O presente trabalho apresenta como hipótese que para produtividades potencias acima de 4,5 Mg ha1, o nitrogênio é um fator limitante e que o grau de limitação aumentaria conforme o aumento do potencial produtivo.

Autores: Isadora Hübner Brondani1; Camila Bisognin Meneghetti2; Darlyng Oliveira Santos1; Luiz Felipe Vieira Sarmento1; Nícolas Leonardi3

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A cultura da soja (Glycine max (L.) Merril) ocupa posição de destaque na agricultura mundial, devido ao elevado teor de proteína de seus grãos, cerca de 40%, constituindo uma fonte importante para a alimentação humana e dos animais, sendo considerada uma cultura chave na segurança alimentar global (MENZA et al., 2017). Assim, estudos referentes a práticas de manejo e utilização adequada de insumos são de extrema importância para alcançar o potencial de produtividade das culturas agrícolas.

O potencial de produtividade (PP) é a produtividade de uma cultivar que cresce e se desenvolve sem deficiências de nutrientes, sem estresses bióticos e abióticos. Desse modo, a disponibilidade de nitrogênio (N) não poderá ser um fator limitante, já que é um elemento essencial para a maioria das culturas, constituinte de várias moléculas importantes para seu desenvolvimento. Os grãos de soja apresentam um teor médio de 6,5% N, desse modo, para produzir 1.000 kg de grãos de soja são necessários 65 kg de N. Adicionem-se, a isso, pelo menos mais 15 kg de N para as folhas, caule e raízes, indicando a necessidade total de, aproximadamente 80 kg de N. Consequentemente, para a obtenção de rendimentos de 3.000 kg de grãos ha-1 são necessários 240 kg de N, dos quais 195 kg são retirados da lavoura através da exportação pelos grãos (EMBRAPA, 2001).

As principais fontes fornecedoras do N necessário à cultura da soja são o N do solo, proveniente da decomposição da matéria orgânica e das rochas, o N fornecido por fertilizantes e o N fornecido pelo processo da fixação biológica do nitrogênio atmosférico (N2) (HUNGRIA, et al., 1997). Os fertilizantes nitrogenados representam a forma assimilada com maior rapidez pelas plantas (CRISPINO, et al., 2001). Todavia, segundo Klarmann (2004) e Novo et al., (1999), a grande demanda de N da cultura da soja pode não ser totalmente satisfeita através da fixação biológica de nitrogênio e das reservas nitrogenadas que estão no solo, sendo assim necessário uma complementação com fertilizantes nitrogenados.

De acordo com o trabalho de Alves et al. (2006), por meio da inoculação das sementes é possível obter alta produtividade com uma eficácia de até 88% na fixação de nitrogênio. Porém, o autor considerou alta produtividade 3,5 Mg ha-1. Em trabalho desenvolvido por Tanner e Anderson (1964), observou-se que os rizóbios tornam-se inativos a partir de R5, durante o enchimento de grãos, estádio em que o nitrogênio ainda é requerido pela planta. Dessa forma, é importante conhecer o comportamento da cultura da soja, em resposta ao aporte de nitrogênio para que se atinja produtividades de 6 a 7 Mg ha-1, onde a fixação biológica de nitrogênio e a mineralização da matéria orgânica do solo não seriam suficientes para alcançar o potencial produtivo. Sendo assim, o presente trabalho apresenta como hipótese que para produtividades potencias acima de 4,5 Mg ha-1, o nitrogênio é um fator limitante e que o grau de limitação aumentaria conforme o aumento do potencial produtivo.

MATERIAL E MÉTODOS

Para isso, realizou-se experimentos nas localidades da região central do estado do Rio Grande do Sul, nos municípios de Cruz Alta (28º 38′ 19″ S; 53º 36′ 23″ W) e Júlio de Castilhos (29º 13′ 37″ S; 53º 40′ 54″ W). A escolha dessas áreas deve-se ao fato de ambas serem produtoras de soja consolidadas, com teto produtivo elevado (produtividade nos últimos cincos anos de 4.5 Mg ha-1) e alto nível tecnológico.


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No município de Júlio de Castilhos foi utilizada a cultivar PIONEER 95R51, a qual foi semeada em 30/10/2017 e em Cruz Alta foi utilizada a cultivar BMX LANÇA IPRO, semeada em 03/11/2017. Os manejos fitossanitários foram realizados pelos produtores seguindo as recomendações técnicas para a cultura.

