O gênero Begomovirus é responsável por diversas doenças em plantas que causam grande impacto em culturas de várias partes do mundo, com destaque para feijão e tomate. As begomoviroses são transmitidas pela conhecida mosca-branca (Bemisia tabaci), que está presente em todo o continente sul americano, foi detectada no Brasil nos anos 90, quando começaram os relatos da doença no país.

Nos últimos anos, em lavouras de feijão e outras leguminosas no Equador, foram observados sintomas parecidos com os de begomovírus – até o momento, apenas o Cabbage leaf curl virus (CabLCV), conhecido como vírus do enrolamento de folhas de repolho, afetando feijão comum e feijão-caupi havia sido detectado no país.

De maio a junho de 2017, foi realizado um levantamento em plantas leguminosas nas cidades de Santa Elena, Milagro e Palla. Os pesquisadores coletaram amostras de 24 plantas de feijão comum, soja e feijão-guandu que apresentavam deformação foliar e mosaico nas folhas, também foram coletadas moscas-brancas que estavam infestando as plantas de feijão comum.

Analisando o DNA das amostras, os resultados foram negativos para a presença do CabLCV, e mostraram cerca de 90% de similaridade com o Pepper leafroll virus(PepLRV) ou vírus da folha de pimenta, um begomovírus registrado em pimenta, feijão e tomate no Peru. Nos testes de confirmação, concluiu-se que se trata de uma nova estirpe do vírus PepLRV e as moscas-brancas demonstraram similaridada com bemisias do Oriente Médio – Ásia Menor (MEAM1).

Este foi o primeiro relato do Pepper leafroll virus (PepLRV) no Equador, o primeiro relato da soja como seu hospedeiro e a primeira evidência da presença de moscas-brancas MEM1 no país. O relato é importante, pois demonstra a expansão do PepLRV, anteriormente registrado apenas no Peru e registra uma nova associação com soja. Além disto, com a expressiva produção brasileira tanto de feijão quanto de soja e levando em consideração a interação de espécies demonstrada através do Observatório Pragas Sem Fronteira (até o momento são 121 espécies em comum entre Brasil e Equador), fica um alerta para a possibilidade de introdução do vírus e para a importância de que ações de prevenção sejam desenvolvidas.

Para saber mais: Fiallo-Olivé et al. (2018)

 

Texto originalmente publicado em:
Portal Defesa Vegetal.Net
Autor: Portal Defesa Vegetal.Net

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