Mais de 100 espécies de nematóides, envolvendo cerca de 50 gêneros, foram associadas a cultivos de soja em todo o mundo. Entretanto, no Brasil, os nematóides mais prejudiciais à cultura têm sido os formadores de galhas (Meloidogyne spp.), o de cisto (Heterodera glycines), o das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) e o reniforme (Rotylenculus reniformis).

Popularmente referida como nematoide de cisto da soja, H. glycines causam perdas de produtividade de grãos que podem chegar a 90% (Dhingra et al. (2009)), isso levando em consideração não só a presença do nematoide na área, mas a combinação de fatores, como: grau de infestação, raça, fertilidade do solo e suscetibilidade da cultivar.

O nematoide de cisto de soja é a especie de maior occorrência e dano nos EUA, sendo detectado pela primeira vez em Delaware, no outono de 1979, e é bastante temido pelos  sojicultores americanos, isso por que  não possui restrição quanto ao tipo de solo. Ele torna-se um problema ainda maior porque os sintomas da infecção nem sempre são visíveis e pode passar despercebido durante anos até que o atraso no crescimento severo ou a perda de rendimento sejam comprovados durante a colheita.


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Os sintomas das infecções do nematoide do cisto variam de nenhuma evidência visível de lesão na planta ao amarelamento e desnutrição, levando às vezes a morte da planta em certas áreas da lavoura e pode ser erroneamente confundido com outros problemas, como a deficiência de manganês, infestações por ácaros, danos causados ​​por herbicidas, deficiência de potássio, pontos baixos, estresse hídrico e compactação do solo.



O único sinal visível de infecção é a presença de cistos brancos ou amarelos nas raízes, mas eles podem não estar presentes no momento da amostragem. Os sintomas aparecem em reboleiras e, em muitos casos, as plantas acabam morrendo. O sistema de raízes fica reduzido e infestado por minúsculas fêmeas do nematoide com formato de limão ligeiramente alongado.

Nematoide infestando a raiz. Foto: Connie Tande, SDSU Plant Science Dept., Bugwood.org

A injuria do nematoide do cisto da soja no crescimento e rendimento da cultura envolve vários mecanismos que estão diretamente relacionados a atividade do sistema radicular, onde a absorção de nutrientes e água nas raízes é comprometida. O que torna visível quando se encontram plantas de soja raquíticas e, muitas vezes, folhas amarelas, ocorrendo também a redução  do número de nódulos formados pelas bactérias benéficas fixadoras de nitrogênio que são necessárias para o crescimento ideal da soja, prejudicando também a fixação de Nitrogênio. O nematoide, durante a alimentação, também fere as raízes, permitindo que as lesões sejam a porta de entrada para patógenos fúngicos secundários, como Rhizoctonia, Fusarium e Pythium. Embora a Síndrome da Morte Súbita ocorra com pouca frequência, esta doença também acaba sendo favorecida.

Como existem diferentes raças deste nematoide, e nem todas as cultivares apresentam-se tolerantes ou resistentes ao ataque, os produtores precisar atentar-se a escolha das cultivares de soja com gruas de resistência. e realizar rotações com culturas não hospedeiras para diminuir a pressão exercida pela praga.

Perdas de rendimento x cistos visíveis em soja. Fonte: Embrapa.

No Brasil O nematoide de cisto da soja, foi detectado pela primeira vez na região dos Cerrados em 1991/92 e atualmente as estimativas apontam para uma área infestada de aproximadamente 3.0 milhões de hectares. Ao lado, uma relação do dano n produtividade da soja x presença  de cistos visíveis nas raízes.

As perdas, devido aos nematoides, são estimadas em R$ 35 bilhões ao ano para o agronegócio brasileiro, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), chegando a 10,6% da soja mundial.

Falando em cultivares resistentes, o que dizem os trabalhos aplicados ao Brasil?

Sob pressão de seleção em razão do uso continuado de cultivares resistentes, novas raças podem ser selecionadas. No Brasil, apesar do histórico da utilização de cultivares de soja resistentes ao NCS ser recente, já em 2009 haviam sido encontradas 11 raças (1, 2, 3, 4, 4+, 5, 6, 9, 10, 14 e 14+).

Trabalho dos autores Antônio Sérgio de Souza; Rafaela Lanusse de Bessa Lima; Pedro Ivo Vieira Good God e Vinicius Ribeiro Faria, da Universidade Federal de Viçosa, e publicado nos Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018, realizado em Santa Maria, RS onde buscou-se identificar cultivares que possuíssem resistência ao nematóide do cisto da soja, encontraram em suas pesquisas que as variedades UFVCRP 84, TNG 1179, CD 202 e BRS 133 como resistentes, a raça de H. glycines presente no solo do experimento localizado na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Confira as demais cultivares estudadas:

 Estratégias importantes para manejar nematoide do cisto:

Rotação de cultura: A rotação de culturas é benéfica para a soja e pode reduzir significativamente as populações do nematoide. A alternância de culturas não hospedeiras com diferentes variedades resistentes é a base de um programa eficaz e de longo prazo de gerenciamento.  O plantio de uma cultura que não seja hospedeira, como sorgo, milho, girassol, gramíneas forrageiras reduzirá as populações de H. glycines.

Abaixo a relação de plantas hospedeiras dos principais gêneros de nematoides:

Plantas hospedeiras por espécie de nematoide. Fonte: Roberto G. Torres et al.

 Os números de nematoides do cisto em um campo declinam mais rapidamente quando o produtor usa culturas não hospedeiras em vez de plantar variedades resistentes. Dois ou mais anos de uso de culturas não hospedeiras e / ou variedades resistentes podem ser necessários para reduzir as populações a níveis administráveis, dependendo das populações iniciais e das condições de crescimento durante a estação.

Abaixo a relação de plantas NÃO E MÁ hospedeiras dos principais gêneros de nematoides (Rotação/Suscessão): confira o trabalho original clicando aqui.

Plantas não ou más hospedeiras. Fonte: Roberto G. Torres et al.

Variedades resistentes: O uso de variedades resistentes é uma ferramenta essencial e o meio mais econômico, com grande facilidade de adoção por parte dos produtores. Produtor: ao escolher a cultivar, atente-se ao grau de resistência ás principais espécies de nematoides ocorrentes em sua lavoura.

Variedades Susceptíveis: evite utilizar variedades suscetíveis sem primeiro fazer um teste de solo através da amostragem e quantificação em laboratório. Nunca presuma que o seu programa de controle reduziu os números para um nível seguro.

Práticas culturais e controle de plantas daninhas: Mantenha a fertilidade ideal do solo para otimizar o crescimento e o desenvolvimento das plantas. Controle ervas daninhas e outras pragas para reduzir o estresse geral da planta.Como observado nas tabelas acima, diversas espécies de daninhas são boas opções para multiplicar as populações de nematoides.

Monitoramento e identificação: A melhor maneira de confirmar uma infestação é amostrar o solo, e enviar para uma análise nematológica. Monitorar periodicamente a lavoura para avaliar o grau de infestação também é premissa básica, na dúvida busque sempre orientação de um Engenheiro Agrônomo.

ATENÇÃO: o nematoide do cisto da soja pode ser gerenciado, mas dificilmente será erradicado.

Material foi adaptado do trabalho de Autoria de Robert P. Mulrooney Patologista de plantas de extensão – Universidade de Delaware  – PP-02 Publicado em janeiro de 2011. Pode ser acessado clicando aqui.

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