Objetivo

O objetivo deste estudo foi avaliar o nível de dano econômico (NDE) do percevejo-barriga-Verde, (Dichelops furcatus Fabr.) (Hemiptera: Pentatomidea) (Figura 1) na cultura do trigo (Triticum aestivumL.).

Metodologia

O experimento foi conduzido na safra 2016 na unidade de pesquisa e tecnologia da CCGL –Cooperativa Central Gaúcha Ltda., em Cruz Alta, RS. A cultivar de trigo utilizada foi a Tbio Sinuelo semeada em 24 de junho de 2016 e colhida em 18 de novembro de 2016.

Gaiolas de voal de 1 m² foram alocadas a campo (Figura 3), nas quais foram liberados diferentes níveis de infestação do percevejo, sendo: 0, 2, 4, 6, 8 e 10 percevejos por gaiola, com quatro repetições. A infestação foi estabelecida quando a cultura do trigo se encontrava em fase de emborrachamento. Após 10 dias, as gaiolas foram retiradas e as plantas mantidas livres de pragas e doenças até a colheita.

Os resultados de produtividade para cada nível de infestação foram submetidos à análise de regressão linear (P< 0,05). Aestimativa do nível de dano econômico (NDE) foi simulada para diferentes custos de controle com inseticidas – -1 variando de 50 a 150 R$ ha – e para diferentes preços pagos ao produtor pela saca de trigo (60 kg) – variando de 25 a -1 55 R$ ha .

Resultados

A análise de regressão entre a produtividade de grãos da cultura do trigo e os níveis  populacionais do percevejo demonstrou uma relação inversamente proporcional entre as variáveis, ou seja, a medida que o nível populacional do percevejo-barriga-verde aumentou, o rendimento do trigo diminuiu (Figura 2). A equação apontou -1 uma redução de 0,98% (52 kg ha ) na produtividade de trigo para cada percevejo adicional por m².

Com base no dano causado por um percevejo m , foi possível estimar o NDE em diferentes cenários de custo de tratamento e preço da saca de 60 kg de trigo (Tabela 1).

O-2 NDE variou de 0,1 a 5,5 percevejos  de acordo com cada situação simulada. Considerando uma condição na qual o  custo de controle é de R$ 90,00 ha (inseticida + aplicação + amassamento da cultura), e o preço médio pago em 2017 pela saca de trigo (60 kg) de R$ 34,00, a densidade de percevejos que resultou em dano equivalente ao custo do -2 seu controle foi estimada em 2,4 percevejos m .

A temperatura mais baixa no Rio Grande do Sul nos meses do inverno e primavera  influencia de forma positiva o dano gerado pelo percevejo-barriga-verde no trigo, causando
menos danos. O percevejo-barriga-verde, de ocorrência no Mato Grosso do Sul (D. melacanthus), demonstrou causar danos mais severos, para qual o nível de ação é de 1-
percevejo m².

Dentre as hipóteses, em relação aos danos menores causados pela espécie D. furcatus em relação à espécie D. melacanthus, está a influência da baixa temperatura, que inibe  atividades como a motilidade e a alimentação do percevejo.

Conclusões

O conhecimento do número de insetos-praga em que o seu controle é justificado é uma das práticas do manejo integrado de pragas (MIP). As informações geradas por este estudo poderão servir como base para técnicos e produtores quanto à viabilidade do controle do percevejo-barriga-verde. Para tal, é recomendada a vistoria da lavoura e o monitoramento periódico da incidência da praga nas lavouras de trigo, a fim de identificar o momento ideal para o controle.

Deve-se ressaltar, ainda, que além das variáveis consideradas (custo de controle e valor da saca do trigo), o nível de produtividade da cultura, a suscetibilidade do cultivar à praga e o estádio de desenvolvimento da planta no momento do ataque, também podem influenciar no cálculo do NDE.

Sobre a autora: Janine de Palma é Doutora em agronomia com ênfase em entomologia, Pesquisadora CCGL Pesquisa e tecnologia, e-mail: janine.palma@ccgl.com.br

Fonte: Boletim Técnico nº 56 CCGL

Texto originalmente publicado em:
Boletim Técnico nº 56 CCGL
Autor: Janine de Palma

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