Ambos os campos produtores possuíam irrigação por pivô central. As avaliações de fenologia foram de acordo com a escala de Fehr e Cavines (1977). Foram aplicados 632 kg de N ha-1, na forma de ureia, divididas em três aplicações nos estágios fenológicos de R1, R3 e R5, recebendo 30, 40 e 30%, respectivamente, da dose total de N. Quando a lavoura de soja alcançou o estágio R8 (maturação fisiológica), foi realizada a colheita dos blocos e estimando a produtividade em laboratório.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados obtidos nas lavouras de soja de Júlio de Castilhos e Cruz Alta confirmam a hipótese deste trabalho, encontrando ganhos nos rendimentos quando aplicado nitrogênio em cobertura. Em Júlio de Castilhos, foi alcançado a maior produtividade dos experimentos, 6 Mg ha-1.No mesmo local, porém em um experimento sem irrigação, a produtividade também foi maior quando aplicado N, produzindo cerca de 5.2 Mg ha-1. Tal fato pode ser explicado pela boa distribuição das chuvas na estação de cultivo da soja e pela alta umidade no solo no momento da aplicação da ureia.

Por sua vez, nas lavouras de Cruz Alta, como se observa na Figura 1, o ponto sem irrigação (CA SI), teve uma produtividade de 5.37 Mg ha-1, enquanto que no mesmo local com irrigação (CA) produziu 5.27 Mg ha-1. Possivelmente isso é explicado pelo fato de que havia condição de alta umidade no solo no momento da aplicação de nitrogênio e, devido às chuvas bem distribuídas, não ocorreu déficit hídrico para a cultura.

Figura 1: Produtividade da soja com tratamentos com dose nitrogênio versus tratamento sem nitrogênio. Cada ponto representa um local x data de semeadura x cultivar. Linha diagonal sólida indica y = x. Quadrado azul= Cruz Alta (CA); Círculo vermelho= Júlio de Castilhos (JC); Triângulo amarelo= Cruz Alta sem irrigação (CA SI); Losango verde= Júlio de Castilhos sem irrigação (JC SI).

CONCLUSÃO

Diante da necessidade do avanço de conhecimento e tendo em vista a importância da soja, os estudos com aplicações de fertilizantes nitrogenados é de suma importância, pois permitirá avanços nos ganhos de rendimentos da soja, assim como no aumento do teor de proteína e de óleo nos grãos.

Em 2050 o mundo contará com aproximadamente 9 bilhões de pessoas e com isso, a produtividade precisará ser aumentada, porém não em área, mas na melhora das práticas agronômicas de manejos.

Por conseguinte, através dos resultados obtidos, percebe-se que o nitrogênio aumentou a produtividade da soja.

REFERÊNCIAS 

ALVES, B.J.R.; ZOTARELLI, L.; FERNANDES, F.M.; HECKLER, J.C.; MACEDO, R.A.T. de; BODDEY, R.M.; JANTALIA, C.P.; URQUIAGA, S. Fixação biológica de nitrogênio e fertilizantes nitrogenados no balanço de nitrogênio em soja, milho e algodão. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.41, n.3, p.449-456, mar. 2006.

FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Ames: State University of Science and Technology, 1977. 11 p. (Special report, 80).

KLARMANN, P. A. Influência de plantas de cobertura de inverno na disponibilidade de N, fixação biológica e rendimento da soja sob sistema planio direto. Ano de obtenção: 2004. 142 p. Dissertação (Mestrado em Ciência do Solo) – Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Universidade Federal de Santa Maria, 2004.

MENZA, N. C.; MONZON, J. P.; SPECHT J. E.; GRASSINI, P. Is soybean yield limited by nitrogen supply? Field Crops Research 213 (2017) 204–212.

TANNER, J.W.; ANDERSON, C. External effect of combined nitrogen on nodulation. Plant Physiology. 39:1039-1043, 1964.

WESLEY, T.L.; LAMOND, R.E.; MARTIN, V.L.; DUNCAN, S.R. Effects of late-season nitrogen fertilizer on irrigated soybean yield and composition. Journal of Production Agriculture, v.11, p.331-336, 1998.

Informações dos autores:  

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS;

Acadêmico do Curso de Agronomia, Instituto Federal Farroupilha, Campus São Vicente do Sul/RS.

Engenheiro Agrônomo.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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