas alternativos, pode-se utilizar herbicidas com efeito residual ou com controle em plantas recém germinadas: PPO (flumioxazina); Fotossistema II (Atrazine, Metribuzin, Amicarbazone) e PDS (Diflufenican). e também herbicidas de pós-emergência da erva daninha: PPO (Saflufenacil, Carfentrazone, Piraflufen); Fotossistema I (Paraquat) e Glutamina Sintetase (Glufosinato de Amônio).

Segundo pesquisadores do INTA  muito importante estar alerta para possíveis falhas de controle e informá-las. Em relação à gestão, e pensando já na próxima campanha, planeje-a com a maior diversidade possível, tanto no que diz respeito aos herbicidas que serão aplicados, quanto a todas as outras práticas não químicas, como adoção de cobertura vegetal, para diminuir o número de plantas que irão emergir, quanto técnicas mais simples, como dessecação antecipada e utilização de herbicidas residuais..

Fonte: Aapresid – REM, com adaptação da Equipe Mais Soja

Texto originalmente publicado em:
Aapresid - REM
Autor: Aapresid

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